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Cassio Gusson
Escrito por Cassio Gusson,Redator
Lucas Caram
Revisado por Lucas Caram,Editor da Equipe

Mercado de R$ 10 trilhões: B3 estuda usar stablecoins e tokenização no sistema da Duplica Escritural do Banco Central do Brasil

Nova infraestrutura da B3 para duplicatas escriturais avança após testes do Banco Central e pode destravar até R$ 10 trilhões em liquidez, abrindo espaço para tokenização e uso futuro de stablecoins no merca

Mercado de R$ 10 trilhões: B3 estuda usar stablecoins e tokenização no sistema da Duplica Escritural do Banco Central do Brasil
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A B3, a bolsa de valores do Brasil, anunciou que concluiu com êxito a fase de testes integrados do sistema de duplicata escritural, de acordo com o cronograma estabelecido pelo Banco Central, e está pronta para iniciar a fase de produção assistida.

Além disso, a B3 informou ao Cointelegraph Brasil que este é um dos ativos que estão sendo considerados pela Nova Tokenizadora da B3 e que também é um caso de uso possível do Stablecoin.

No entanto, nesse momento, o foco está em ajudar ao mercado a se adaptar essa nova regulação”, afirmou a B3

De acordo com dados do Banco Central, a estimativa é que este novo mercado pode liberar até R$ 10 trilhões por ano em liquidez para o mercado, favorecendo desde grandes investidores e produtores, até pequenos produtores, comerciantes, entre outros.

Historicamente, a duplicata era um documento físico, emitido junto com a nota fiscal, que exigia assinatura do sacado, a chamada duplicata cartular. No entanto, com a digitalização da economia, esse modelo perdeu espaço. Hoje, a duplicata pode ser representada pela própria Nota Fiscal ou pelo Boleto Bancário.

No entanto, não havia um sistema para garantir que o cliente (o tomador de empréstimo) não havia emitido uma duplicata como garantia em diferentes instituições, ou seja, ele tinha um pagamento para receber de R$ 100 mil, ele poderia pegar esse pagamento, emitir uma duplicata para antecipar esse recebimento e ‘vender’ essa duplicata no banco X e depois no banco Y, pegando, em tese, dois empréstimos usando a mesma garantia.

Agora com a Duplicata Escritural isso não será mais possível e, portanto, diminui o custo de risco para que cede o empréstimo e cria um mercado único que favorece tanto quem precisa antecipar os recebíveis como para quem cede o valor.

Testes da B3

No caso da B3, a bolsa, após a aprovação nos testes individuais, realizou testes integrados com as demais escrituradoras e registradoras participantes do 1º ciclo incluindo testes de resiliência, segurança, performance e de funcionalidades que circulam na interoperabilidade.

O objetivo era comprovar a eficiência da estrutura desenvolvida pela B3 e as outras casas para o compartilhamento de informações, além de garantir a unicidade e circulação do ativo dentro do ecossistema gerando rastreabilidade, transparência e segurança nas operações.

Como próximos passos, após a validação do auditor independente, a B3 receberá a autorização do Banco Central para atuar como entidade escrituradora de duplicatas. Em seguida terá início a fase de operação assistida e as empresas já poderão negociar as duplicatas na modalidade escritural.

“O segmento de duplicatas movimenta mais de R$ 10 trilhões por ano no Brasil, mas apenas 15% desses títulos são negociados. Esse cenário mostra o potencial de transformação que temos pela frente. Estamos prontos para liderar essa evolução, oferecer benefícios além das obrigatoriedades regulatórias e desenvolver novas oportunidades de crédito para o mercado com as duplicatas escriturais, reafirmando nosso compromisso com a solidez e o crescimento do mercado de crédito”, comenta Roberta Fortunato, superintendente produtos de recebíveis da B3.
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