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Walter Barros
Escrito por Walter Barros,Redator
Lucas Caram
Revisado por Lucas Caram,Editor da Equipe

‘Criptomoedas no dia a dia’ fomentam adoção de bancos na América Latina, diz análise

Proteção contra inflação e outras soluções cotidianas forçam bancos a trocarem rivalidade pela adoção de criptomoedas na região.

‘Criptomoedas no dia a dia’ fomentam adoção de bancos na América Latina, diz análise
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Resumo da notícia:

  • Soluções cotidianas oferecidas pelas criptomoedas às pessoas fizeram bancos “mudarem de ideia”, trocando a rivalidade pela adoção na América Latina.

  • Região registrou crescimento de 800% no fluxo de criptomoedas entre 2021 e 2024.

  • Stablecoins, ferramentas “cripto cotidiano”, representavam 90% das participações regionais em julho de 2025.

  • Brasil representa quase um terço (em 2024, cerca de US$ 318,8 bilhões) do volume total de criptomoedas da América Latina.

As soluções capilares oferecidas pelas criptomoedas no cotidiano das pessoas na América Latina fez as instituições bancárias trocarem a rivalidade pela adoção.

Bancos e criptomoedas costumavam se ver como rivais, mas essa relação mudou fundamentalmente. O que antes era competição está se transformando em parceria estratégica, já que as maiores instituições financeiras da América Latina, incluindo BCP Peru, Banco Santander (Brasil) S.A., Tower Bank, BCP Bolívia, Caja de Valores e B3, estão cada vez mais integrando ativos digitais em suas ofertas do dia a dia. Muitos já enxergam uma nova era de convergência entre bancos e cripto, com potencial de crescimento significativo na região.

A diferença entre essa adesão e ciclos tecnológicos anteriores se deve ao fato de que a mudança de postura das instituições financeiras tradicionais em relação à indústria cripto está sendo impulsionada de baixo para cima. Nesse caso, a força por trás desse movimento não é a estratégia macro, mas a “cripto do dia a dia” – o uso de ativos digitais para resolver problemas reais, como proteção contra a inflação e remessas internacionais.

Números

Dados recentes do mercado apontam para um crescimento explosivo na adoção de criptomoedas na América Latina, onde o fluxo de criptomoedas aumentou 800% entre 2021 e 2024. Enquanto isso, as stablecoins, ferramentas “cripto cotidiano”, representavam 90% das participações regionais em julho de 2025, um aumento substancial em relação aos 60% em 2022.

O Brasil representa quase um terço (em 2024, cerca de US$ 318,8 bilhões) do volume total de criptomoedas da América Latina, com o Banco Central reportando que mais de 90% desses fluxos locais estão relacionados a stablecoins.

Como resposta, algumas instituições estão migrando de um sistema financeiro baseado em mensagens (SWIFT) para um sistema baseado em ativos (stablecoins), permitindo liquidação atômica, na qual o pagamento e sua confirmação final ocorrem simultaneamente.

Nos últimos trimestres, vimos os bancos deixarem de ver a cripto como ameaça e passarem a reconhecê-la como uma atualização essencial de sua infraestrutura principal, comentou o diretor executivo e head da América Latina da BitGo, Luis Ayala.

O executivo custodiante entende que os usuários mostraram às instituições que as criptomoedas são uma solução adaptável e que reduz custos. O que também aumenta a demanda de empresas de infraestrutura blockchain para fornecimento de uma base regulada que permita a fusão entre os dois mundos, das criptomoedas e das finanças tradicionais.

Três pilares

Para ele, três pilares que continuarão impulsionando esse crescimento regional de baixo para cima: apoio institucional, segurança aprimorada e operações unificadas. O que serve de catalisador para provedores adequados às diretrizes dos reguladores, que podem ajudar a estabelecer padrões de conformidade, governança e gestão de riscos. Para a empresa, essa infraestrutura sob o guarda-chuva da conformidade permite que bancos e órgãos reguladores regionais desenvolvam uma estrutura de confiança para facilitar a adoção local.

Os bancos não precisam mais lidar sozinhos com ativos digitais, provedores confiáveis construíram infraestrutura para suportar transações com segurança de nível institucional, permitindo experiências seguras e integradas para bancos e clientes, sem atritos adicionais, argumentou.

Os provedores de infraestrutura em blockchain também podem eliminar silos operacionais ao integrar ativos digitais diretamente aos sistemas bancários existentes por meio de APIs. O que elimina a necessidade de soluções improvisadas sobre sistemas legados.

O insight finalizou dizendo que “ainda veremos mais operadores tradicionais, sendo ou não fintechs, trazendo cripto para suas operações de back-end e ofertas de front-end, reforçando essa nova era de parceria entre fintechs e bancos tradicionais”. Já o head da América Latina salientou que “o objetivo agora não é apenas ajudar bancos a adquirir cripto, é fornecer a infraestrutura para a próxima geração de produtos financeiros – desde contas com rendimento em stablecoins até folhas de pagamento internacionais instantâneas – dentro de um ambiente regulado em que possam confiar”.

Nos Estados Unidos, a senadora Kirsten Gillibrand afirmou que os parlamentares trabalham para aprovar até agosto o CLARITY Act, marco regulatório do mercado de criptomoedas no país, conforme noticiou o Cointelegraph.

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