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Escrito por Cassio GussonRedatorRevisado por Lucas CaramEditor

'Tokenização pode abrir caminho para supervisão mais ativa com dados registrados por hash', diz Banco Central

Últimas NotíciasPublicado12 de ago. de 2026

Henrique Videira afirma que novas infraestruturas podem reduzir conciliações manuais, mas capacidade tecnológica definirá frequência dos informes

Nesta quarta, 12, Henrique Videira, gerente de ativos virtuais do Banco Central do Brasil (BC), afirmou, durante o fórum GovStage, do Blockchain Rio, que a tokenização pode abrir caminho para uma supervisão mais ativa e menos reativa do sistema financeiro, com dados registrados por hash e timestamp.

Segundo o gerente, as novas infraestruturas digitais podem mudar a maneira como o BC recebe, confere e acompanha as informações enviadas pelas instituições financeiras. Atualmente, parte relevante desses dados chega à autarquia por meio de declarações. Depois, as equipes precisam conciliar informações provenientes de sistemas diferentes, incluindo saldos e informes sobre riscos de mercado e de liquidez.

Para Videira, registros por hash poderiam criar uma referência verificável dos dados enviados em cada período. Já os timestamps indicariam quando as informações foram registradas. Videira explicou que as declarações das instituições poderiam integrar uma estrutura na qual cada conjunto de informações ficaria associado a um hash e a um registro temporal.

“Imagine se você tiver um sistema em que as instituições financeiras fazem o reporte, que essas declarações fazem parte de um hash. Elas estão dentro de uma árvore de declarações. Elas registram o timestamp e registram todos os dados ali”, afirmou.

Regulamentação olhando para o hash

Na avaliação do gerente, esse modelo permitiria verificar o conteúdo informado em determinado momento e identificar eventuais mudanças posteriores.

A tecnologia também poderia reduzir o tempo gasto com a conciliação de dados mantidos em sistemas diferentes. No entanto, Videira ressaltou que isso não significa que o Banco Central realizará imediatamente uma supervisão em tempo real.

Segundo ele, a frequência de recebimento e processamento das informações dependerá da infraestrutura tecnológica disponível na própria autarquia.

“Se a gente vai conseguir fazer online ou não, aí já é uma pergunta mais difícil [...] os sistemas do Banco Central precisam ser dimensionados para tal. Então, a variável em que estamos ali é periodicidade de informes.”

Videira disse que o BC precisará definir o intervalo adequado para receber esses dados de acordo com sua capacidade tecnológica e de processamento.

Tokenização pode ampliar visão do BC sobre a economia

Além de facilitar a conferência das informações, a integração entre diferentes sistemas pode ampliar a visão do Banco Central sobre a economia brasileira.

Videira afirmou que o novo ecossistema poderá permitir à autarquia observar ativos que não aparecem com a mesma clareza nos atuais mecanismos de acompanhamento.

Esses dados, segundo ele, podem contribuir para decisões e ajustes realizados pelo Banco Central dentro de suas atribuições.

A mudança também poderia reduzir a dependência de tarefas manuais. Por outro lado, exigiria maior capacidade de processamento, novos algoritmos e ferramentas para reconciliar automaticamente informações provenientes de diferentes infraestruturas.

Videira classificou esse cenário como um caminho possível para uma supervisão mais ativa. Ele reconheceu, contudo, que a transformação ainda envolve desafios técnicos.

Interoperabilidade será essencial para o mercado tokenizado

Videira também apontou a interoperabilidade como uma condição fundamental para o avanço da tokenização. Segundo ele, o mercado já utiliza elementos comuns em smart contracts, incluindo métodos relacionados à emissão e à queima de tokens, conhecidos como mint e burn.

Mesmo assim, as diferentes infraestruturas ainda precisam avançar na definição de padrões para timestamps, encadeamento de eventos e comunicação entre contratos e redes.

O gerente também levantou uma questão sobre quem deverá estabelecer essas regras: o próprio mercado, os reguladores, o governo ou a sociedade.

Para Videira, a criação desses padrões não significa que uma tecnologia substituirá imediatamente todas as anteriores. Sistemas legados, mainframes, blockchains e redes descentralizadas poderão continuar operando simultaneamente.

A eficiência e a capacidade de comunicação entre essas estruturas devem determinar quais soluções ganharão espaço.

“Vai sobreviver aquilo que é eficiente. Sistemas legados, mainframes, blockchain, sistemas descentralizados, todos convivendo harmoniosamente entre si, desde que sejam interoperáveis sob o mesmo padrão.”

Pagamentos internacionais podem impulsionar padrões

Videira citou os pagamentos transfronteiriços como uma área na qual tecnologias emergentes já começam a apresentar ganhos de eficiência.

Segundo ele, diferentes protocolos e padrões continuarão disputando espaço. As soluções com maior volume, eficiência e adesão do mercado terão mais chances de influenciar outras aplicações.

O gerente relacionou esse processo à necessidade de liquidez para operações envolvendo ativos denominados em moedas diferentes.

Na avaliação de Videira, os padrões que ganharem força nos pagamentos internacionais também poderão influenciar a infraestrutura utilizada no mercado doméstico.

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