Resumo da notícia:
Brasil deve ganhar plataforma alimentada por IA e blockchain, a partir de sensores nas fábricas.
Ideia é rastrear eficiência energética e emissão de carbono através de um sistema de Mensuração, Relato e Verificação (DMRV).
Plataforma será desenvolvida com metodologias alinhadas a padrões internacionais, como o Protocolo GHG e a norma ISO 14064.
O governo brasileiro lançou no final de março uma iniciativa que prevê a utilização de blockchain e inteligência artificial (IA) em associação a sensores instalados nas fábricas para alimentarem uma plataforma de monitoramento energético e de emissão de carbono.
A plataforma será viabilizada através de um convênio firmado no último dia 23 entre o Centro de Tecnologias Estratégicas do Nordeste (CETENE), unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), e a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), em Recife (PE).
Segundo o governo, a iniciativa representa um passo estratégico para a modernização da gestão energética e ambiental do setor, integrando tecnologias de ponta para gerar transparência, rastreabilidade e segurança em um mercado em crescente exigência por sustentabilidade.
A iniciativa prevê a criação de um sistema de Mensuração, Relato e Verificação (DMRV), capaz de integrar dados de sensores instalados no chão de fábrica a tecnologias como IA e blockchain. O objetivo é garantir a imutabilidade e a confiabilidade das informações, permitindo que empresas comprovem ganhos de eficiência energética e convertem esses resultados em créditos de carbono auditáveis. A plataforma será desenvolvida com metodologias alinhadas a padrões internacionais, como o Protocolo GHG e a norma ISO 14064, assegurando a validade e a competitividade dos ativos ambientais gerados, de acordo com o governo.
Realizada na sede do CETENE, a cerimônia de lançamento contou com a participação de autoridades, pesquisadores e representantes do setor produtivo. A mesa de abertura foi composta pelo diretor do CETENE, Marcelo Carneiro Leão; pelo presidente da ABDI, Ricardo Cappelli; pelo vice-reitor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Moacyr Araújo; pelo deputado federal Pedro Campos; pela secretária-executiva da Fundação de Apoio ao Desenvolvimento da Universidade Federal Rural de Pernambuco (FADURPE), Ellen Karine Diniz Viegas; pela secretária de Ciência, Tecnologia e Inovação de Pernambuco em exercício, Teresa Maciel; e pelo secretário de Transformação Digital, Ciência e Tecnologia do Recife, Rafael Cunha, que representou o prefeito João Campos.
Em seu discurso, o diretor do CETENE, Marcelo Brito Carneiro Leão, destacou o papel estratégico da ciência aplicada e a visão do centro em transformar conhecimento em desenvolvimento econômico e social.
O que a gente chama de do paper ao PIB, mas com propósito de prosperidade compartilhada. Não adianta transformar ciência para atender apenas uma parte da população. Precisamos que ela beneficie a maioria, afirmou.
O presidente da ABDI, Ricardo Cappelli, ressaltou a importância da eficiência energética para o setor produtivo e os desafios da indústria nacional.
Fazer indústria no Brasil não é brincadeira. Ela é intensiva de capital e depende de um ambiente de inovação. Este convênio é fundamental para viabilizar a redução de custos e o aumento da competitividade por meio da eficiência energética, um dos pilares para um país desenvolvido, pontuou.
Já o deputado federal Pedro Campos, articulador da iniciativa, enfatizou o alinhamento com a agenda climática e o papel da inovação na construção de um país mais justo.
A energia que não consumimos é a mais limpa. Esse projeto une inovação, retorno econômico e compromisso com a descarbonização, declarou.
O tecnologista do CETENE e coordenador do projeto, Felipe Arruda, explicou que a plataforma foi pensada para ampliar o acesso da indústria a soluções tecnológicas, diminuindo barreiras metodológicas e de investimento.
É uma iniciativa com DNA nordestino, mas com potencial de escala nacional, que reduz barreiras e acelera o retorno de investimentos em eficiência energética, acrescentou.
Por sua vez, a gerente da unidade de difusão de tecnologias da ABDI, Isabela Gaia, detalhou o modelo de execução, que prevê um edital público para a validação da solução em ambientes industriais reais.
Após o desenvolvimento da plataforma, lançaremos um edital com R$ 700 mil para selecionar indústrias âncoras e suas cadeias de fornecimento. O recurso será usado para custear as adequações tecnológicas necessárias, permitindo que testamos a solução em operação real, detalhou.
Em outra iniciativa envolvendo a tecnologia que suporta asa criptomoedas, o RWA Monitor lançou um ‘pré-tokenizador’ gratuito de acesso ao mercado de capitais, conforme noticiou o Cointelegraph Brasil.

