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Walter Barros
Escrito por Walter Barros,Redator
Lucas Caram
Revisado por Lucas Caram,Editor da Equipe

Estudantes de Medicina brasileiros impulsionam stablecoins na Argentina, aponta relatório

Proteção cambial arrasta estudantes brasileiros para as stablecoins, já que a negociação ARS/BRL é uma das queridinhas dos estudantes do Brasil na Argentina.

Estudantes de Medicina brasileiros impulsionam stablecoins na Argentina, aponta relatório
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Resumo da notícia:

  • BTC e USDT dominam, mas ARS e BRL também são queridinhos de estudantes brasileiros na Argentina.

  • Dinâmicas posicionam o Brasil como um dos mercados de criptomoedas financeiramente mais desenvolvidos da América Latina.

  • Estudo mostra que os investidores brasileiros demonstram uma combinação equilibrada de estratégias de investimento e preferências de ativos.

  • América se dividiu funcionalmente em dois casos de uso: acesso ao dólar americano e acumulação de ativos de longo prazo, principalmente o Bitcoin.

O par ARS/BRL, stablecoins lastreadas no peso argentino e no real brasileiro, respectivamente, apresenta alta taxa de negociação e é capitaneado por estudantes de Medicina brasileiros na Argentina, segundo um relatório divulgado no final de abril pela Bitso.

De acordo com o “Panorama Cripto na América Latina 2025”, Bitcoin (BTC) e Teher (USDT), stablecoin lastreada no dólar americano, representaram a maior fatia das compras por investidores de criptomoedas brasileiros no ano passado, 22% e 23% respectivamente. Apesar disso, o levantamento mostrou que o par de negociação ARS/BRL está entre os dominantes no país, tendência que é provavelmente impulsionada pela atividade financeira transfronteiriça ligada à mobilidade educacional entre o Brasil e a Argentina.

Par ARS/BRL se destaca no livro de ordens da exchange. Fonte: Reprodução/Bitso.

Segundo a Bitso, “os estudantes brasileiros constituem um dos grupos internacionais mais numerosos em universidades argentinas, principalmente em cursos de medicina” o que justifica a participação de 25% das mulheres na negociação ARS/BRL.

Nesse par de negociação específico, as mulheres brasileiras apresentam taxas de participação significativamente mais altas, um padrão consistente com estudos demográficos locais que indicam que a maioria dos estudantes brasileiros de medicina na Argentina é composta por mulheres, destacou o levantamento.

Para a Bitso, essas dinâmicas posicionam o Brasil como um dos mercados de criptomoedas financeiramente mais desenvolvidos da América Latina, onde os ativos digitais funcionam cada vez mais como parte de portfólios diversificados, além de ser um dos mercados cripto estruturalmente mais diversificados da região. Em contraste com mercados mais orientados à dolarização, o estudo mostrou que os investidores brasileiros demonstram uma combinação equilibrada de estratégias de investimento e preferências de ativos”.

América Latina

Elaborado a partir de interações de investidores na exchanges, o Panorama Cripto na América Latina 2025, mostrou que as stablecoins funcionaram cada vez mais como componentes centrais da infraestrutura financeira, perdendo o caráter de meros instrumentos de negociação. Em relação à América Latina, o relatório indicou que a região se dividiu funcionalmente em dois casos de uso paralelos que coexistem em uma mesma base de investidores. O primeiro é o acesso ao dólar, já que, nos quatro mercados analisados (Brasil Argentina, México e Colômbia), as stablecoins (principalmente USDC e USDT) são a categoria de ativos mais comprada. Somados, os ativos atrelados ao dólar representaram 40% de todas as compras na Bitso em 2025, superando o Bitcoin pela primeira vez. Os investidores não estão comprando stablecoins para negociá-las por outros ativos, mas sim para manter reserva em dólar.

O segundo é a acumulação de ativos de longo prazo. Apesar da dominância das stablecoins na atividade de compras, o Bitcoin continua sendo o ativo mais amplamente mantido em todos os mercados, com uma participação regional que mal se moveu ano a ano (de 53% para 52%). Os investidores que detêm Bitcoin não estão liquidando suas posições; pelo contrário, estão mantendo em meio à volatilidade com a disciplina de quem investe por convicção, e não por especulação.

Na avaliaçãao da exchange, juntos esses dois comportamentos descrevem um ecossistema em maturação: no qual cripto serve tanto como ferramenta financeira de emergência, quanto como posição de longo prazo ponderada, muitas vezes para a mesma pessoa.

Na última semana, investidores brasileiros aportaram R$ 4 milhões em fundos de criptomoedas, conforme noticiou o Cointelegraph Brasil.

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