Resumo da notícia:
Fintech brasileira acelera adoção da blockchain de olho na tokenização de crédito internacional.
Corporação destaca parceria com Helix, de Singapura, para estruturar operações de crédito privado voltadas a investidores institucionais estrangeiros.
Plataforma reporta R$ 3 bilhões em operações estruturadas de crédito privado em 2025.
A AmFi anunciou esta semana que pretende acelerar a integração com a blockchain de sua plataforma, voltada ao acesso de crédito privado. O objetivo da fintech brasileira é ampliar o acesso ao crédito internacional tokenizado.
Segundo a empresa, a meta para 2027 é alcançar até US$ 1 bilhão em emissões de tokens de crédito privado, através da migração gradual do portfólio institucional da AmFi para a infraestrutura da blockchain Layer-1 Rayls, na esteira de uma parceria anunciada recentemente.
A Rays tem caráter técnico e institucional, voltada à interoperabilidade, rastreabilidade e adoção de boas práticas internacionais, sem impacto direto sobre a estratégia comercial da companhia no Brasil, acrescentou a AmFi, em nota.
Entre as iniciativas internacionais, a fintech informou que firmou parceria com a Helix, plataforma baseada em Singapura e ligada ao grupo Helicap, para estruturar operações de crédito privado voltadas a investidores institucionais estrangeiros. O projeto conecta capital asiático ao mercado brasileiro por meio de estruturas lastreadas em recebíveis corporativos, com denominação em dólar americano e respeitando os marcos regulatórios de cada jurisdição, de acordo com a AmFi.
Números
A plataforma reportou que encerrou 2025 com mais de R$ 3 bilhões em volume de operações estruturadas de crédito privado, o que representou um crescimento de 700% no comparativo com o ano anterior.
A empresa salientou que concentrou sua estratégia nos originadores e investidores de crédito privado, priorizando a construção de processos, controles e governança compatíveis com operações complexas de crédito, desde a sua fundação, em 2023. Cerca de dois anos depois, a plataforma relatou que estruturou mais de 500 operações, reuniu cerca de 2 mil investidores, sendo uma dezena de institucionais e se integrou com mais de 100 originadores, entre eles algumas das principais securitizadoras, fintechs, fundos de crédito privado e gestoras do país, atuando com instrumentos tradicionais do mercado de capitais e pitadas de novo modelo tecnológico viabilizado por blockchain.
Essas estruturas continuam sendo complexas e reguladas. Nosso papel é organizar e padronizar processos, dados e fluxos de forma consistente, garantindo rigor técnico, governança e previsibilidade em tempo real, explicou o cofundador da companhia João Pirola.
O executivo acrescentou que, ao longo de 2025, as operações estruturadas na plataforma da AmFi se concentraram em instrumentos tradicionais do mercado de capitais, como debêntures financeiras e CRs (certificados de recebíveis), e operações lastreadas em recebíveis comerciais e financeiros.
Os ativos seguem modelos jurídicos e regulatórios já consolidados, com a tokenização atuando como camada tecnológica para registro, rastreabilidade e automação, sem alterar a natureza econômica das operações, completou a empresa.
Apesar dos avanços, o especialista Carlos Akira Sato acredita que a blockchain como coadjuvante pode deixar o país para trás no marco regulatório de tokenização imobiliária, conforme noticiou o Cointelegraph Brasil.

