
UNICEF aposta em Ethereum, Bitcoin e blockchain para impactar 51 milhões de pessoas em 159 países
Organização da ONU utiliza fundos em criptomoedas, smart contracts e plataformas on-chain para financiar projetos sociais e startups em escala global.

Nesta terça, 02, durante o TokenNation, realizado em São Paulo, representantes do UNICEF revelaram que a entidade já mantém 23 projetos blockchain ativos em 159 países, incluiindo o Brasil, e alcançando cerca de 51 milhões de pessoas por meio de iniciativas ligadas à educação, inclusão, desenvolvimento social e inovação.
A apresentação ocorreu durante o lançamento de uma nova tese de investimento de impacto da organização, iniciativa que busca aproximar investidores, empresas, fundos e startups de uma estratégia que combina retorno social mensurável e uso de tecnologias emergentes.
Segundo o UNICEF, o objetivo não é apenas captar recursos para programas sociais, mas criar uma nova lógica de investimento que coloque crianças e adolescentes no centro da tomada de decisão econômica.
A proposta parte de uma pergunta simples, mas poderosa: como seriam as decisões de investimento se fossem analisadas pelos olhos de uma criança? A partir dessa reflexão, a organização desenvolveu um framework global voltado à redução de desigualdades e ao fortalecimento do desenvolvimento infantil.
O modelo já foi aplicado em fundos internacionais e inclui desde critérios de governança até metodologias para medir impactos sociais ao longo de toda a cadeia produtiva das empresas investidas.
Dentro dessa estratégia, a blockchain aparece como um instrumento capaz de aumentar a eficiência, a rastreabilidade e a transparência dos recursos.
Durante o evento, representantes do UNICEF destacaram que a organização já trabalha há anos com o ecossistema Web3 e mantém parcerias com importantes participantes do setor para desenvolver soluções voltadas ao impacto social.
Fundo em Bitcoin e Ethereum financia startups de impacto
Uma das iniciativas apresentadas foi o Crypto Fund do UNICEF, fundo global criado a partir de doações realizadas em criptomoedas. Segundo a organização, a Ethereum Foundation contribuiu com 1.722 ETH e 8 BTC para a formação da reserva inicial, utilizada para financiar startups que desenvolvem soluções tecnológicas voltadas para desafios sociais.
Os recursos são direcionados para empresas selecionadas pelo programa global de inovação do UNICEF. Para participar, as startups precisam atender a critérios específicos, incluindo o uso de blockchain, desenvolvimento de software open source e liderança feminina. O objetivo é apoiar projetos que possam gerar impacto em larga escala e, ao mesmo tempo, contribuir para a construção de tecnologias abertas e acessíveis.
A entidade também destacou que a transparência proporcionada pela blockchain permite acompanhar o fluxo dos recursos com um nível de visibilidade difícil de alcançar em modelos tradicionais de financiamento. Esse aspecto ganha relevância especialmente em um momento em que investidores institucionais e organizações internacionais buscam mecanismos mais eficientes de prestação de contas e monitoramento de resultados.
Smart contracts e doações on-chain ampliam alcance social
Outro destaque foi a apresentação do Drips Network, plataforma que permite a realização de doações recorrentes em criptomoedas por meio de smart contracts. Nesse modelo, investidores podem direcionar recursos para projetos previamente selecionados pelo UNICEF, enquanto a distribuição dos valores ocorre automaticamente pela infraestrutura blockchain.
A organização também apresentou a Juniper, plataforma que permite acompanhar em tempo real o destino dos recursos doados. Como todas as transações ficam registradas em blockchain, qualquer pessoa pode verificar os repasses, os beneficiários e a utilização dos fundos, criando uma camada adicional de confiança para doadores e instituições parceiras.
Parceria com a Lido
Além disso, o UNICEF revelou uma parceria com o protocolo Lido que explora um modelo inovador de financiamento baseado em staking. Em vez de doar o capital principal, empresas e investidores podem depositar recursos em pools de liquidez e direcionar apenas os rendimentos gerados para iniciativas sociais. Dessa forma, o patrimônio permanece sob posse do doador enquanto os ganhos produzidos pelo protocolo financiam projetos da organização.
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