Resumo da notícia:
CVM prevê lançamento de consulta pública com foco na tokenização no mercado de capitais.
Liquidação financeira de operações tokenizadas é dos desafios a serem enfrentados pela normatização.
Evento reuniu startups, especialistas, reguladores e participantes do mercado financeiro para discutir o avanço da tokenização e suas aplicações no mercado de capitais.
Durante o Tokenização Day, evento realizado pela B3 na última terça-feira (26) em São Paulo, um representante da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) declarou que a autarquia federal pretende lançar uma consulta pública voltada para a tokenização no mercado de capitais.
Antonio Berwanger, superintendente de desenvolvimento de mercado da CVM disse que a consulta pública deve abordar, inclusive, a estrutura pós-negociação de ativos tokenizados. Segundo ele, “no contexto da tecnologia, a rede é a infraestrutura. No contexto regulatório, a rede é o suporte para fazer a infraestrutura”.
Ele ainda citou a liquidação financeira de operações tokenizadas como um dos desafios a serem enfrentados pela normatização ao justificar que essas operações envolvem estruturas como câmaras e contrapartes centrais, enquanto as liquidações físicas dos ativos podem ser tratadas através da norma de depositário central.
Tokenização Day
O evento reuniu startups, especialistas, reguladores e participantes do mercado financeiro para discutir o avanço da tokenização e suas aplicações no mercado de capitais. A iniciativa teve como foco estimular o desenvolvimento de soluções inovadoras, fortalecer conexões no ecossistema e ampliar o debate sobre o papel da tecnologia na evolução da infraestrutura financeira.
A programação, realizada na Arena B3, contou com painéis, apresentações de startups e momentos de networking. Entre os destaques esteve o painel ‘Impactos da Tokenização no Mercado de Capitais’, que reuniu representantes da CVM, do escritório Pinheiro Neto, da Parfin e da própria B3 para discutir o estágio atual da tokenização e os principais fatores que devem viabilizar sua adoção em maior escala.
Durante o debate, os participantes destacaram os avanços recentes na adoção da tokenização, mas também a necessidade de evolução regulatória, integração com as infraestruturas existentes e desenvolvimento de modelos com valor econômico claro para impulsionar sua adoção no mercado de capitais. Entre os pontos debatidos estiveram o avanço das ofertas de ativos tokenizados no país, os desafios relacionados à liquidação financeira, interoperabilidade e segurança jurídica, além da visão de que a tecnologia tende a evoluir de forma complementar ao mercado tradicional, ampliando eficiência e criando novos modelos de negócio.
O Diretor de Produtos de Balcão e Ativos Digitais da B3, Humberto Costa, salientou que o evento promovido pela bolsa de valores brasileiras foi “fomentar a inovação no mercado financeiro, conectando diferentes agentes do ecossistema e estimulando o desenvolvimento de soluções que possam transformar a forma como ativos são estruturados, negociados e distribuídos”.
O avanço da tokenização depende da colaboração entre diferentes agentes do mercado. Nosso papel é atuar como um hub de conexão, criando as condições para que essas iniciativas ganhem escala, segurança e relevância no ecossistema financeiro”, completou.
Por sua vez, o vice-presidente de Tecnologia da B3, Rodrigo Nardoni, frisou que “a tokenização avança como uma das principais alavancas de transformação do mercado financeiro e entra em uma fase cada vez mais orientada por aplicações práticas e geração de valor”.
Propostas, ferramentas e B3RL
Durante o evento, as startups BBChain, Nexa Finance, Bloxs, Parfin e Zuvia apresentaram propostas voltadas ao desenvolvimento de soluções em três frentes principais: uso de dinheiro digital (como stablecoins), criação de ativos financeiros tokenizados e desenvolvimento de infraestrutura para esse tipo de operação. As iniciativas buscaram responder a desafios atuais do setor, como a eficiência de processos, integração entre sistemas, redução de custos operacionais e ampliação do acesso a produtos financeiros.
Entre os destaques, as ferramentas apresentadas exploraram o potencial da tokenização para promover maior liquidez, eficiência e rastreabilidade nas operações, além de viabilizar novos modelos de negócios no mercado financeiro. Os projetos também evidenciaram o papel da tecnologia na construção de uma infraestrutura mais integrada, segura e escalável para oferecer suporte a digitalização dos ativos. As iniciativas poderão avançar em discussões com a B3 para avaliação de possíveis parcerias e desenvolvimento conjunto de soluções.
Na ocasião, a B3 também reforçou suas estratégias relacionadas à B3RL, stablecoin lastreada no real a ser emitida bolsa, e ao desenvolvimento de sua tokenizadora, ambas em evolução no âmbito da agenda de ativos digitais da companhia.
Executivos presentes no Tokenização Day também disseram que a blockchain não serve “para tudo” e que falha do Drex foi justamente sua ambição, conforme noticiou o Cointelegraph Brasil.

