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Walter Barros
Escrito por Walter Barros,Redator
Lucas Caram
Revisado por Lucas Caram,Editor da Equipe

Brasil avança sobre stablecoins com valorização do real frente ao dólar

Adoção de stablecoins no país cresce entre empresas e pessoas físicas que aproveitam o câmbio mais favorável para transações internacionais, hedge e dolarização patrimonial.

Brasil avança sobre stablecoins com valorização do real frente ao dólar
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Resumo da notícia:

  • Investidores veem stablecoins como janela de oportunidade com a desvalorização do dólar frente ao real.

  • USDT supera o Bitcoin no país.

  • Conexão com o Pix e redução de custos de transação também favorecem stablecoins no Brasil.

A desvalorização do dólar americano frente ao real se refletiu em novas entradas de investidores brasileiros através de stablecoins lastreadas na moeda estadunidense, segundo dados recentes divulgados por empresas de criptomoedas.

Em abril, o dólar atingiu a menor cotação frente ao real dos últimos dois anos, o que abriu uma janela de entrada para exposição à moeda estadunidense. Em 2025, o mercado de criptomoedas brasileiro movimentou mais de R$ 500 bilhões, sendo o Tether (USDT), principal stablecoin do dólar em capitalização de mercado, responsável por cerca de 65% de todo o volume no país, superando o Bitcoin (BTC) como o ativo principal em liquidez e proteção. O USDT representou R$ 326,89 bilhões em transações, cerca de 65% do total declarado. Junto com o USD Coin (USDC), segunda maior stablecoin do dólar em capitalização de mercado, as altcoins pareadas ao dólar respondem por 71,2% do volume financeiro no país.

De acordo com as plataformas, o fortalecimento do real frente ao dólar abriu uma nova janela para empresas e pessoas físicas acessarem a moeda estadunidense, através de transações internacionais, proteção cambial e dolarização patrimonial.

A Corpx Bank está entre as instituições de pagamento empresarial que relataram aumento na procura de stablecoins, tanto no segmento corporativo quanto no varejo. Segundo a CEO da plataforma, Amanda Prado, as empresas aproveitam a retração para antecipar pagamentos ao exterior, formarem caixa em dólar e na proteção de margens. Na mesma direção, o analista de criptomoedas da Levante Investimentos, Felipe Martorano, acredita que a demanda por dólar se mantém estrutural, mesmo em momentos de valorização do real. Segundo ele, o cenário atual se apresenta como uma janela de oportunidade para dolarização e não um sinal de enfraquecimento dessa demanda.

Martorano acrescenta que a utilização de stablecoins pode representar uma redução de até 15% nos custos de operações internacionais, o justifica o avanço desse caso de uso, não ligado à proteção patrimonial. De olho na redução de custo de operação, a Corpx aposta na integração com o Pix para alcançar R$ 15 bilhões em transações mensais até 2029.

Gatilho para adoção de stablecoins, o modelo convencional Swift, responsável pelo trânsito de dinheiro entre fronteiras, é considerado caro, lento e pouco efetivo. O principal problema são as tarifas intermediárias, especialmente entre instituições financeiras distintas. É comum que o custo dessa transação seja de até 5% sobre a remessa, acrescido também de spread e outras cobranças adicionais. Ou seja, US$ 50 em um valor de US$ 1.000.

Crescimento de 72%

O volume global de transações com stablecoins atingiu US$ 33 trilhões no ano passado, representando um crescimento de 72% em relação ao período anterior, de acordo com dados da Artemis Analytics. Parte dessa expansão está relacionada à adoção do mercado global de pagamentos, tanto para empresas quanto para pessoas físicas.

Segundo um levantamento da empresa de inteligência de blockchain TRM Labs, o Brasil figura entre os cinco maiores mercados do mundo em adoção de stablecoins. Apenas Estados Unidos, Índia, Paquistão e Filipinas se posicionam à frente.

Fernando Carvalho, diretor de Operações da fintech de criptomoedas brasileira OnilX, diz que “há um conjunto de fatores que posicionam o Brasil de forma estratégica neste cenário, sendo também uma figura de destaque no cenário das Américas”.

O Tether, por exemplo, é uma criptomoeda lastreada em dólar, sendo muito usada para pagamentos e investimentos graças a sua estabilidade, ressalta.

América Latina

Uma pesquisa recente da Fireblocks revelou que pagamentos transfronteiriços são o principal caso de uso de stablecoins na América Latina, citados por 71% das instituições regionais como aplicação prioritária — índice significativamente superior à média global de 49%. De acordo com a plataforma de infraestrutura em blockchain, a base de infraestrutura regional também é considerada cada vez mais sólida: 86% das empresas latino-americanas reportam parcerias estabelecidas para integração com stablecoins, e 71% declararam ter APIs e carteiras digitais prontas para operação.

Para Fernando Carvalho, “a adoção na região não é guiada por apetite especulativo, mas por uma necessidade econômica concreta: reduzir fricção, custo e tempo nas transferências internacionais. O ecossistema está maduro o suficiente para escalar.”

Enquanto isso, a B3 estuda usar stablecoins e tokenização no sistema da Duplicata Escritural do Banco Central, conforme noticiou o Cointelegraph Brasil.

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