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Escrito por Cassio GussonRedatorRevisado por Lucas CaramEditor

Brasileiros já compraram US$ 14,68 bilhões em criptomoedas em 2026, alta de 135%, revela Banco Central do Brasil

Últimas NotíciasPublicado29 de jul. de 2026

Stablecoins concentram até 95% da demanda identificada pelo Banco Central, enquanto emissões de RWAs avançam 122% no país.

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Os brasileiros compraram mais de US$ 14,68 bilhões em criptoativos no primeiro semestre de 2026, segundo dados divulgados pelo Banco Central (BC) nesta terça-feira (28). De acordo com a instituição, o montante supera em 135% os US$ 6,24 bilhões registrados entre janeiro e junho de 2025. Em outras palavras, a demanda líquida brasileira mais que dobrou em apenas um ano.

Somente em junho, as compras líquidas alcançaram US$ 2,54 bilhões. O valor representa uma alta de 72,3% sobre os US$ 1,48 bilhão contabilizados no mesmo mês do ano passado. Os números integram a série 29644 do Sistema Gerenciador de Séries Temporais, que acompanha criptoativos com passivo correspondente, ou seja, ativos que possuem um emissor identificado.

Fernando Rocha, chefe do Departamento de Estatísticas do Banco Central, afirmou que a demanda brasileira mantém uma trajetória de expansão. Segundo ele, o mercado deixou a fase inicial, consolidou novas aplicações e ampliou sua participação nas transações financeiras.

O perfil das compras também mudou. Há alguns anos, os brasileiros concentravam a procura no Bitcoin e em outras criptomoedas marcadas por maior volatilidade. Agora, as stablecoins dominam as operações identificadas pelo BC. Rocha estima que esses ativos representem entre 90% e 95% da demanda observada pela autoridade monetária.

Além do uso como investimento ou proteção cambial, os brasileiros utilizam esses tokens para pagamentos, transferências internacionais e liquidação de diferentes tipos de transação. A mudança levou o BC a separar, em suas estatísticas, os ativos que possuem um emissor daqueles sem uma contraparte responsável. O Banco Central classifica stablecoins na conta financeira, enquanto registra ativos como o Bitcoin na conta de capital.

A metodologia adotada pelo BC ainda oferece uma cobertura parcial. Os contratos cambiais mostram a origem dos recursos, mas não permitem identificar com precisão como os usuários utilizaram os criptoativos depois da compra.

“É como se a gente tivesse acesso às fontes desses recursos, mas não sabe, exatamente, o uso”, explicou Rocha.

O Banco Central espera ampliar essa visão em 2027, quando receberá informações mais detalhadas das empresas reguladas. Os dados deverão mostrar com maior precisão quanto os brasileiros destinam a pagamentos, investimentos, remessas e outras operações.

A partir de 1º de janeiro de 2027, as Sociedades Prestadoras de Serviços de Ativos Virtuais (SPSAVs) também passarão a cumprir exigências prudenciais estabelecidas pelo Banco Central. O novo enquadramento aproxima essas empresas das demais instituições do Sistema Financeiro Nacional e amplia as obrigações relacionadas a capital, riscos, governança e prestação de informações.

Mercado de RWAs também registra crescimento

O avanço dos criptoativos ocorre enquanto o mercado brasileiro de ativos do mundo real tokenizados amplia suas operações. O setor encerrou o primeiro semestre com R$ 4,84 bilhões em emissões, segundo o RWA Monitor.

O resultado representa um crescimento superior a 122% diante dos R$ 2,17 bilhões emitidos no mesmo período de 2025. As captações efetivas avançaram 87,5%, de R$ 1,60 bilhão para R$ 3 bilhões.

As ofertas realizadas sob a Resolução CVM 160 lideraram o mercado. Essa categoria movimentou R$ 3,10 bilhões em emissões, alta de 129,4%, enquanto as captações chegaram a R$ 2,31 bilhões.

O número de projetos enquadrados nesse regime também saltou de seis para 26. O movimento indica que emissores maiores e operações mais estruturadas passaram a utilizar infraestruturas baseadas em blockchain.

As emissões privadas registraram a maior expansão percentual. O volume passou de R$ 205 milhões para R$ 1,18 bilhão, avanço de 476,4%. O número de projetos aumentou de 40 para 262.

Já as captações privadas cresceram 45,8%, de R$ 118,7 milhões para R$ 173,2 milhões. Os dados mostram que empresas de diferentes portes começaram a testar a tokenização como alternativa para financiamento e distribuição de ativos.

As operações sob a Resolução CVM 88 apresentaram um comportamento diferente. As emissões recuaram 9,1%, para R$ 561,9 milhões, mas as captações dispararam 308,5% e alcançaram R$ 519,9 milhões.

O desempenho sugere maior eficiência na distribuição das ofertas. Mesmo com um volume emitido menor, as plataformas converteram uma parcela muito maior dos tokens em recursos efetivamente captados.

Rodrigo Caggiano, fundador do RWA Monitor, classificou o resultado como um “sinal claro de maturidade”. Para ele, o mercado deve priorizar no segundo semestre projetos com lastros definidos, distribuição eficiente e maior aderência regulatória.

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