Resumo da notícia:
Brasil combina avanços regulatórios, participação do governo e engajamento do setor financeiro, o que favorece expansão das criptomoedas no país.
Perspectiva é de que o Brasil se consolide em 2026 como um dos maiores e mais dinâmicos mercados de cripto do mundo.
Brasil está passando por uma mudança clara, caminhando em direção a plataformas reguladas.
A adesão de instituições financeiras tradicionais ao mercado de criptomoedas no Brasil reflete o avanço da regulamentação no país, segundo análise feita na última semana pelo especialista Stijn Vander Straeten.
Na avaliação do representante de fintech suíça de infraestrutura em criptomoedas Crypto Finance, o Brasil combina avanços regulatórios, participação do governo e engajamento do setor financeiro. O que tem acelerado a transformação das criptomoedas, que deixam de ser vistas apenas como ativos especulativos e passam a integrar a infraestrutura financeira regulada. Para ele, enquanto em muitos países o mercado ainda depende principalmente da demanda de investidores individuais e dos ciclos de mercado, o Brasil segue um caminho diferente, com maior presença institucional, regras mais claras e integração ao sistema financeiro.
Estudos recentes do braço de criptomoedas do grupo alemão Deutsche Börse apontaram que, globalmente, os ativos digitais continuam sensíveis a fatores macroeconômicos, como expectativas por cortes de juros, inflação e cenário geopolítico. Em muitos mercados, o comportamento das criptomoedas ainda acompanha o apetite por risco, com variações de preço refletindo o sentimento geral dos investidores, muitas vezes antes de indicadores tradicionais, e não necessariamente o avanço da adoção estrutural.
A perspectiva é de que o Brasil se consolide em 2026 como um dos maiores e mais dinâmicos mercados de cripto do mundo, sempre aparecendo entre os dez principais em adoção e volume de transações, apoiado por um sistema financeiro desenvolvido e forte presença de fintechs. Diferentemente de outros mercados, onde o crescimento é puxado principalmente por pessoas físicas, o Brasil registra aumento na participação de bancos, corretoras e investidores institucionais.
Segundo Stijn Vander Straeten, à medida que o uso de ativos digitais se amplia, cresce também a demanda para que instituições financeiras tradicionais ofereçam esses serviços com segurança e em conformidade regulatória. Para o CEO, o Brasil está passando por uma mudança clara, caminhando em direção a plataformas reguladas e maior participação institucional, com bancos, corretoras e fintechs.
Isso indica uma transição de um ambiente dominado por investidores individuais para uma estrutura mais equilibrada, com apoio institucional, observou.
Cripto com características brasileiras
Straeten acrescentou que esse nível de convergência é particular do Brasil, considerando que, em grande parte do mundo, o crescimento do mercado de criptomoedas aconteceu de baixo para cima, liderado por investidores individuais em ambientes regulatórios fragmentados ou incertos.
No Brasil, a adoção ocorre cada vez mais de cima para baixo, com instituições financeiras incorporando serviços de cripto em seus produtos e canais de distribuição. Ao mesmo tempo, a regulação funciona como um facilitador, trazendo previsibilidade para a participação institucional em escala, explicou.
Ele citou a Argentina, onde o uso de cripto está mais associado à proteção contra inflação e instabilidade cambial, ao salientar que o Brasil utiliza criptomoedas para aumentar a eficiência financeira, ampliar o acesso ao mercado e incentivar novos modelos de negócio em um ambiente macroeconômico relativamente estável.
Isso eleva a demanda por serviços voltados a instituições, com liquidez mais profunda, gestão transparente de reservas e mecanismos confiáveis de resgate, fundamentais para manter a confiança dos usuários em larga escala, detalhou.
O executivo encerrou dizendo que o avanço da regulamentação em países como Brasil e Argentina favoreceu a ampliação de parcerias da Crypto Finance nesses dois países para atender à demanda das instituições financeiras em áreas como custódia, negociação, tokenização e liquidação.
Na seara do avanço das criptomoedas na América Latina, a Comissão Nacional de Ativos Digitais (CNAD) de El Salvador concedeu licença para emissão do MXNB, stablecoin lastreada no peso mexicano, conforme noticiou o Cointelegraph Brasil.

