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Escrito por Cassio GussonRedatorRevisado por Lucas CaramEditor

Mercado de tokenização cresce 122% e atinge R$ 4,84 bilhões no Brasil no 1º semestre de 2026

Últimas NotíciasPublicado28 de jul. de 2026

Levantamento do RWA Monitor mostra alta de mais de 122% no volume emitido, avanço das captações para R$ 3 bilhões e forte crescimento de operações sob CVM 160 e emissões privadas

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O mercado brasileiro de tokenização (RWA), encerrou o primeiro semestre de 2026 com R$ 4,84 bilhões em emissões, segundo dados consolidados pelo RWA Monitor. O resultado representa crescimento superior a 122% em relação ao mesmo período de 2025, quando o setor registrou R$ 2,17 bilhões em emissões. As captações também avançaram de forma expressiva e passaram de R$ 1,60 bilhão, no primeiro semestre do ano passado, para R$ 3,00 bilhões nos seis primeiros meses de 2026.

Os números apontam uma mudança estrutural no mercado nacional de ativos tokenizados. Em vez de um crescimento concentrado em operações pontuais, o setor passou a registrar expansão simultânea em diferentes frentes regulatórias, com destaque para as ofertas sob a Resolução CVM 160, as emissões privadas e a maior eficiência comercial das operações enquadradas na Resolução CVM 88.

De acordo com o RWA Monitor, o desempenho do semestre reforça o amadurecimento das infraestruturas financeiras baseadas em blockchain no Brasil. A base de dados da plataforma indica que empresas, originadores, tokenizadoras e investidores institucionais ampliaram o uso da tokenização como ferramenta de captação, distribuição, rastreabilidade e acesso a ativos tradicionalmente restritos ao mercado de capitais.

“O salto de mais de 120% no volume de emissões e a escalada das captações sob a CVM 88 evidenciam o ponto de virada do ecossistema de RWA em 2026. Como principal inteligência de ativos brasileiros tokenizados, o RWA Monitor acompanha, na prática, a evolução estrutural dos emissores e parceiros do setor. O mercado consolidou um ambiente digital seguro e transparente, pronto para absorver desde a agilidade das operações privadas até o rigor e o volume das captações institucionais da CVM 160”, afirma Rodrigo Caggiano, fundador do RWA Monitor.

CVM 160 lidera volume

O principal motor financeiro do semestre veio das emissões realizadas sob a CVM 160. Segundo o levantamento, essa categoria movimentou R$ 3,10 bilhões em emissões no primeiro semestre de 2026, alta de 129,4% em relação ao mesmo período de 2025, quando o volume havia somado R$ 1,35 bilhão.

As captações sob esse regime também cresceram. O volume captado chegou a R$ 2,31 bilhões, avanço de 70,6% na comparação anual. Além disso, o número de projetos saltou de 6 para 26, indicando maior diversificação de operações e entrada de estruturas mais sofisticadas no mercado.

De acordo com dados do portal, esse avanço mostra que a tokenização deixou de ocupar apenas um espaço experimental e passou a se posicionar como infraestrutura complementar ao mercado de capitais. O crescimento da CVM 160 demonstra a entrada de operações de maior porte, com maior participação institucional e ativos mais robustos migrando para estruturas digitais.

Esse movimento aproxima o mercado de RWAs de um novo ciclo de desenvolvimento. A tecnologia blockchain passa a cumprir papel de infraestrutura de registro, distribuição e acompanhamento de ativos, enquanto a regulação oferece os contornos necessários para que operações de grande volume possam avançar com maior segurança jurídica", destaca o estudo.

O aumento no número de projetos sob CVM 160 também revela uma mudança importante na composição do setor. Em 2025, poucas operações concentravam grande parte do volume. Em 2026, o mercado ampliou a quantidade de projetos e fortaleceu a tese de que a tokenização pode atender diferentes classes de ativos, diferentes originadores e diferentes perfis de investidores.

Emissões privadas registram maior expansão

As emissões privadas apresentaram o maior crescimento percentual entre os segmentos analisados. O volume emitido saltou de R$ 205 milhões no primeiro semestre de 2025 para R$ 1,18 bilhão no mesmo período de 2026. A alta chegou a 476,4%.

O número de projetos também avançou de forma expressiva. As operações privadas passaram de 40 para 262 no intervalo de um ano, crescimento de 555%. O dado mostra forte capilaridade do mercado e revela que a tokenização passou a atender um conjunto mais amplo de empresas, parceiros e estruturas de captação.

As captações privadas subiram de R$ 118,7 milhões para R$ 173,2 milhões, alta de 45,8%. Embora o avanço das captações tenha sido inferior ao crescimento do volume emitido, o salto na quantidade de projetos indica expansão da base operacional e aumento do interesse de emissores em testar modelos digitais de financiamento, distribuição e relacionamento com investidores.

Esse comportamento mostra que as emissões privadas ganharam força como laboratório de inovação e como ambiente de estruturação de novos produtos. A categoria reúne operações com maior flexibilidade, maior velocidade de execução e potencial de adaptação a diferentes demandas do mercado.

Segundo a leitura do RWA Monitor, esse avanço reforça a diversificação do ecossistema. A tokenização não cresce apenas em grandes ofertas institucionais, mas também em estruturas privadas que permitem a criação de modelos comerciais mais ágeis, descentralizados e conectados a comunidades específicas de investidores e originadores.

CVM 88 reduz emissões, mas amplia captações em mais de 300%

O comportamento das operações sob a CVM 88 trouxe um dos sinais mais relevantes do semestre. Embora o volume total de emissões tenha recuado 9,1%, de R$ 618,2 milhões para R$ 561,9 milhões, as captações cresceram 308,5%, saltando de R$ 127,2 milhões para R$ 519,9 milhões.

Esse resultado sugere que o setor reduziu a pulverização de ofertas e concentrou esforços em operações com maior aderência ao investidor. Em outras palavras, a CVM 88 passou por um processo de amadurecimento: menos projetos chegaram ao mercado, mas os projetos lançados apresentaram desempenho comercial mais consistente.

A evolução mensal reforça essa leitura. Janeiro registrou o maior volume de emissões do semestre, com R$ 165 milhões. Fevereiro desacelerou para R$ 94 milhões, enquanto março voltou a mostrar força e superou R$ 115,4 milhões. No segundo trimestre, o mercado apresentou acomodação, com R$ 63,9 milhões em abril, R$ 72,4 milhões em maio e R$ 50,9 milhões em junho.

Para o RWA Monitor, essa curva mostra que o mercado iniciou o ano com ofertas mais agressivas e, depois, passou a absorver o volume lançado. A consequência apareceu nas captações: as plataformas focaram mais em conversão, distribuição e relacionamento com investidores, em vez de apenas ampliar o volume de tokens emitidos.

“O dado mais importante da CVM 88 não está apenas na emissão, mas na conversão. Quando as captações crescem mais de 300%, mesmo com menos projetos e menor volume emitido, o mercado mostra que aprendeu a estruturar ofertas com mais qualidade, mais aderência comercial e mais confiança para o investidor. Esse é um sinal claro de maturidade”, afirma Caggiano.

Perspectivas para o segundo semestre

“Para o segundo semestre, o mercado tende a aprofundar a seleção de operações, com maior peso para projetos bem estruturados, lastros claros, distribuição eficiente e aderência regulatória. A tendência também aponta para maior participação institucional, especialmente em ofertas enquadradas na CVM 160. Ao mesmo tempo, as emissões privadas devem continuar funcionando como vetor de expansão e diversificação. O forte aumento no número de projetos mostra que empresas de diferentes portes passaram a enxergar a tokenização como alternativa de captação e estruturação financeira”, aponta Caggiano

Para ele, a CVM 88 deve seguir como um termômetro importante da eficiência comercial do setor. Depois de um semestre marcado por alta conversão, o desempenho das plataformas nessa categoria poderá indicar se o mercado manterá o ritmo de captação e se os investidores continuarão ampliando sua exposição a ativos digitais regulados.


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