
Polymarket banido: Brasil não tem 'maturidade' para ter mercados preditivos, defende executivo
Regulação foi o assunto que dominou o debate nos palcos do evento realizado em São Paulo.

Durante o Tokennation executivos do mercado nacional de criptoativos debateram a recente proibição dos sites de mercados preditivos no Brasil, como Polymarket e Kalshi. Durante o painel “Mercados preditivos em ano de Copa e eleição” discutiu os desafios regulatórios de uma categoria que vem ganhando espaço globalmente, mas que ainda enfrenta barreiras de compreensão e enquadramento no Brasil.
A conversa reuniu Ricardo Vieira (Triad Markets) e Luiz Felipe (B3) no Palco TokenNation.
“O Brasil não tem arcabouço regulatório suficiente para o mercado preditivo. Ainda é preciso muita educação. O maior risco do mercado preditivo no Brasil hoje é a exportação dele para fora. É preciso construir nosso próprio ecossistema”, explicou o head de marketing da Triad Markets, Ricardo Vieira.
Luiz Felipe destacou que a regulação é necessária, mas precisa ser construída de forma positiva para que o Brasil não fique para trás.
“Grandes portais já usam o mercado preditivo para a apuração. Parece bet, mas não é. A regulação precisa acontecer, mas com um arcabouço regulatório positivo para não ficarmos para trás”, afirmou o diretor de relacionamento com cliente da B3, Luiz Felipe.
Adoção de cripto no mundo real
Já o painel “Adoção de cripto no mundo real” reuniu Francisco Carvalho (Blockchain Rio), Rafael Castaneda (Oxus Finance), Orlando Telles (On Crypto Research) e Lucas Amendola (Defiverso) para discutir como a blockchain está sendo integrada a produtos do mercado tradicional.
Durante o debate, Orlando Telles avaliou que as stablecoins deixaram de ser apenas uma ferramenta interna do ecossistema cripto e passaram a ser observadas por sua capacidade de gerar eficiência para outros mercados.
“Antes, as stablecoins serviam como ferramenta para facilitar nosso ecossistema. Hoje está institucionalizado, e a indústria está buscando extrair valor e gerar eficiência para outros mercados. Esse é o maior valor da tecnologia hoje: agregar valor e novos produtos para outros mercados”, afirmou o fundador da On Crypto Research, Orlando Telles.
Lucas Amendola destacou que a próxima fase do mercado deve ser marcada pelo avanço de infraestrutura e regulação.
“O mercado financeiro não está sendo substituído pelo mercado cripto, mas sim absorvido por ele. Por enquanto, stablecoins e RWA estão abrindo caminho, mas a tendência é ver mais infraestrutura de blockchain aplicada em produtos e serviços de outros mercados”, afirmou Lucas Amendola, CEO do Defiverso.
Já Rafael Castaneda comparou a trajetória de cripto à digitalização bancária impulsionada por fintechs como o Nubank.
“O Nubank não matou os grandes bancos, apenas consolidou seu lugar e mostrou que eles precisavam se digitalizar. É isso que vejo para cripto. Não estamos destruindo o sistema tradicional, estamos nos integrando a ele. Vai chegar um dia em que o usuário estará usando blockchain por meio de um cartão ou banco digital e não vai saber”, afirmou o COO da Oxus Finance, Rafael Castaneda.
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