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Escrito por Cassio Gussonstaff writerRevisado por Lucas Caramstaff editor

Bitcoin em queda: 40% das pessoas compram stablecoins e apenas 18% BTC

Últimas NotíciasPublicadoJun 16, 2026

Relatório da Bitso Business mostra que USDC e USDT ultrapassaram o Bitcoin entre usuários de varejo, enquanto bancos e empresas ampliam o uso de stablecoins em pagamentos, tesouraria e liquidação internacional.

A Bitso anunciou durante a Stablecoin Conference 2026, na Cidade do México, a segunda edição do Stablecoin Landscape Report, que analisa a adoção e o uso de stablecoins por uma amostra de mais de 1.900 clientes institucionais da empresa ao longo do primeiro semestre de 2026.

O relatório afirma que a primeira metade de 2026 marcou uma nova fase para as stablecoins na América Latina. O que começou como uma ferramenta associada principalmente à negociação de criptomoedas passou a funcionar como uma camada crítica de infraestrutura financeira para consumidores, empresas e instituições financeiras.

Assim, o levantamento mostra que USDC e USDT representaram, juntas, 40% de todas as compras feitas pelos mais de 10 milhões de usuários de varejo da plataforma, enquanto o Bitcoin respondeu por 18%.

De acordo com a empresa, o avanço das stablecoins no varejo reflete uma mudança estrutural no uso de criptoativos na região. Em vez de tratar USDC e USDT apenas como ativos de passagem para entrar e sair de operações com Bitcoin, Ether ou outras criptomoedas, consumidores passaram a enxergar esses tokens como representações digitais do dólar. Isso ajuda a explicar por que stablecoins chegaram a 40% das compras na plataforma, mais que o dobro da participação do Bitcoin.

A tendência se conecta ao fenômeno que o relatório chama de dolarização digital. Em países latino-americanos, consumidores e empresas buscam ativos atrelados ao dólar para preservar poder de compra, reduzir exposição a moedas locais mais voláteis e participar de uma economia global mais conectada. Ao contrário da dolarização tradicional, que pode exigir acesso a contas bancárias estrangeiras ou estruturas financeiras internacionais, a dolarização digital ocorre por meio de redes blockchain e plataformas de ativos digitais.

Segundo a Bitso Business, essa dolarização digital pode acontecer de forma instantânea, com menor custo e sem a necessidade de uma conta bancária fora do país. À medida que a infraestrutura amadurece, a diferença entre dólares tradicionais e dólares digitais passa a ser mais operacional do que funcional. Ou seja, para o usuário final, a stablecoin passa a cumprir parte das funções práticas do dólar: reserva de valor, meio de pagamento e unidade de liquidez.

O relatório também indica que a América Latina desponta como uma das regiões líderes nessa transformação. A combinação de demanda por dólar, pagamentos internacionais, remessas, comércio digital e infraestrutura financeira ainda desigual cria um ambiente favorável para o uso de stablecoins. Nesse contexto, USDC e USDT ganham espaço não apenas entre investidores cripto, mas também entre usuários que buscam soluções financeiras mais rápidas e acessíveis.

Empresas usam stablecoins para liquidação, tesouraria e pagamentos internacionais

No mercado institucional, o crescimento também foi expressivo. O volume de transações relacionadas a stablecoins processado pela Bitso Business cresceu 81% no primeiro semestre de 2026 em relação ao mesmo período de 2025. Para a empresa, o dado reflete a demanda crescente por liquidação em tempo real, gestão de tesouraria e soluções de liquidez transfronteiriça.

Esse ponto mostra uma diferença importante em relação às fases anteriores de adoção. No começo, empresas usavam stablecoins principalmente como garantia de negociação, instrumento de câmbio ou ferramenta ligada a operações cripto. Agora, segundo o relatório, companhias incorporam stablecoins como infraestrutura operacional para atividades financeiras do dia a dia.

A Bitso Business afirma que stablecoins estão se tornando uma camada padrão de liquidação para negócios. O termo é relevante porque desloca a discussão do campo da especulação para o campo da infraestrutura. Nesse modelo, a stablecoin não aparece necessariamente para o consumidor final, mas opera nos bastidores de pagamentos, remessas, operações de tesouraria e transferências entre empresas.

O avanço também reforça uma tese mais ampla do relatório: stablecoins estão se tornando a “infraestrutura invisível” das finanças modernas. Isso significa que o usuário pode não perceber a presença do token na operação, mas a tecnologia pode estar por trás da liquidação, da conversão, da transferência ou da gestão de liquidez usada por empresas e instituições financeiras.

Bancos e instituições financeiras lideram nova fase de adoção

Um dos dados mais importantes do relatório é a mudança no perfil das empresas que adotam infraestrutura de stablecoins. No primeiro semestre de 2026, mais de 60% dos novos clientes da Bitso Business vieram de instituições financeiras, incluindo bancos comerciais e agregadores de pagamento licenciados. Esse grupo passou a liderar a nova onda de adoção, deslocando o protagonismo antes concentrado em empresas cripto-nativas.

O relatório divide os novos clientes da Bitso Business em três grandes grupos. Bancos e agregadores de pagamento licenciados responderam por 60% da nova base; empresas da economia real representaram 33%; e companhias cripto-nativas e agregadores de pagamento ficaram com 7%. A composição mostra que a adoção de stablecoins deixou de ser um movimento restrito ao setor cripto e passou a envolver participantes regulados do sistema financeiro.

Para a Bitso Business, esse dado indica que a infraestrutura blockchain já não aparece como uma alternativa isolada ao sistema financeiro tradicional. Em vez disso, bancos, fintechs, provedores de pagamento e empresas multinacionais passam a integrar trilhos baseados em blockchain às suas operações existentes. O objetivo não é substituir todo o sistema bancário, mas melhorar liquidação, tesouraria e pagamentos internacionais.

O relatório chama esse movimento de era das finanças híbridas. A tese é que as fronteiras entre finanças tradicionais, ou TradFi, e finanças descentralizadas, ou DeFi, começam a se dissolver. Instituições financeiras trazem escala, confiança, experiência regulatória e base de clientes, enquanto plataformas descentralizadas oferecem infraestrutura aberta, programável e de alta velocidade.

Imran Ahmad, general manager da Bitso Business, afirma no relatório que stablecoins deixaram de representar apenas uma ponte alternativa dentro do ecossistema cripto e passaram a fazer parte de uma convergência estrutural entre finanças tradicionais e trilhos descentralizados. Segundo ele, empresas usam stablecoins porque elas resolvem problemas práticos: liquidam mais rápido, movimentam recursos de forma eficiente entre fronteiras e ampliam o acesso à liquidez.

TradFi e DeFi se aproximam em pagamentos e liquidez

A aproximação entre bancos e blockchain é um dos eixos centrais do relatório. Para a Bitso Business, a nova fase de adoção não será marcada por uma indústria substituindo a outra, mas por uma síntese entre os dois modelos. Nesse cenário, stablecoins funcionam como uma ponte operacional entre instituições reguladas, empresas de pagamento, mercados globais e redes blockchain.

A tese ganha força porque os casos de uso citados no relatório não se limitam ao investimento em criptoativos. As stablecoins aparecem em pagamentos, remessas, liquidação de operações, gestão de caixa, comércio transfronteiriço e acesso a mercados internacionais. Isso amplia o público potencial desses ativos e coloca a infraestrutura de stablecoins no mesmo debate de redes de pagamento, câmbio, liquidação bancária e tesouraria corporativa.

Segundo o documento, consumidores continuam adotando dólares digitais para preservar poder de compra e participar da economia global. Ao mesmo tempo, empresas usam stablecoins para liquidar transações, otimizar liquidez e melhorar a gestão de tesouraria. As instituições financeiras, por sua vez, integram trilhos blockchain às operações já existentes.

Essa convergência cria um ambiente em que stablecoins saem do centro da narrativa cripto e passam a operar nos bastidores. A Bitso Business argumenta que elas deixam de ser vistas apenas como ativos digitais e passam a funcionar como uma camada fundacional de serviços financeiros modernos. O resultado é um sistema financeiro híbrido, no qual bancos, fintechs, empresas cripto e redes blockchain convivem dentro da mesma arquitetura de movimentação de dinheiro.

Traders e OTC ainda lideram, mas uso se espalha por pagamentos, remessas e games

O relatório também detalha a distribuição das verticais de negócios que usam stablecoins na Bitso Business. No primeiro semestre de 2025, traders e mesas OTC representavam 44,9% dos clientes; agregadores de pagamento respondiam por 23,1%; transmissores de dinheiro, por 19%; e empresas de gaming, por 13%.

No primeiro semestre de 2026, traders e OTC ampliaram sua participação para 52,7%, reforçando o peso de negócios intensivos em liquidez. Já agregadores de pagamento passaram para 19%, transmissores de dinheiro ficaram com 17,4%, e gaming recuou para 11%. Apesar da liderança das mesas de negociação e OTC, o relatório destaca que o uso de stablecoins continua espalhado por diferentes setores.

Essa composição mostra que a adoção cresce de duas formas. De um lado, há expansão vertical, com segmentos como traders e OTC concentrando volumes relevantes e ampliando participação. De outro, há expansão horizontal, com pagamentos, remessas e gaming usando stablecoins para resolver necessidades operacionais diferentes.

A convivência entre empresas intensivas em liquidez, como mesas OTC, e companhias ligadas a pagamentos e remessas mostra como as stablecoins conectam mercados de capitais e pagamentos do mundo real. Para a Bitso Business, o ponto central deixa de ser quem usa stablecoins e passa a ser quantos setores diferentes integram essa tecnologia em suas rotinas financeiras.

Esse espalhamento setorial reforça a leitura de que stablecoins não dependem mais de um único caso de uso. Elas podem atender empresas que precisam de liquidez em dólar, companhias que fazem pagamentos internacionais, plataformas digitais que operam com usuários em diferentes países e instituições financeiras que desejam oferecer trilhos mais rápidos para movimentação de recursos.


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