Resumo da notícia:
33% das corporações usaram IA no ERP em 2025 e apenas 16% tiveram orçamento destinado à tecnologia.
IA é muito falada e pouco usada no ERP pelas empresas.
Orientação, mitigação de erros e como braço direito estão entre as principais razões para utilização de IA, segundo executiva.
Um levantamento recente da Qive apontou que 33% das corporações no Brasil usam inteligência artificial (IA) no Planejamento de Recursos Empresariais (ERP, na sigla em inglês) em 2025.
De acordo com a plataforma de gestão automatizada, apenas 16% tiveram orçamento dedicado à IA no ano passado, enquanto mais da metade das empresas no país continua dependente de planilhas e processos manuais.
Para a cofundadora e co-CEO da empresa, Isis Abbud, apesar da popularização da IA, “investe-se pouco nessa ferramenta, especialmente nos setores em que o dinheiro realmente passa”.
Enquanto áreas como marketing experimentam modelos generativos, criam campanhas mais rápidas e testam novos formatos, o backoffice financeiro e fiscal — responsável por volumes bilionários, riscos reais e impacto direto no caixa — ainda depende, em grande parte, de planilhas e controles paralelos, explica.
Segundo a especialista, o problema não é apenas a baixa adoção, é onde e como a tecnologia está sendo usada.
3 razões para usar IA
A executiva aponta três razões para o uso da IA nas áreas de contas a pagar, financeiro e backoffice das empresas. Uma delas para apoiar escolhas e orientar negócios, já que a automação costuma registrar o passado: lançar, conferir, arquivar, reconciliar. Por outro lado, sem a IA o fluxo anda e a decisão continua parada pela ausência de construção de inteligência para antecipar riscos, apoiar escolhas ou orientar o negócio, segundo ela.
É uma ilusão perigosa: companhias que se declaram ‘data-driven’, ‘AI-ready’, mas que ainda precisam de planilha, validação manual e retrabalho para rodar o contas a pagar. Ambição estratégica sem base operacional sólida não escala. E, no backoffice, esse custo é invisível até o momento em que vira problema, complementa Ísis.
Ela destaca ainda a utilização de IA para evitar erros, argumentando que, “em operações de alto volume, falhas como pagamentos em duplicidade, vencimentos perdidos, dados inconsistentes, retrabalho constante, não são exceção — são estatística”, e como braço direito das pessoas, frisando que nem todo profissional de backoffice está preparado para atuar de forma analítica.
Tecnologia de ponta apoiada em dados ruins, fragmentados ou pouco confiáveis não gera inteligência. Gera ruído. Automatiza erros. E aumenta a insegurança na tomada de decisão. Sem dados íntegros, governados e acessíveis, a IA não acelera o pensamento, ela atrapalha, finaliza a executiva.
No outro lado do balcão da tecnologia, um estudo recente revelou que a IA reduz até 7% chance de emprego ou renda dos jovens no país, conforme noticiou o Cointelegraph Brasil.

