Resumo da notícia:
Potencial de energia limpa do Brasil atrai mineração de Bitcoin.
Radius Mining quer driblar curtailment pela ligação das máquinas diretamente à geração.
Criptogatos, por outro lado, são um problema à geração de energia elétrica no país.
Um balanço divulgado no final do ano passado pelo Ministério de Minas e Energia (MME) e pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) revelou que a oferta interna de energia elétrica atingiu a marca de 762,9 terawatt-hora (TWh) em 2025. O que tem atraído mineradores de Bitcoin (BTC) e, inclusive, organizações criminosas.
Segundo o governo, o Brasil gera 88% da sua energia elétrica a partir de fontes renováveis, incluindo a energia gerada pelo vento (eólica) e pelo sol (solar), que representam 23,7% de participação na geração total de eletricidade do país, em 2024.
Por outro lado, a produção de energia eólica e solar enfrenta a refração de investidores, por causa dos desligamentos para evitar blecautes decorrentes de excesso de energia elétrica, o que é conhecido como curtailment.
Em contrapartida, o excesso de produção energética tem atraído mineradoras de Bitcoin como a Radius Mining, que se encontra em fase de negociação de acordo para aproveitar a energia atualmente desperdiçada por geradores. Segundo reportagem do Brazil Journal, a empresa levantou R$ 28 milhões junto a seus fundadores e em uma rodada inicial de captação. Entre os investidores está Leonardo Midea, ex-sócio da Prime Energy, comercializadora e consultoria que foi vendia à Shell em 2023.
Segundo ele, as máquinas de circuitos integrados de aplicação específica (ASICs), usados na mineração de Bitcoin, não seriam ligadas ao grid e sim à geração, para driblar o curtailment. Já o CEO e fundador da Radius, Flávio Hernandez, justificou a operação dizendo que alguns geradores estão tendo cortes de até 60% e que a mineradora se encontra com três frentes de negociação avançadas.
Enquanto a mineração de Bitcoin se apresenta como uma possível solução para o excesso de energia limpa produzida no Brasil, ela também se tornou um problema no país pelo roubo de energia fornecida pelas concessionárias, através dos “criptogatos”. Entre eles, os mineradores de Bitcoin clandestinos acusados de roubar R$ 720 mil em energia em São Sebastião, na região administrativa do Distrito Federal (DF).
Desbaratada pela Operação Satoshi, a mineradora clandestina de São Sebastião pode ter custado cerca de R$ 1,5 milhão e “não foi obra de bandidos comuns”, segundo avaliação feita à Veja pelo gerente de gestão da concessionária Neoenergia, Arthur Franklin.
Mais especialistas ouvidos pela reportagem foram unânimes em dizer que os “criptogatos” se tornaram uma nova frente de atuação do crime organizado no Brasil, considerando outras mineradoras clandestinas semelhantes à do DF, descobertas pelas polícias de estados como Rio de Janeiro, São Paulo e Rio Grande do Sul.
Em janeiro, a polícia de Alagoas também desarticulou uma mineradora clandestina de Bitcoin suspeita de furtar R$ 750 mil em energia, conforme noticiou o Cointelegraph Brasil.

