Cointelegraph
Walter Barros
Escrito por Walter Barros,Redator
Lucas Caram
Revisado por Lucas Caram,Editor da Equipe

CVM prevê consulta pública sobre tokenização no mercado de capitais

Em evento da B3, representante da autarquia federal disse que a ideia é normatizar estrutura de negociação e pós-negociação.

CVM prevê consulta pública sobre tokenização no mercado de capitais
Notícias

Resumo da notícia:

  • CVM prevê lançamento de consulta pública com foco na tokenização no mercado de capitais.

  • Liquidação financeira de operações tokenizadas é dos desafios a serem enfrentados pela normatização.

  • Evento reuniu startups, especialistas, reguladores e participantes do mercado financeiro para discutir o avanço da tokenização e suas aplicações no mercado de capitais.

Durante o Tokenização Day, evento realizado pela B3 na última terça-feira (26) em São Paulo, um representante da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) declarou que a autarquia federal pretende lançar uma consulta pública voltada para a tokenização no mercado de capitais.

Antonio Berwanger, superintendente de desenvolvimento de mercado da CVM disse que a consulta pública deve abordar, inclusive, a estrutura pós-negociação de ativos tokenizados. Segundo ele, “no contexto da tecnologia, a rede é a infraestrutura. No contexto regulatório, a rede é o suporte para fazer a infraestrutura”.

Ele ainda citou a liquidação financeira de operações tokenizadas como um dos desafios a serem enfrentados pela normatização ao justificar que essas operações envolvem estruturas como câmaras e contrapartes centrais, enquanto as liquidações físicas dos ativos podem ser tratadas através da norma de depositário central.

Tokenização Day

O evento reuniu startups, especialistas, reguladores e participantes do mercado financeiro para discutir o avanço da tokenização e suas aplicações no mercado de capitais. A iniciativa teve como foco estimular o desenvolvimento de soluções inovadoras, fortalecer conexões no ecossistema e ampliar o debate sobre o papel da tecnologia na evolução da infraestrutura financeira.

A programação, realizada na Arena B3, contou com painéis, apresentações de startups e momentos de networking. Entre os destaques esteve o painel ‘Impactos da Tokenização no Mercado de Capitais’, que reuniu representantes da CVM, do escritório Pinheiro Neto, da Parfin e da própria B3 para discutir o estágio atual da tokenização e os principais fatores que devem viabilizar sua adoção em maior escala.

Durante o debate, os participantes destacaram os avanços recentes na adoção da tokenização, mas também a necessidade de evolução regulatória, integração com as infraestruturas existentes e desenvolvimento de modelos com valor econômico claro para impulsionar sua adoção no mercado de capitais. Entre os pontos debatidos estiveram o avanço das ofertas de ativos tokenizados no país, os desafios relacionados à liquidação financeira, interoperabilidade e segurança jurídica, além da visão de que a tecnologia tende a evoluir de forma complementar ao mercado tradicional, ampliando eficiência e criando novos modelos de negócio.

O Diretor de Produtos de Balcão e Ativos Digitais da B3, Humberto Costa, salientou que o evento promovido pela bolsa de valores brasileiras foi “fomentar a inovação no mercado financeiro, conectando diferentes agentes do ecossistema e estimulando o desenvolvimento de soluções que possam transformar a forma como ativos são estruturados, negociados e distribuídos”.

O avanço da tokenização depende da colaboração entre diferentes agentes do mercado. Nosso papel é atuar como um hub de conexão, criando as condições para que essas iniciativas ganhem escala, segurança e relevância no ecossistema financeiro”, completou.

Por sua vez, o vice-presidente de Tecnologia da B3, Rodrigo Nardoni, frisou que “a tokenização avança como uma das principais alavancas de transformação do mercado financeiro e entra em uma fase cada vez mais orientada por aplicações práticas e geração de valor”.

Propostas, ferramentas e B3RL

Durante o evento, as startups BBChain, Nexa Finance, Bloxs, Parfin e Zuvia apresentaram propostas voltadas ao desenvolvimento de soluções em três frentes principais: uso de dinheiro digital (como stablecoins), criação de ativos financeiros tokenizados e desenvolvimento de infraestrutura para esse tipo de operação. As iniciativas buscaram responder a desafios atuais do setor, como a eficiência de processos, integração entre sistemas, redução de custos operacionais e ampliação do acesso a produtos financeiros.

Entre os destaques, as ferramentas apresentadas exploraram o potencial da tokenização para promover maior liquidez, eficiência e rastreabilidade nas operações, além de viabilizar novos modelos de negócios no mercado financeiro. Os projetos também evidenciaram o papel da tecnologia na construção de uma infraestrutura mais integrada, segura e escalável para oferecer suporte a digitalização dos ativos. As iniciativas poderão avançar em discussões com a B3 para avaliação de possíveis parcerias e desenvolvimento conjunto de soluções.

Na ocasião, a B3 também reforçou suas estratégias relacionadas à B3RL, stablecoin lastreada no real a ser emitida bolsa, e ao desenvolvimento de sua tokenizadora, ambas em evolução no âmbito da agenda de ativos digitais da companhia.

Executivos presentes no Tokenização Day também disseram que a blockchain não serve “para tudo” e que falha do Drex foi justamente sua ambição, conforme noticiou o Cointelegraph Brasil.

A Cointelegraph está comprometida com um jornalismo independente e transparente. Este artigo de notícias é produzido de acordo com a Política Editorial da Cointelegraph e tem como objetivo fornecer informações precisas e oportunas. Os leitores são incentivados a verificar as informações de forma independente. Leia a nossa Política Editorial https://br.cointelegraph.com/editorial-policy