Resumo da notícia:
Pix é parte de um todo na evolução global das finanças digitais, segundo especialista.
Próxima grande evolução está na integração entre infraestruturas locais e redes financeiras globais digitais.
A autocustódia muda profundamente a relação das pessoas com o dinheiro, amplia a autonomia, mas também exige responsabilidade.
Apesar do avanço do Pix, a plataforma de transferências instantâneas deve ser parte de uma estrutura financeira digital global, segundo o especialista em criptomoedas Rocelo Lopes.
Em análise desta semana, o chefe da iniciativa de moedas digitais da Rezolve AI disse que o Brasil consolidou sua posição como referência mundial em pagamentos digitais com a ascensão meteórica do Pix, já que sistema instantâneo criado pelo Banco Central (BC) revolucionou a forma como milhões de brasileiros transferem dinheiro, pagam contas e realizam transações cotidianas.
Para Rocelo Lopes, esse avanço foi decisivo — mas pode representar apenas a primeira fase de uma transformação financeira muito maior.
O Pix colocou o Brasil na vanguarda da eficiência local em pagamentos, mas o futuro do dinheiro não será definido apenas por sistemas domésticos. A próxima grande evolução está na integração entre infraestruturas locais e redes financeiras globais digitais, afirmou.
Segundo ele, embora o Pix tenha criado uma base robusta para pagamentos rápidos, acessíveis e altamente funcionais dentro do território nacional, sua estrutura permanece centrada no real e nas regras do sistema financeiro brasileiro.
O Pix é extraordinário para o mercado interno, mas estamos entrando em uma era em que o dinheiro circula em múltiplas camadas. Existe uma nova infraestrutura surgindo, baseada em ativos digitais globais, que opera 24 horas por dia, sete dias por semana, sem fronteiras tradicionais, explicou.
O especialista classificou a expansão global da adoção de stablecoins atreladas ao dólar americano como instrumento capaz de ampliar o acesso financeiro internacional. O que não substitui o Pix, mas complementa seu alcance.
A tendência não é trocar o Pix por outra coisa, é conectar o que já funciona localmente a novas possibilidades globais. Isso pode permitir desde remessas internacionais mais eficientes até maior flexibilidade para indivíduos e empresas operarem em escala mundial, pontuou Lopes.
De acordo com o executivo, a Rezolve AI está com um olho na integração, entre sistemas financeiros tradicionais e criptomoedas, e outro nas exigências regulatórias de cada mercado. Segundo ele, outro conceito que ganha força nesse cenário é o da autocustódia — modelo em que o próprio usuário mantém controle direto sobre seus ativos digitais, sem depender exclusivamente de intermediários financeiros.
A autocustódia muda profundamente a relação das pessoas com o dinheiro. Ela amplia autonomia, mas também exige responsabilidade. Estamos falando de uma transformação estrutural sobre propriedade financeira, avaliou.
Lopes acredita que o Brasil possui uma vantagem competitiva relevante nessa nova fase por já ter demonstrado alta capacidade de adoção tecnológica em finanças.
O brasileiro mostrou, com o Pix, que está aberto à inovação. A próxima etapa será entender que eficiência local é apenas parte da equação. O futuro está na capacidade de unir praticidade doméstica com acesso financeiro global, completou.
Na visão do executivo, a discussão não gira mais em torno de substituir sistemas existentes, mas de expandir horizontes.
O Brasil venceu ao modernizar pagamentos. Agora, a pergunta é se conseguirá liderar também a próxima revolução: a da convergência entre dinheiro local e infraestrutura financeira global, finalizou.
Na avaliação de alguns especialistas, a regulamentação também deve espremer lavagem de dinheiro com criptomoedas e ouro no país, conforme noticiou o Cointelegraph Brasil.

