
Bitcoin vai cair para US$ 50 mil? Análise da 21Shares diz que é possível
Bitcoin cai para US$ 61 mil após liquidações, saídas de ETFs e tensões geopolíticas. Entenda os riscos e perspectivas para o preço.

O Bitcoin acumula queda de 12% na semana e é negociado próximo de US$ 61.000, mais de 50% abaixo da máxima histórica. O movimento amplia um período que já se aproxima de sete meses com o ativo operando mais de 20% abaixo do pico do ciclo.
De acordo com uma análise da 21Shares compartilhada com o Cointelegraph Brasil, diversos fatores negativos atingiram o mercado em sequência nesta semana: a primeira venda de Bitcoin da Strategy desde 2022, a saída do Irã das negociações diplomáticas e uma forte sequência de saídas líquidas dos ETFs spot de Bitcoin. Juntos, esses eventos desencadearam mais de US$ 3 bilhões em liquidações de posições compradas.
A empresa aponta que entre os motivos da queda está a Strategy que revelou sua primeira venda de Bitcoin desde 2022, liquidando 32 BTC, equivalentes a aproximadamente US$ 2,5 milhões. O valor representa apenas 0,0038% de sua tesouraria.
Na prática, os fundamentos da operação são mais positivos do que os títulos sugerem. Trata-se da única venda realizada pela empresa em mais de 100 operações ao longo de quase cinco anos, e o volume negociado é irrelevante diante de suas reservas totais. Ainda assim, o mercado interpretou a notícia de forma negativa, especialmente porque o Bitcoin atualmente é negociado abaixo do custo médio de aquisição da companhia.
Além disso, a empresa também cita que os ETFs spot de Bitcoin nos Estados Unidos acumulam 12 sessões consecutivas de saídas líquidas, totalizando aproximadamente US$ 4 bilhões, a pior sequência desde o final de 2025.
Com isso, o fluxo acumulado de 2026 passou para saldo negativo de US$ 1,9 bilhão, revertendo o cenário observado no segundo trimestre, quando mais de US$ 3 bilhões em capital de longo prazo sustentaram a valorização registrada em março e abril.
Mesmo assim, os ETFs ainda mantêm cerca de 1,27 milhão de BTC sob custódia, equivalentes a 6,4% da oferta total da criptomoeda e aproximadamente US$ 82 bilhões. O montante está apenas 7% abaixo do pico histórico, sugerindo que investidores institucionais não desmontaram suas posições de forma significativa.
Liquidações ampliaram a pressão vendedora
A análise da 21Shares também aponta que nos últimos dias, o mercado registrou quase US$ 3 bilhões em liquidações de posições compradas em criptomoedas, o maior evento desse tipo desde o final de janeiro.
Esse movimento acelerou a queda dos preços e reforçou o sentimento negativo entre os investidores.
As negociações envolvendo o Irã se deterioraram rapidamente. Segundo relatos, Teerã interrompeu as conversas com mediadores, recuou do Memorando de Entendimento de 60 dias e ameaçou bloquear completamente o Estreito de Ormuz.
A notícia impulsionou o preço do petróleo em cerca de 7%. Além disso, o Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC), ligado ao Tesouro dos Estados Unidos, incluiu a Nobitex, maior corretora de ativos digitais do Irã, entre os alvos da campanha "Economic Fury", aumentando os riscos de liquidação de carteiras sancionadas.
Vale lembrar que o Irã já respondeu por quase 7% do hashrate global do Bitcoin e possui mais de US$ 8 bilhões em ativos digitais.
Outro ponto é que enquanto o Bitcoin enfrenta dificuldades, o mercado de ações segue impulsionado pelo tema da inteligência artificial.
Índices como Nasdaq, S&P 500, Russell 2000 e o sul-coreano KOSPI operam próximos de máximas históricas. Empresas como SK Hynix e Micron ultrapassaram pela primeira vez a marca de US$ 1 trilhão em valor de mercado. Esse cenário tem atraído liquidez e atenção dos investidores, reduzindo temporariamente o fluxo para o mercado de criptomoedas.
Resistência importante em US$ 78.000
A 21Shares destaca que a região de US$ 78.000 concentra a média do mercado e a média móvel de 200 dias, formando uma importante zona de resistência.
Uma recuperação consistente acima desse patamar seria necessária para confirmar uma mudança de tendência. No lado oposto, US$ 60.000 representa o principal suporte estrutural, coincidindo com a média móvel de 200 semanas e com o preço realizado do mercado.
A empresa também aponta que o Bitcoin caiu cerca de 13% abaixo do custo médio dos detentores de curto prazo, deixando muitos compradores recentes no prejuízo. Por outro lado, o ativo continua acima do custo médio dos investidores de longo prazo e também do preço realizado agregado, níveis normalmente associados a eventos de capitulação extrema.
A recente limpeza de posições excessivamente alavancadas reduziu significativamente o excesso de otimismo. As taxas de financiamento caíram e o posicionamento agora se inclinou para o lado vendedor, com mais de US$ 10 bilhões em posições vendidas acumuladas até a região de US$ 80.000.Caso o Bitcoin consiga romper resistências importantes, esse volume pode servir como combustível para um forte short squeeze.
Fundamentos positivos que merecem atenção
A análise compartilhada com o Cointelegraph Brasil, aponta que os investidores de longo prazo seguem próximos dos níveis máximos de acumulação e ampliaram suas posições em aproximadamente US$ 15 bilhões desde o início do ano.
Apesar da correção atual de cerca de 50%, a queda permanece muito inferior à média de 80% observada nos ciclos anteriores. Além disso, a volatilidade anualizada recuou para cerca de 40%, refletindo uma participação institucional cada vez maior.
O ecossistema cripto também continua atraindo capital para ativos com fundamentos sólidos. A Hyperliquid, por exemplo, acumula valorização superior a 100% em 2026, apoiada por mais de US$ 100 milhões em entradas líquidas em seus recentes ETFs nos Estados Unidos.
Outro dado relevante citado na análise é o crescimento contínuo da oferta de stablecoins. O mercado já supera US$ 320 bilhões em circulação e continua renovando máximas históricas mesmo durante a correção do Bitcoin.
Isso sugere a existência de grande quantidade de capital disponível para ser reinvestido no setor, em contraste com o inverno cripto de 2022 e 2023, quando a oferta de stablecoins encolheu aproximadamente 30%.
Os depósitos de Bitcoin em exchanges permanecem muito abaixo dos níveis observados durante a correção de fevereiro. O aumento recente para cerca de 25 mil BTC por dia é modesto em termos históricos e não indica um movimento de pânico generalizado. Por fim, o Bitcoin continua posicionado entre duas das principais narrativas macroeconômicas atuais: tecnologia e proteção contra inflação.
Para a 21Shares, isso faz do ativo uma das poucas alternativas capazes de capturar tanto os fluxos ligados aos investimentos em inteligência artificial quanto aqueles associados à proteção contra a desvalorização monetária.
Cenários possíveis
Diante destes pontos a empresa montou dois cenários compartilhados com o Cointelegraph Brasil:
Cenário otimista: suporte se mantém e recuperação gradual (alta probabilidade)
- O Bitcoin preserva os suportes estruturais e reconstrói gradualmente uma base para nova tentativa de alta.
- Um fechamento semanal acima de US$ 78.000 confirmaria uma mudança de regime e abriria espaço para avanços em direção a US$ 82.000 e US$ 85.000.
- As saídas dos ETFs diminuem, o impacto negativo relacionado à Strategy perde força e a aprovação do projeto CLARITY no segundo semestre reforça a trajetória em direção aos US$ 100.000.
Cenário pessimista: perda do suporte e correção mais profunda (baixa probabilidade)
- A rotação de capital para ativos descontados não acontece.
- As tensões geopolíticas persistem e os investidores continuam concentrando recursos em empresas ligadas à inteligência artificial ao longo do verão no hemisfério norte.
- Uma perda definitiva da região de US$ 62.000 poderia abrir espaço para um recuo em direção ao piso estrutural entre US$ 50.000 e US$ 55.000.
Os depósitos de Bitcoin em exchanges permanecem muito abaixo dos níveis observados durante a correção de fevereiro. O aumento recente para cerca de 25 mil BTC por dia é modesto em termos históricos e não indica um movimento de pânico generalizado", finaliza.
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