
Visa vai demitir 7% de todos seus funcionários para investir em stablecoins
Empresa concentrará cortes nas equipes de tecnologia e produtos enquanto amplia investimentos em IA, pagamentos internacionais e stablecoins.

A Visa vai demitir aproximadamente 2,6 mil funcionários, número equivalente a cerca de 7% de seu quadro global. Os cortes atingirão principalmente as equipes de tecnologia e desenvolvimento de produtos.
Um porta-voz da empresa confirmou as demissões nesta terça-feira, 28 de julho. A companhia pretende reduzir custos e direcionar recursos para áreas com maior potencial de crescimento, entre elas inteligência artificial, pagamentos internacionais, serviços empresariais e stablecoins.
O CEO da Visa, Ryan McInerney, comunicou a decisão aos funcionários por meio de um memorando. Segundo o executivo, a companhia precisa modificar sua estrutura operacional para acompanhar as transformações do setor de pagamentos.
“A IA também ajuda a acelerar essa evolução e a moldar a forma como o trabalho é realizado na Visa”, afirmou McInerney no documento.
De acordo com a Reuters, a Visa encerrou o ano fiscal de 2025 com aproximadamente 34,1 mil funcionários. O número representava um crescimento de 8% em relação ao ano anterior. A empresa ainda não detalhou quais países ou escritórios sofrerão os cortes. Também não informou o custo da reestruturação nem o prazo previsto para concluir todas as demissões.
Stablecoins entram na lista de prioridades da Visa
A Visa pretende reforçar investimentos em consumidores de alta renda, pagamentos internacionais, soluções para empresas, expansão geográfica e infraestrutura de stablecoins, segundo informações publicadas pela CNBC.
A movimentação ocorre enquanto stablecoins e sistemas de pagamentos conduzidos por agentes de IA começam a disputar espaço com as redes financeiras tradicionais. Para a Visa, essas tecnologias representam tanto uma ameaça competitiva quanto uma nova oportunidade de negócios.
Em abril, a companhia anunciou a inclusão de cinco novas blockchains em seu programa global de liquidação com stablecoins. Com a expansão, o projeto passou a oferecer suporte para nove redes: Ethereum, Solana, Avalanche, Stellar, Arc, Base, Canton, Polygon e Tempo.
O programa atingiu uma taxa anualizada de US$ 7 bilhões em liquidações com stablecoins, com crescimento trimestral de 50%, segundo dados divulgados pela própria Visa.
A empresa permite que bancos emissores e credenciadores liquidem obrigações por meio de ativos digitais, sem alterar a experiência dos consumidores que utilizam os cartões. A infraestrutura também possibilita operações durante sete dias por semana.
Além disso, a Visa informou em junho que mantém mais de 160 programas de cartões vinculados a stablecoins, entre projetos ativos e iniciativas em desenvolvimento. A companhia também trabalha em sistemas de depósitos tokenizados e pagamentos iniciados automaticamente por agentes de IA.
A estratégia busca conectar a rede tradicional da Visa à infraestrutura blockchain. Em vez de competir exclusivamente contra stablecoins, a empresa pretende atuar como uma camada de interoperabilidade entre bancos, fintechs, blockchains e emissores de ativos digitais.
As demissões foram anunciadas poucas horas antes da divulgação dos resultados do terceiro trimestre fiscal da companhia. As ações da Visa chegaram a subir cerca de 1% nas primeiras negociações desta terça-feira, elevando seu valor de mercado para pouco mais de US$ 683 bilhões.
Mesmo após os cortes, McInerney afirmou que a empresa entra em uma nova fase do comércio com impulso operacional. Agora, a Visa aposta que uma estrutura menor, combinada com IA e pagamentos programáveis, permitirá disputar as próximas fontes de crescimento do mercado financeiro
IA acelera mudanças, mas não explica sozinha os cortes
Além disso, a inteligência artificial ajudou a Visa a reduzir tarefas repetitivas e acelerar o desenvolvimento de produtos. No entanto, pessoas familiarizadas com a decisão afirmaram que a tecnologia não representou o único motivo para as demissões.
McInerney afirmou que a Visa precisa continuar mudando sua forma de operar para aproveitar novas oportunidades e acompanhar as transformações no comércio. Ao mesmo tempo, a empresa busca aumentar a eficiência para reinvestir em iniciativas com maior expectativa de retorno.
A decisão acompanha uma onda de cortes entre empresas de pagamentos e tecnologia financeira. A Mastercard anunciou, no início de 2026, a demissão de 4% de seus funcionários globais para redirecionar investimentos.
A Block, empresa fundada por Jack Dorsey, também informou em fevereiro que eliminaria cerca de 4 mil vagas. O número corresponde a quase metade de sua força de trabalho.
No caso da Visa, os cortes ocorrem em um momento de crescimento das receitas. No segundo trimestre fiscal de 2026, a empresa registrou receita líquida de US$ 11,2 bilhões, alta de 17% na comparação anual.
O lucro líquido chegou a US$ 6 bilhões, com crescimento anual de 32%. Já o volume de pagamentos avançou 9%, enquanto as transações internacionais, excluindo operações realizadas dentro da Europa, cresceram 11%.
Apesar do desempenho, as despesas operacionais ajustadas aumentaram 17%, principalmente devido aos gastos com pessoal e marketing. Esse avanço ajuda a explicar a busca da administração por uma estrutura mais enxuta.
Analistas da Evercore ISI não consideraram os cortes um evento relevante para a tese de investimento da companhia. Na avaliação da instituição, a Visa está ajustando custos e transferindo recursos para negócios com maiores possibilidades de crescimento e retorno.

