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Escrito por Cassio Gussonstaff writerRevisado por Lucas Caramstaff editor

Enquanto você vende, eles compram: Instituições já detêm 1 em cada 6 BTC do mundo

Últimas NotíciasPublicadoJun 16, 2026

Dados da Binance Research mostram que empresas, ETFs e outros investidores institucionais já controlam cerca de 3,88 milhões de BTC, enquanto a WisdomTree vê o Bitcoin negociando com desconto frente ao ouro.

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Enquanto parte dos investidores de varejo reduz exposição ao Bitcoin em momentos de queda, volatilidade ou incerteza macroeconômica, instituições seguem ampliando sua presença no ativo.

Dados da Binance Research, compartilhado com o Cointelegraph Brasil, indicam que empresas e investidores institucionais detinham aproximadamente 3,88 milhões de BTC, o equivalente a 18,5% do limite máximo de 21 milhões de unidades que poderão existir.

Quando são excluídas as participações ligadas a finanças descentralizadas e protocolos, o número fica próximo de 3,5 milhões de BTC, o que significa que instituições já concentram cerca de 1 em cada 6 bitcoins do mundo.

O dado reforça uma mudança estrutural no mercado. O Bitcoin nasceu como uma rede aberta, com forte adesão de usuários individuais, mineradores independentes e investidores de varejo, mas a dinâmica de posse do ativo mudou com a entrada de ETFs à vista, empresas de capital aberto, gestoras, fundos, governos, plataformas de infraestrutura e tesourarias corporativas.

Bitcoin entra de vez no balanço institucional

A presença institucional no Bitcoin não se limita mais a fundos cripto ou empresas nativas do setor. O avanço dos ETFs à vista, o crescimento de produtos regulados e o exemplo de companhias que adotaram BTC como ativo de tesouraria transformaram o Bitcoin em uma classe de ativo observada também por empresas tradicionais.

A Strategy se tornou o caso mais emblemático dessa tese ao usar o Bitcoin como eixo central de sua estratégia corporativa, mas o modelo passou a inspirar outras empresas interessadas em diversificação de caixa, proteção contra perda de poder de compra e exposição a um ativo escasso.

No Brasil, esse movimento começa a ser observado de forma gradual. Empresas brasileiras ainda estão em fase inicial de avaliação da alocação de cripto em tesouraria, mas o debate deixou de ser apenas especulativo. A questão agora passa por governança, contabilidade, custódia, liquidez, execução e adequação regulatória.

WisdomTree vê Bitcoin barato frente ao ouro

A tese institucional ganha outro elemento quando o Bitcoin é comparado ao ouro. Em análise assinada por Dovile Silenskyte, diretora de pesquisa em ativos digitais da WisdomTree, a gestora afirma que o Bitcoin parece estar cerca de 26% subvalorizado em relação ao ouro, segundo seu modelo interno.

A comparação parte da ideia de que os dois ativos funcionam como reservas de valor sensíveis a grandes variáveis macroeconômicas, como inflação, juros, força do dólar e apetite por risco. A diferença está no comportamento: o ouro tende a ser mais defensivo e estável, enquanto o Bitcoin apresenta volatilidade maior, mas também maior potencial de valorização em cenários favoráveis.

A WisdomTree não trata essa leitura como uma previsão de alta imediata. O ponto central é o valor relativo. Segundo a análise, no fim de março de 2026, o modelo indicava que o Bitcoin deveria negociar em um patamar mais alto em relação ao ouro do que o observado naquele momento. Isso sugere uma lacuna entre o preço de mercado e o valor relativo estimado pelo modelo, mas não define quando essa diferença poderia se fechar.

A análise da WisdomTree trabalha com três cenários principais para os próximos 12 meses. No primeiro, sem novo choque macroeconômico, a diferença entre Bitcoin e ouro se fecharia gradualmente.

No segundo, um choque inflacionário beneficiaria o ouro primeiro, já que investidores tendem a buscar ativos defensivos antes de migrar para posições de maior risco. No terceiro, um ambiente de aversão a risco manteria o ouro na liderança e atrasaria a recuperação do Bitcoin.

A mensagem da empresa é que a oportunidade existe, mas o caminho pode ser irregular e depender da combinação entre juros, inflação, dólar e liquidez global.

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