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Walter Barros
Escrito por Walter Barros,Redator
Lucas Caram
Revisado por Lucas Caram,Editor da Equipe

Paraíba cria 'criptomoeda fotovoltaica' para recompensa de energia solar em comunidades carentes

Desenvolvido pela UFPB, Projeto Orquídea Solar prevê tokens a partir da geração de energia solar a banco comunitário.

Paraíba cria 'criptomoeda fotovoltaica' para recompensa de energia solar em comunidades carentes
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Resumo da notícia:

  • UFPB desenvolve projeto que prevê fornecimento de criptomoedas por energia solar.

  • Projeto-piloto beneficiará os moradores da Comunidade São Rafael, na capital João Pessoa (PB).

  • Criptomoeda seria parte de um sistema de energia solar capaz de atender às demandas residenciais de eletricidade e gerar excedentes de energia para o banco comunitário.

  • Projeto também possui motivação sustentável.

A Universidade Federal da Paraíba (UFPB) anunciou esta semana a criação de um projeto baseado em blockchain, que prevê a criação de uma criptomoeda fornecida por bancos comunitários a energia elétrica fornecida através de usinas fotovoltaicas em comunidades carentes.

Projeto Orquídea Solar prevê fornecimento de criptomoedas por bancos comunitários, pelo fornecimento de energia solar. Foto: Arquivo do projeto.

Segundo a UFPB, a criptomoeda do “Projeto Orquídea Solar”, desenvolvido pelo Centro de Energias Alternativas e Renováveis (CEAR), tem como objetivo usar a tecnologia que suporta as criptomoedas no combate à pobreza energética, ampliação de acesso à energia limpa e promoção da formação técnica de profissionais da própria comunidade. O projeto-piloto beneficiará os moradores da Comunidade São Rafael, na capital João Pessoa (PB). A instituição salientou ainda que o projeto busca identificar os níveis de privação de energia elétrica e suas causas e formas para combater a carência das comunidades vulneráveis em relação ao uso desse bem.

Na prática, a criptomoeda seria parte de um sistema de energia solar capaz de atender às demandas residenciais de eletricidade e gerar excedentes de energia para o banco comunitário, que contribuirá para a geração de riqueza e desenvolvimento do território no qual está inserido.

A universidade acrescentou que o projeto também possui motivação sustentável, já que o aumento constante da emissão de gases de efeito estufa, decorrente principalmente das atividades humanas no setor de transportes e de geração de energia, está relacionado à ocorrência cada vez mais constante de eventos climáticos extremos ocasionados pelas mudanças climáticas no planeta.

Blockchain contra desigualdade energética

Para os pesquisadores, além do acesso à energia renovável, a implementação de usinas fotovoltaicas comunitárias se mostra eficaz no combate à pobreza energética, ou seja, a privação ou baixo acesso a serviços energéticos por comunidades vulneráveis, especialmente em comunidades rurais e de baixa renda.

Em relação à “criptomoeda fotovoltaica”, a UFPB frisou que o token fomenta o desenvolvimento socioeconômico local. Nesse caso, a instituição espera que a emissão da criptomoeda local contribua para redução da fuga de capital, fortalecendo pequenos negócios e incentivando redes de solidariedade.

De forma sucinta, a usina solar gera energia, que é jogada na rede, e os créditos de energia serão compartilhados entre os moradores e o banco comunitário. Para facilitar esse processo, o estudo prevê a implementação de um sistema de contabilidade em blockchain, destacou a UFPB.

Por outro lado, os pesquisadores ressaltaram que o êxito do projeto também depende do envolvimento das comunidades em todas as etapas do processo, desde a instalação até a operação e manutenção, possibilitando a qualificação técnica de moradores da comunidade, capacitando a força de trabalho, e gerando com isso oportunidades de emprego.

Coordenador do projeto de extensão do CEAR denominado Sou Sustentável, o qual tem como intuito a democratização do acesso às energias renováveis e atua na comunidade São Rafael, o professor José Felix da Silva Neto explicou que esse projeto de pesquisa surgiu a partir da observação de possibilidades de coisas novas que podem ser testadas para desenvolver uma localidade, e esclareceu a motivação do projeto de pesquisa face à constatação da realidade das comunidades.

O que me incomodou – e ainda me incomoda – é que nós vemos, todo ano, o balanço energético nacional, com o Brasil crescendo na geração de energia solar, energia eólica, mas, na ponta, quem consome está pagando caro do mesmo jeito, não muda a lógica. Cresce a geração, mas para o consumidor final não muda em nada, declarou.

Na avaliação do pesquisador, essa desigualdade energética “faz com que muita gente ainda hoje não consiga comprar um gás de cozinha, tenha sua conta de energia atrasada, muitas vezes tenha o corte de energia em sua casa, e essa realidade nas comunidades é o que mais tem”.

Dentro do contexto das energias renováveis, em que estamos inseridos na universidade, como podemos pensar algo que na ponta isso mude? Então percebemos que essa forma de organização pode fazer uma diferença para o consumidor final, explicou o professor.

Na seara da desigualdade energética, bitcoiners e criptogatos se acotovelam pela eletricidade na mineração de Bitcoin, conforme noticiou o Cointelegraph Brasil.

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