Resumo da notícia:
Regulamentação das empresas cripto deve provocar consolidação das fintechs do setor no Brasil.
Número de fintechs cripto no Brasil deve recuar de 2 mil para 600 até 2028.
Tokenização deve ganhar musculatura com regulamentação no Brasil.
O pacote de regras do Banco Central (BC) para empresas e sociedades que operam criptomoedas deve representar um achatamento de aproximadamente 1.400 fintechs desse setor no Brasil até 2028.
Segundo avaliação recente de Carlos Akira Sato, especialista em Legal & Compliance em Mercados Regulados e Tokenização de Ativos, o país possui mais de 2 mil fintechs de criptomoedas ativas, número que representa um crescimento em 77% desde 2020, conforme dados da A&S Partners.
Sato destacou que as fintechs de criptomoedas da indústria nacional, cuja expansão aconteceu na esteira de uma legislação pouco rígida nos últimos anos, devem fazer o caminho inverso, recuando a cerca de 600 empresas por causa do movimento regulatório do BC. Para o especialista, fintechs que não conseguirem equilibrar crescimento com governança e compliance tendem a perder espaço ou desaparecer por causa de uma mudança estrutural na indústria cripto brasileira.
O mercado de pagamentos encerrou 2025 com o fim da era do crescimento a qualquer custo, afirmou.
Carlos Akira Sato citou as resoluções recentes do BC que elevaram as exigências de capital mínimo e patrimônio líquido para as entidades supervisionadas, que, para ele, enviaram um recado claro: a solvência é a prioridade. Para o executivo C-Level, “o desafio deixou de ser apenas a aquisição de clientes e passou a ser a eficiência na alocação de capital. O custo da conformidade subiu, e a gestão financeira precisa ser cirúrgica”.
No meu entendimento, esse movimento prejudica a inovação, mas garante que as instituições que sustentam o Pix e o Open Finance tenham musculatura para suportar crises sistêmicas, avaliou.
Institucionalização da tokenização
O ambiente mais restritivo imposto pelas normas infralegais editadas pela autoridade reguladora nacional, por outro lado, pode pavimentar o caminho para a tokenização da economia, que, para o executivo, surge como uma alternativa estratégica para destravar valor e ampliar o acesso ao mercado.
Estamos entrando em uma nova fase: a institucionalização da tokenização, destacou Akira, ao apontar que a tecnologia permite transformar ativos em representações digitais negociáveis, com potencial de aumentar liquidez e eficiência.
Na avaliação do especialista, a tokenização pode funcionar como ponte entre inovação e exigências regulatórias, ao criar estruturas mais transparentes e rastreáveis.
Isso tende a facilitar tanto a atuação das fintechs quanto a supervisão por parte dos órgãos reguladores, acrescentou.
Para ele, com menos players e um ambiente mais sofisticado, o setor financeiro caminha para uma nova configuração, em que sobreviverão as empresas capazes de combinar solidez, tecnologia e inovação.
Nesse contexto, a tokenização desponta não apenas como tendência, mas como um dos principais vetores para a próxima fase das fintechs no Brasil, concluiu.
Na esteira do avanço desse segmento cripto, a netspaces anunciou a venda de três imóveis tokenizados em um empreendimento de São Paulo, conforme noticiou o Cointelegraph Brasil.

