ANEEL abre espaço para testes com blockchain
A Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) publicou em janeiro a Resolução 1.150, que criou um ambiente regulatório voltado a testes com tecnologias como blockchain, inteligência artificial, internet das coisas e medidores inteligentes no setor elétrico brasileiro. A medida acompanha um movimento observado em diferentes mercados regulados, que passaram a avaliar aplicações de infraestrutura digital para rastreabilidade, automação operacional e gestão de ativos em concessionárias e distribuidoras de energia.
O avanço dessas discussões deve ganhar espaço em encontros técnicos do setor nas próximas semanas. Em São Paulo, especialistas em regulação, executivos e empresas de tecnologia ligados ao mercado energético devem debater, nos dias 2 e 3 de junho, aplicações práticas dessas ferramentas em ambientes regulados. O foco das discussões inclui digitalização de processos, interoperabilidade de sistemas e adaptação regulatória para novas infraestruturas tecnológicas.
A programação do Energy Shift Fórum, prevista envolve temas relacionados à modernização da infraestrutura energética, rastreabilidade de ativos e governança regulatória. O debate ocorre em um momento em que distribuidoras e operadores do setor elétrico analisam formas de reduzir custos operacionais e ampliar a eficiência do monitoramento de redes e contratos por meio de soluções digitais.
Especialistas do setor avaliam que a adoção dessas tecnologias ainda depende de padronização regulatória e de definições sobre segurança de dados, interoperabilidade e responsabilidade operacional. Embora blockchain e inteligência artificial avancem em projetos-piloto no mercado energético, empresas do segmento ainda enfrentam desafios ligados à integração com sistemas legados e à escalabilidade das soluções.
Workshop em Minas Gerais discutirá investigações
O crescimento do uso de criptomoedas em operações financeiras também ampliou o debate sobre rastreamento patrimonial e investigação digital no Brasil. Em Belo Horizonte, especialistas das áreas jurídica, tecnológica e de segurança cibernética devem discutir, no início de junho, o uso de ferramentas de inteligência on-chain em investigações relacionadas a lavagem de dinheiro e movimentações com ativos digitais.
A discussão ocorre em um momento de maior aproximação entre órgãos de persecução penal, Judiciário e empresas especializadas em análise blockchain. Nos últimos anos, autoridades brasileiras passaram a utilizar mecanismos de monitoramento de carteiras digitais e rastreamento de transações em investigações envolvendo fraudes financeiras, golpes eletrônicos e ocultação patrimonial.
A programação promovida pela amagis.com prevista inclui debates sobre medidas cautelares patrimoniais, stablecoins e limites jurídicos relacionados ao uso de tecnologias voltadas à privacidade financeira. Magistrados, integrantes do Ministério Público e profissionais ligados à investigação de crimes financeiros devem participar das discussões.
Especialistas do setor jurídico avaliam que o avanço das investigações envolvendo criptoativos ainda esbarra em desafios relacionados à cooperação internacional, anonimização parcial de operações e diferenças regulatórias entre países. Ao mesmo tempo, empresas de análise blockchain ampliaram a oferta de ferramentas voltadas à identificação de fluxos financeiros em redes públicas.
Mercado de Bitcoin tokenizado avança
Estruturas ligadas ao mercado de Bitcoin tokenizado seguem crescendo em redes secundárias de blockchain, em meio à expansão do uso institucional de ativos digitais interoperáveis. Empresas do setor passaram a ampliar operações envolvendo Wrapped Bitcoin (WBTC), modelo que permite utilizar Bitcoin em aplicações descentralizadas fora da rede principal da criptomoeda.
Nesse contexto, a EverValue informou ter ultrapassado 400 WBTC em reservas públicas registradas na rede Arbitrum. Segundo a companhia, o volume armazenado em contratos inteligentes públicos supera R$ 150 milhões em Bitcoin tokenizado.
De acordo com a empresa, os ativos permanecem distribuídos em contratos inteligentes utilizados para sustentar a dinâmica operacional do protocolo. A companhia afirma que o modelo permite verificar publicamente saldos, quantidade de tokens em circulação e operações realizadas dentro da estrutura blockchain.
A empresa também declarou que parte da expansão das reservas está ligada à sua operação própria de mineração de Bitcoin no Paraguai. Segundo dados divulgados pela companhia, o Bitcoin minerado é convertido em WBTC e incorporado aos cofres públicos do protocolo.
Analistas do mercado cripto observam que o crescimento de estruturas de Bitcoin tokenizado acompanha a busca por maior liquidez e integração entre diferentes ecossistemas blockchain. Ainda assim, o modelo também enfrenta questionamentos relacionados à custódia dos ativos de referência e aos riscos operacionais associados a pontes e protocolos interoperáveis.
Duplicata escritural avança no mercado financeiro
Empresas ligadas ao mercado de infraestrutura financeira seguem ampliando projetos relacionados à duplicata escritural, modalidade que deve ganhar maior espaço no sistema financeiro brasileiro a partir de 2026. O movimento ocorre após a conclusão de testes homologatórios ligados ao novo sistema, que ainda depende de aprovação final do Banco Central do Brasil.
Nesse cenário, Núclea e Líber Capital anunciaram uma parceria voltada à integração entre infraestrutura de registro e plataformas de negociação de recebíveis corporativos. Segundo as empresas, clientes da Líber poderão registrar e operar duplicatas dentro da estrutura da Núclea, incluindo operações de gestão e utilização dos recebíveis como garantia de crédito.
O mercado financeiro vê a duplicata escritural como uma das apostas para ampliar rastreabilidade, padronização e transparência em operações de antecipação de recebíveis. Instituições do setor também avaliam que a digitalização desses ativos pode facilitar o uso de recebíveis corporativos como garantia em operações de crédito.
Especialistas, porém, afirmam que a expansão do modelo dependerá da interoperabilidade entre registradoras, da adaptação operacional das empresas e da consolidação das regras regulatórias que irão disciplinar o funcionamento do novo ecossistema.
Bancos ampliam campanhas de investimentos
Instituições financeiras voltadas ao varejo passaram a intensificar campanhas ligadas a investimentos internacionais e produtos de renda fixa em meio ao aumento da demanda por diversificação cambial e aplicações dolarizadas no Brasil.
Nesse contexto, o C6 Bank iniciou uma nova edição de sua campanha voltada a produtos de investimento. A ação inclui ofertas relacionadas a renda fixa, Tesouro Direto, previdência privada, fundos de investimento e aplicações internacionais disponibilizadas pela plataforma global da instituição.
Segundo o banco, a campanha prevê condições diferenciadas para determinados produtos, além de incentivos ligados à portabilidade de previdência privada e aplicações internacionais. A instituição também informou redução temporária de spreads em remessas voltadas a investimentos no exterior.
O aumento da concorrência entre plataformas de investimentos ocorre em um cenário de juros elevados no Brasil e maior interesse de investidores locais por ativos estrangeiros. Bancos digitais e corretoras têm ampliado produtos ligados à renda fixa internacional, dólar e diversificação global nos últimos meses.
Uso de inteligência artificial em operações com criptomoedas
Ferramentas de inteligência artificial voltadas à automação de operações com criptomoedas passaram a ganhar espaço entre investidores e plataformas do setor em 2026. Corretoras e empresas de infraestrutura cripto vêm ampliando serviços ligados à execução automatizada de ordens, monitoramento de mercado e configuração de estratégias operacionais.
A Binance divulgou nesta semana dados relacionados ao uso do Binance Ai Pro, ferramenta lançada pela exchange em março. Segundo a companhia, cerca de 60% das interações registradas na plataforma estiveram ligadas a tarefas operacionais automatizadas.
De acordo com a empresa, parte das sessões passou a ser iniciada automaticamente pelo sistema, enquanto usuários ampliaram o uso de bots e integrações voltadas à negociação automatizada. A exchange também informou que utiliza mecanismos internos de análise de risco para avaliar ferramentas disponibilizadas no ecossistema do serviço.
O avanço dessas ferramentas ocorre em meio ao crescimento do debate sobre riscos operacionais, manipulação algorítmica e dependência excessiva de automações no mercado cripto. Reguladores e especialistas em tecnologia financeira vêm discutindo possíveis impactos da inteligência artificial sobre volatilidade, segurança operacional e transparência em operações automatizadas.
Setor cripto amplia presença institucional em rankings corporativos globais
Executivos ligados ao mercado de criptomoedas passaram a ganhar maior espaço em rankings tradicionais do setor corporativo e financeiro, refletindo a crescente institucionalização da indústria de ativos digitais nos últimos anos.
Nesse contexto, a Binance informou que Yi He, cofundadora e co-CEO da empresa, passou a integrar em 2026 a lista “Most Powerful Women in Business”, publicada pela revista Fortune. Segundo a companhia, ela é a primeira executiva oriunda do setor cripto a entrar no ranking.
Yi He participou da fundação da Binance em 2017 e atualmente atua nas áreas de produto, estratégia e relacionamento com usuários. A publicação da Fortune relacionou a entrada de representantes do setor cripto ao aumento da integração entre empresas de ativos digitais e o sistema financeiro tradicional.
Nos últimos anos, corretoras, emissores de stablecoins e empresas de infraestrutura blockchain ampliaram presença institucional em mercados regulados, aproximando-se de bancos, gestoras e operadores tradicionais do sistema financeiro global.

