Cointelegraph
LINK$8.98 1.78%
TRX$0.3507 3.92%
BCH$304.86 6.56%
DOGE$0.09954 2.09%
XLM$0.2095 19.40%
ZEC$535.74 1.57%
ETH$2,013 1.82%
BNB$638.16 0.60%
SOL$82 1.68%
HYPE$61.35 7.02%
XMR$359.47 5.85%
XRP$1.31 2.36%
ADA$0.2351 2.39%
BTC$73,642 0.98%
Escrito por Cassio Gusson ⁠, Staff Writer.Revisado por Lucas Caram ⁠, Staff Editor.

Banco Central do Brasil vai tornar exchanges cripto mais seguras que bancos para guardar dinheiro

Últimas NotíciasPublicadoMay 30, 2026

Novas exigências de segregação patrimonial, prova de reservas e auditoria independente mudam a arquitetura de proteção dos investidores no mercado de ativos digitais

hong-kong-media-chinese-tech-firms-may-partner-with-digital-banks-to-apply-for-stablecoin-licenses

A nova regulamentação do mercado de ativos virtuais no Brasil pode produzir um efeito inesperado: tornar plataformas cripto reguladas estruturalmente mais protegidas para custodiar recursos de clientes do que qualquer um dos bancos do Brasil que dependem da cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

A avaliação é de André Carvalho, CIO da DeFin, que vê nas regras implementadas pelo Banco Central uma mudança profunda na forma como o risco é tratado dentro do sistema financeiro.

O debate ganhou força após a recente crise envolvendo o Banco Master e bancos de menor porte que captaram bilhões de reais por meio de CDBs oferecendo retornos acima da média de mercado.

Embora os investidores tenham contado com a proteção do FGC, os episódios reacenderam discussões sobre a diferença entre possuir um seguro contra perdas e contar com mecanismos que reduzam o risco antes mesmo que um problema aconteça.

Segundo Carvalho, a cobertura do FGC continua cumprindo seu papel de preservar a estabilidade do sistema financeiro, mas não deve ser confundida com uma garantia de qualidade da instituição emissora.

“O FGC não previne crises. Ele apenas mitiga as consequências depois que elas acontecem. Confundir essas duas funções pode levar investidores a ignorarem riscos relevantes”, afirma.

Mais seguro na exchange que no banco

O ponto central da discussão está nas Resoluções 519, 520 e 521 do Banco Central, publicadas em novembro de 2025 e que entraram em vigor em fevereiro deste ano. As normas obrigam prestadoras de serviços de ativos virtuais a manter os recursos dos clientes segregados do patrimônio da empresa, além de exigir prova de reservas auditada por terceiros independentes.

Isso significa que uma exchange autorizada não pode utilizar os ativos dos clientes para financiar suas próprias operações. Caso a plataforma enfrente dificuldades financeiras, os recursos dos usuários permanecem separados e não entram na massa patrimonial da companhia.

“A capacidade de honrar obrigações com o cliente deixa de depender diretamente do balanço da instituição. A plataforma passa a atuar como custodiante e não como tomadora dos recursos”, explica Carvalho.

“A capacidade de honrar obrigações com o cliente deixa de depender diretamente do balanço da instituição. A plataforma passa a atuar como custodiante e não como tomadora dos recursos”, explica Carvalho.

A lógica difere do modelo tradicional de captação bancária. Quando um investidor compra um CDB, o dinheiro passa a integrar a estrutura de financiamento do banco. Se a instituição quebrar, o investidor depende do FGC para recuperar os valores dentro dos limites estabelecidos pela garantia.

Para Carvalho, as duas arquiteturas resolvem problemas semelhantes por caminhos completamente diferentes. “Uma protege o investidor por meio de um seguro depois do evento. A outra cria uma barreira estrutural antes do evento ocorrer”, afirma.

O especialista ressalta que a nova regulamentação não elimina riscos nem torna automaticamente uma exchange mais sólida do que um banco. Segundo ele, os modelos possuem funções distintas e níveis diferentes de exigências de capital regulatório. Ainda assim, a separação obrigatória dos recursos cria uma camada adicional de proteção que não existe em operações tradicionais de captação bancária.

Renda Fixa Digital

A discussão também ganha relevância em um momento de crescimento acelerado dos mercados digitais de crédito. Dados do Relatório Renda Fixa Digital 2026, elaborado pela DeFin Research, mostram que o segmento movimentou R$ 3,34 bilhões ao longo de 2025 por meio de 614 emissões. Os ativos foram distribuídos para mais de 200 mil investidores sem qualquer cobertura do FGC.

O levantamento aponta que instrumentos como CCBs, CRIs e notas comerciais registradas digitalmente alcançaram rentabilidade média estimada em 18,9% ao ano. Segundo Carvalho, a ausência de uma garantia estatal obrigou investidores e plataformas a desenvolverem processos mais rigorosos de análise de risco.

“Quando não existe seguro, o investidor analisa melhor. Quando a plataforma sabe que um problema de crédito pode destruir sua reputação, ela seleciona operações com mais cuidado. Sem atalhos, o processo precisa funcionar”, diz.

O executivo destaca que a nova regulamentação do Banco Central se aproxima justamente dessa lógica. Em vez de depender exclusivamente de mecanismos de compensação após uma eventual quebra, as normas procuram impedir que os recursos dos clientes sejam confundidos com o patrimônio da instituição.

Com a expectativa de avanço das discussões sobre tokenização, crédito digital e ativos virtuais nos próximos anos, especialistas acreditam que o mercado brasileiro caminha para um modelo em que a análise de risco, a transparência operacional e a segregação patrimonial terão peso crescente na proteção dos investidores.

Para Carvalho, a principal lição deixada pelos episódios recentes não está na eficiência do FGC, mas no comportamento dos próprios investidores. “Talvez a pergunta correta não seja se um ativo tem ou não tem FGC. Talvez a pergunta seja: eu investiria nesse ativo se ele não tivesse essa proteção?”, conclui.

A Cointelegraph está comprometida com um jornalismo independente e transparente. Este artigo de notícias é produzido de acordo com a Política Editorial da Cointelegraph e tem como objetivo fornecer informações precisas e oportunas. Os leitores são incentivados a verificar as informações de forma independente. Leia a nossa Política Editorial https://cointelegraph.com.br/editorial-policy

Mais sobre o assunto