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Walter Barros
Escrito por Walter Barros,Redator
Lucas Caram
Revisado por Lucas Caram,Editor da Equipe

Procurador Bitcoiner nos EUA pode inaugurar nova fase regulatória no Brasil, avalia especialista

Investidor em moedas digitais, Todd Blanche é o novo substituto indicado por Trump, que demitiu Pam Bondi na última semana; decisão pode destravar mercado global e chegar ao Brasil.

Procurador Bitcoiner nos EUA pode inaugurar nova fase regulatória no Brasil, avalia especialista
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Resumo da notícia:

  • Todd Blanche pode se catalisador de nova fase regulatória para o mercado de criptomoedas, nos EUA e em outros países.

  • Procurador Bitcoiner liderou o encerramento do National Cryptocurrency Enforcement Team (NCET).

  • EUA passam por uma mudança estrutural na forma como o governo estadunidense enxerga o mercado de ativos digitais.

A nomeação de Todd Blanche para procurador-geral interino dos Estados Unidos pode representar uma nova fase da agenda regulatória do mercado de criptomoedas da maior economia global, com efeito em outros países, entre eles o Brasil.

De acordo com análise divulgada esta semana pelo especialista em criptomoedas Carlos Akira Sato, a escolha de “procurador Bitcoiner” pelo presidente Donald Trump, após a demissão de Pam Bondi, pode trazer uma direção que já vinha sendo construída no estratégico Departamento de Justiça do país.

Segundo o especialista em Legal & Compliance em Mercados Regulados e Tokenização de Ativos, embora a substituição pareça temporária, existem implicações na promoção de Blanche, que era o adjunto da procuradoria: uma delas foi seu protagonismo em reformas pró-indústria.

Além disso, é um investidor e entusiasta de criptomoedas, frisou Sato.

O vice-presidente da Associação Brasileira do Ecossistema de Pagamentos (PAGOS) lembrou que, em abril de 2025, quando ocupava o cargo de Deputy Attorney General, Blanche liderou o encerramento do National Cryptocurrency Enforcement Team (NCET), que foi uma unidade especializada do Departamento de Justiça dos EUA (DOJ), criada em 2022 durante o governo Biden, focada em investigar e processar o uso criminoso de ativos digitais, incluindo lavagem de dinheiro e crimes cibernéticos.

À época, o movimento foi interpretado como uma decisão pontual. Hoje, à luz de sua ascensão ao comando interino do Departamento de Justiça, fica evidente que se tratava de algo maior: o início de uma mudança estrutural na forma como o governo americano enxerga o mercado de ativos digitais, explicou o especialista em mercado de capitais e criptoativos.

Carlos Akira Sato acredita que os Estados Unidos começaram a abandonar o uso do enforcement penal como mecanismo substituto de regulação, dando lugar a uma abordagem mais madura, que distingue com clareza o que é inovação financeira e o que é efetivamente conduta criminosa.

Fraude, lavagem de dinheiro e financiamento ilícito seguem como prioridades inequívocas. Mas a simples operação de infraestruturas cripto, por si só, deixa de ser tratada como um vetor de risco penal”, acrescentou o especialista.

Na avaliação de Sato, essa distinção tem efeitos profundos e o ambiente americano tende a se tornar novamente atrativo para o mercado, em algumas estratégias:

  • Capital institucional;

  • Operações de M&A em infraestrutura digital;

  • Desenvolvimento de plataformas de tokenização de ativos reais;

  • Integração entre sistemas financeiros tradicionais e redes baseadas em blockchain.

A mudança de comando no Departamento de Justiça dos EUA, segundo ele, não deve implicar ausência de regulação, mas sim sua realocação para os fóruns adequados, como agências administrativas e processo legislativo.

Uma guinada pró-cripto no topo do sistema de Justiça dos EUA não só destrava investimentos globais, como força países como o Brasil a acelerarem marcos regulatórios para não ficarem à margem da nova economia digital, projetou o especialista.

Sato observou ainda que os EUA estão pavimentando o caminho para um modelo mais competitivo para o mercado de criptomoedas no país, no qual a inovação pode se desenvolver com maior flexibilidade, sem perder de vista a integridade do sistema. Em contraste com abordagens mais prescritivas em outras jurisdições, como o avanço do MiCA (Markets in Crypto-Assets), que é o marco regulatório das criptomoedas na região da União Europeia (UE), sob a coordenação da European Commission.

A continuidade entre a decisão de encerrar o NCET e a atual liderança interina do Departamento de Justiça sugere que não estamos diante de um ajuste conjuntural, mas de uma diretriz de política pública, que reposiciona os Estados Unidos não apenas como regulador, mas como arquiteto de um novo ciclo de infraestrutura financeira global, concluiu.

Pelo prisma do avanço tecnológico, especialistas preveem que o avanço da criptoeconomia inclui IA pagando IA com criptomoedas, conforme noticiou o Cointelegraph Brasil.

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