
Blockchain do governo brasileiro entra em fase de descentralização e expansão nacional
Rede Blockchain Brasil inicia nova fase e aposta em modelo ‘anti-hype’ para acelerar adoção institucional

Nesta terça, 02, durante um painel realizado no Tokennation, a Rede Blockchain Brasil (RBB), iniciativa que reúne órgãos federais e estaduais, entidades de controle, universidades, centros de pesquisa e organizações do terceiro setor, anunciou uma nova fase de expansão nacional com diversas iniciativas.
O anuncio foi feito por Camila Rioja, do Plexos Institute e coordenadora de Ecossistema da RBB. De acordo com ela, o que muda agora é o nível de coordenação e visibilidade do ecossistema, sustentado por três pilares: descentralização das coordenações, definição de uma estratégia pública para os próximos meses e criação de novos canais de comunicação, incluindo o primeiro site oficial da rede, ainda em versão beta.
O primeiro eixo da nova fase é a descentralização das coordenações da rede. Historicamente, as atividades estavam concentradas no BNDES. Em 2026, o Comitê Executivo aprovou uma reestruturação que manteve o banco como coordenador-geral dos Comitês Executivo e Técnico, mas distribuiu outras responsabilidades entre diferentes instituições.

O CPQD assumiu a Coordenação de Evolução, enquanto o Plexos Institute passou a liderar a Coordenação de Ecossistema.
A frente conduzida pelo Plexos abrange comunicação, contribuições open source, participação em eventos e desenvolvimento de jornadas de inovação, com o objetivo de atrair novos membros e estimular a criação de casos de uso voltados ao interesse público.
Estratégia pública para o ecossistema
O segundo pilar dessa nova etapa é a definição de uma estratégia clara para o crescimento da rede. Após uma jornada de sensibilização e priorização realizada com os membros, o Plexos consolidou o documento “Estratégia do Ecossistema RBB 2026”, que estabelece o seguinte norte:
“Uma RBB publicamente visível e em produção, ancorada em casos de uso reais nas instituições brasileiras e sustentada por um modelo econômico claro", disse.
A estratégia está organizada em quatro pilares: Presença Institucional, Governança e Modelo GASonômico, Casos de Uso em Produção e Ativação da Coalizão.
Primeiro site dedicado e novos canais
A Rede Blockchain Brasil também passa a contar com presença ativa no LinkedIn e no Instagram, além de lançar, pela primeira vez, um site próprio, disponível em versão beta.
Os novos canais não substituem a transparência já existente por meio do GitHub. O objetivo é tornar mais acessível ao público uma documentação técnica tradicionalmente complexa.
Para apoiar essa comunicação, a rede adotou um Plano Executivo de Comunicação com posicionamento institucional e abordagem anti-hype, inspirado no white paper da RBB, iniciativa liderada pelo TCU.
A estratégia prioriza o LinkedIn como principal canal de relacionamento e evita o uso de linguagem associada à especulação típica do mercado cripto.
A mensagem que a RBB leva ao TokenNation é clara: apresentar uma infraestrutura pública em funcionamento, construída de forma colaborativa e voltada para aplicações concretas, reforçando o amadurecimento do ecossistema blockchain brasileiro.
O que é a Rede Blockchain Brasil
A Rede Blockchain Brasil é uma infraestrutura blockchain público-permissionada de abrangência nacional, mantida por meio de acordos de cooperação entre instituições públicas, universidades, centros de pesquisa, empresas públicas de tecnologia e parceiros estratégicos.
Entre os participantes estão BNDES, TCU, Serpro, Dataprev, RNP e CPQD. A missão da rede é acelerar a adoção da tecnologia blockchain no país por meio de uma infraestrutura compartilhada e de um modelo de governança voltado para aplicações de interesse público, promovendo transparência, rastreabilidade, auditabilidade e responsabilização institucional.
Camila Rioja resume a proposta da rede em três conceitos.
“Três verbos definem a rede: aberta para verificação, permissionada para responsabilidade e governada coletivamente. Qualquer um confere os dados; só quem é autorizado escreve; ninguém decide sozinho.”
Do ponto de vista tecnológico, a RBB opera sobre Hyperledger Besu com mecanismo de consenso QBFT. Em maio de 2026, o Comitê Executivo registrou o lançamento do Explorador de Blocos da Mainnet, desenvolvido e hospedado pelo Tribunal de Contas da União (TCU), permitindo que qualquer pessoa visualize e audite transações e contratos inteligentes da rede.
Segundo João Alexandre dos Santos Lopes, do BNDES, a arquitetura escolhida busca reduzir custos e barreiras de entrada.
“Optamos por uma arquitetura permissionada sobre Hyperledger Besu com consenso QBFT para viabilizar uma plataforma baseada em código aberto, sem grande demanda energética, sem remuneração aos produtores de blocos e compatível com EVM. Essas escolhas permitem auditabilidade, responsabilização e inovação, criando um ecossistema com participantes institucionais conhecidos.”
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