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Walter Barros
Escrito por Walter Barros,Redator
Lucas Caram
Revisado por Lucas Caram,Editor da Equipe

Criptomoedas sinalizam reação em meio ao avanço dos RWAs

Market cap cripto se aproxima de US$ 2,6 trilhões após forte correção em fevereiro, enquanto ativos do mundo real tokenizados avançam 4,7%, aponta Binance Research.

Criptomoedas sinalizam reação em meio ao avanço dos RWAs
Mercado

Resumo da notícia:

  • Market cap cripto busca recuperação enquanto RWAs se favorecem com tokenização do ouro e Treasuries.

  • Sequência de baixa é a maior desde 2018.

  • ETFs de Bitcoin se recuperam e o Brasil acompanha o movimento.

  • Principais altcoins apresentam forte resultado negativo; setor DeFi também sangra.

Na manhã desta terça-feira (17), a capitalização de mercado de criptomoedas respondia por US$ 2,53 trilhões (+1%). O que representava uma recuperação parcial da correção sofrida em fevereiro, em meio à ascensão dos ativos do mundo real tokenizados (RWAs, na sigla em inglês).

De acordo com o último relatório mensal da Binance Research, braço de pesquisa da exchange global de criptomoedas, mesmo com a volatilidade recente, os RWAs alcançaram cerca de US$ 25,4 bilhões em valor, com um aumento de aproximadamente 4,7% em relação ao mês anterior.

O relatório enfatiza que o crescimento dos RWAs foi impulsionado por produtos lastreados em títulos do Tesouro (Treasuries) e pelo renovado interesse em ouro tokenizado em meio à alta dos preços globais do metal precioso.

Apesar da volatilidade mais ampla do mercado, o aumento, tanto no valor dos ativos quanto no número de detentores, destaca o interesse contínuo na tokenização de RWAs por parte de participantes institucionais e de varejo, salienta o documento.

Crescimento mensal líquido dos RWA por categoria – Fonte: rwa.xyz, Binance Research (02/03/26).

Sequência de baixa

O relatório aponta que o sentimento do mercado permaneceu profundamente negativo em fevereiro, quando o Índice de Medo e Ganância (Fear & Greed Index) permanecendo abaixo de 20 pontos e chegando a cair brevemente para a mínima histórica de 5 pontos. Com o desempenho de fevereiro, o mercado registrou cinco meses consecutivos de retornos negativos para os principais criptoativos, uma sequência não vista desde o mercado de baixa de 2018.

Recuperação dos ETFs de Bitcoin

Outro benchmark para os investidores de criptomoedas, os fundos negociados em bolsa (ETFs) baseados em Bitcoin (BTC) à vista (spot) voltaram a registrar entradas líquidas, enquanto o pico da temporada de restituição de impostos nos EUA nas próximas semanas pode fornecer liquidez adicional para ativos de risco, de acordo com o relatório.

Na última semana, os produtos de investimento em ativos digitais, incluindo ETFs, registraram entradas de US$ 1,06 bilhão, mantendo o setor no azul pela terceira semana consecutiva e demonstrando resiliência à tensão geopolítica. Nesse caso, o Brasil aportou R$ 13,5 milhões e seguiu recuperação global dos fundos de criptomoedas.

Por outro lado, o desempenho dos 10 principais criptoativos foi amplamente negativo em fevereiro. Enquanto isso, o Bitcoin também permaneceu sob pressão, caindo significativamente em relação à sua máxima histórica e se aproximando de seu preço realizado perto de US$ 54 mil, um nível historicamente associado às fases finais de desalavancagem. Hoje, a maior criptomoeda do mercado é negociada acima dos US$ 73 mil, uma alta de 35% desde a mínima do ano.

O relatório destaca que o TRX se mostrou mais resiliente, com queda de apenas 4,6%. Entre as demais altcoins, Ethereum (ETH), Solana (SOL) e BNB caíram 30,8%, 29,6% e 28,4%, respectivamente, refletindo a aversão generalizada ao risco. Da mesma forma, Chainlink (LINK) registrou queda de 24,5%, Cardano (ADA) de 19,7% e XRP caiu 26,2%.

DeFi

O setor de finanças descentralizadas (DeFi) também enfrentou forte turbulência em fevereiro, com o valor total bloqueado (TVL) caindo 18,4% no mês para US$ 95,7 bilhões. As mudanças na participação de mercado entre os cinco principais ecossistemas foram limitadas, com o Ethereum registrando um declínio modesto. Enquanto isso, a Base continuou ganhando força, com seu TVL aumentando de forma constante, representando cerca de 46,5% do TVL total das redes de camada 2 do DeFi, segundo o relatório.

No Brasil, o pacote de regras do Banco Central para as empresas de criptomoedas emerge com mais um catalisador de possíveis impactos, já que o mercado nacional caminha para se concentrar em grandes empresas e adoção de IA, conforme noticiou o Cointelegraph Brasil.

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