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Cassio Gusson
Escrito por Cassio Gusson,Redator
Lucas Caram
Revisado por Lucas Caram,Editor da Equipe

Bitget Wallet lança mercados preditivos com inteligência artificial no Brasil

Integração com a Polymarket leva negociação preditiva com IA ao Brasil, enquanto avanço tecnológico esbarra em debate regulatório ainda indefinido no país.

Bitget Wallet lança mercados preditivos com inteligência artificial no Brasil
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A Bitget Wallet informou nesta terça-feira, 21, a integração com a Polymarket, ampliando o acesso a mercados preditivos no Brasil com uso de ferramentas baseadas em dados.

Segundo a empresa, a funcionalidade reúne informações como desempenho histórico, notícias e dados em tempo real para apoiar a análise de eventos, especialmente esportivos.

Além disso, a carteira passou a incluir um sistema de monitoramento de movimentações on-chain associadas a grandes investidores, com identificação de padrões e alertas de atividade relevante.

A proposta ocorre em um momento de expansão dos mercados preditivos, que têm atraído maior interesse global à medida que combinam dados, probabilidade e participação direta dos usuários.

“O Brasil combina uma forte adoção de criptomoedas com uma cultura ativa de negociação no varejo, tornando-se um mercado natural para a expansão dos mercados de previsão. À medida que os usuários migram para plataformas com foco em dispositivos móveis, a integração da negociação de previsão em carteiras digitais reduz as barreiras e amplia a participação.”, disse Guilherme Prado, Country Manager do Bitget Wallet no Brasil

Relatórios do setor indicam que o volume negociado nesse segmento pode crescer significativamente entre 2024 e 2026, impulsionado pela digitalização financeira e pelo avanço de plataformas descentralizadas.

No campo regulatório, discussões seguem em andamento em diferentes jurisdições. Nos Estados Unidos, por exemplo, o debate sobre o CLARITY Act voltou à pauta após pedidos de adiamento no Senado.

Mercados preditivos no Brasil

O Ministério da Fazenda informou recentemente ao Cointelebraph Brasil que iniciou uma análise interna sobre os chamados mercados preditivos, plataformas que permitem negociar probabilidades de eventos futuros como eleições, inflação, decisões econômicas e resultados esportivos.

A discussão envolve principalmente serviços como Polymarket e Kalshi, que operam no exterior com modelos distintos das casas de apostas tradicionais e ainda não possuem autorização formal para atuar no Brasil.

Em resposta oficial a Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) informou que acompanha a evolução desse tipo de mercado no cenário internacional e já iniciou interlocução preliminar sobre o tema.

Segundo o órgão, não há atualmente empresas brasileiras autorizadas a operar nesse segmento. A pasta destacou que, dependendo do formato adotado, especialmente quando envolve eventos esportivos, políticos ou econômicos, será indispensável definir com clareza a competência regulatória e o regime jurídico aplicável, podendo haver interface com outras autoridades públicas.

A Secretaria afirmou ainda que trata o tema com cautela e foco na prevenção de eventuais lacunas regulatórias, buscando assegurar coerência com o arcabouço legal vigente. “Eventuais medidas de fiscalização ou regulamentação somente serão avaliadas após a conclusão das análises em curso e em articulação com os órgãos competentes”, destacou a SPA.

Associação Brasileira de Mercados Preditivos

Nesse ambiente de incerteza regulatória empresários do setor decidiram se organizar e criaram a Associação Brasileira de Mercados Preditivos (ABPred), entidade que reúne plataformas como VoxFi, Futuriza, Mercado Prévio e Prévias, com o objetivo de estruturar o setor e influenciar diretamente o debate regulatório.

De acordo com o escritório Bichara e Motta Advogados, a associação surge como uma tentativa de diferenciar tecnicamente os mercados de previsão das apostas esportivas, defendendo que esses contratos funcionam como instrumentos de informação e análise, e não apenas como entretenimento.

A movimentação também ocorre em paralelo ao surgimento de outra entidade, a Associação Nacional de Mercado Preditivo (ANMP), o que evidencia a disputa por protagonismo em um mercado ainda em formação.

Ambas defendem que os contratos de previsão sejam enquadrados como instrumentos financeiros, potencialmente sob supervisão da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), e não como apostas. Essa definição será central para determinar quais regras, tributos e exigências operacionais serão aplicados ao setor.

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