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Escrito por Cassio Gussonstaff writerRevisado por Lucas Caramstaff editor

COFECI-CRECI abre com debates sobre digitalização das transações imobiliárias

Últimas NotíciasPublicado4 de jun. de 2026

Evento reuniu mais de mil profissionais em Foz do Iguaçu para discutir como inteligência artificial, dados e plataformas digitais podem transformar a corretagem imobiliária no Brasil.

A transformação digital do mercado imobiliário brasileiro ganhou destaque na abertura da VI Convenção Nacional do Sistema COFECI-CRECI (CONVENSI), realizada nesta terça-feira (4), em Foz do Iguaçu (PR).

O evento reuniu representantes dos 27 estados brasileiros, incluindo presidentes dos Conselhos Regionais de Corretores de Imóveis (CRECIs), conselheiros e lideranças do setor para discutir como tecnologias como inteligência artificial, análise de dados e digitalização de processos podem remodelar a atividade de corretagem nos próximos anos.

Durante a cerimônia de abertura, o presidente do Sistema COFECI-CRECI, João Teodoro da Silva, destacou que o papel da entidade ultrapassa a função regulatória e de fiscalização da profissão.

Segundo ele, o sistema também atua na defesa dos interesses da categoria e na modernização de um mercado que movimenta parte relevante da economia brasileira. Atualmente, o Sistema COFECI-CRECI reúne mais de 700 mil corretores de imóveis e cerca de 74 mil imobiliárias em todo o país, configurando o segundo maior mercado de corretagem imobiliária do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos.

A discussão sobre inovação começou logo na primeira palestra do evento, conduzida por Andreas Blazoudakis, fundador de empresas de tecnologia e um dos empreendedores envolvidos na criação do iFood.

O executivo apresentou uma análise sobre a evolução digital do mercado imobiliário e argumentou que o setor ainda se encontra em estágio inicial de digitalização quando comparado a segmentos como delivery, turismo e comércio eletrônico.

Segundo Blazoudakis, a publicação da Resolução nº 1.551 pelo COFECI, em agosto de 2025, criou as bases regulatórias para ampliar a presença dos corretores brasileiros no ambiente digital. Para ele, a tendência é que a tecnologia reduza atritos nas negociações, aumente a eficiência operacional e permita a criação de plataformas capazes de conectar profissionais, compradores e investidores em larga escala.

“O primeiro empreendedor individual bilionário do Brasil será um corretor de imóveis”, afirmou o executivo ao defender que o setor possui potencial para replicar modelos de negócios digitais que transformaram mercados fragmentados em grandes ecossistemas conectados.

Digitalização dos imóveis no Brasil

Blazoudakis comparou a evolução do mercado imobiliário ao crescimento de plataformas como iFood, Booking e Mercado Livre. Segundo ele, empresas que conseguem organizar redes digitais eficientes passam a concentrar demanda, gerar efeitos de escala e ampliar significativamente seu valor de mercado. Na sua avaliação, o potencial econômico do segmento imobiliário é ainda mais expressivo devido ao elevado valor das transações realizadas no setor.

O executivo também destacou que a próxima fase da transformação imobiliária será impulsionada pela combinação entre inteligência artificial, automação e análise de dados. Nesse cenário, plataformas imobiliárias poderão utilizar modelos preditivos para identificar tendências de mercado, cruzar informações de diferentes fontes e oferecer experiências mais personalizadas para compradores, vendedores e investidores.

A discussão sobre dados e inteligência artificial também esteve presente nas apresentações sobre o Observatório Imobiliário Brasileiro (OIB), iniciativa criada pelo Sistema COFECI-CRECI para consolidar indicadores, pesquisas e informações estratégicas sobre o mercado nacional. A proposta é criar uma base estruturada capaz de alimentar ferramentas analíticas e aplicações de IA voltadas ao setor.

Para Celso Pereira Raimundo, diretor-geral do Observatório Imobiliário Brasileiro, a digitalização da corretagem depende diretamente da qualidade das informações disponíveis. Segundo ele, a inteligência artificial só consegue gerar resultados consistentes quando alimentada por bases de dados organizadas e confiáveis.

“A inteligência artificial precisa de informação organizada para gerar valor real ao mercado. O Observatório Imobiliário Brasileiro nasce justamente para transformar dados dispersos em inteligência estratégica para corretores, investidores, gestores e para o próprio mercado imobiliário brasileiro”, afirmou.
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