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Escrito por Cassio Gusson ⁠, Staff Writer.Revisado por Lucas Caram ⁠, Staff Editor.

Stablecoins em Reais já movimentam mais de US$ 1 bilhão por mês e se tornam a 2ª maior do mundo

Últimas NotíciasPublicadoMay 30, 2026

Relatório da Dune Analytics mostra avanço acelerado das stablecoins lastreadas em real, impulsionado por PIX, pagamentos transfronteiriços e integração com infraestrutura financeira tradicional.

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As stablecoins lastreadas em real brasileiro ultrapassaram a marca de US$ 1 bilhão em volume mensal de transações, consolidando o Brasil como o segundo maior mercado de moedas estáveis em moeda local do mundo, atrás apenas das stablecoins denominadas em euro.

O dado faz parte do relatório Beyond Dollarization: The Rise of Local Currency Stablecoins, produzido pela Dune Analytics em parceria com a Visa.

Segundo o estudo, o volume movimentado pelas stablecoins em real saltou de aproximadamente US$ 180 milhões em janeiro de 2023 para cerca de US$ 1 bilhão em fevereiro de 2026, passando a representar aproximadamente 10% de toda a atividade global das stablecoins lastreadas em moedas locais.

O crescimento ocorre em um momento em que o mercado busca alternativas à dependência do dólar para pagamentos internacionais, remessas e liquidação financeira.

O levantamento mostra que o avanço não acontece apenas no Brasil. O mercado global de stablecoins em moedas locais cresceu de cerca de US$ 600 milhões em volume mensal para US$ 10 bilhões no mesmo período, uma expansão de 16 vezes em três anos. Ainda assim, o real aparece como uma das moedas que mais ganharam relevância dentro desse movimento de "desdolarização" dos fluxos financeiros digitais.

Esse crescimento demonstra que as stablecoins estão começando a atuar como infraestrutura financeira. Tanto no Brasil quanto globalmente, vemos as stablecoins funcionando nos bastidores, enquanto a experiência do usuário permanece simples, muito semelhante a qualquer outro método de pagamento. O Brasil é um dos mercados onde isso já é mais visível: a combinação do Pix com avanços regulatórios ajudou a integrar o blockchain ao sistema de pagamentos, acelerando casos de uso reais em moeda local", destacou Fábio Plein, Diretor Regional da Coinbase para as Américas.

Plein também argumenta que o Brasil consolidou-se como referência global em inovação financeira graças ao Pix e, agora, vive um amadurecimento semelhante no mercado de criptoativos.

Contudo, as novas exigências da Resolução 520 do Banco Central podem criar barreiras operacionais, como a exigência de contas individualizadas e também a inviabilidade do BaaS para alta frequência.

Crescimento das stablecoins lastreadas em reais

Os dados da Dune Analitcs também aponta que a curva de crescimento das stablecoins em moedas locais, como no caso do Brasil, acelerou principalmente ao longo de 2025 e início de 2026, período em que a capitalização combinada das stablecoins em real acompanhou a expansão do mercado e atingiu patamares recordes.

O movimento sugere que o real começa a ganhar relevância não apenas como instrumento doméstico, mas também como ativo de liquidação para operações internacionais dentro do ecossistema blockchain.

O avanço aparece também na base de usuários. Os dados da Dune mostram que o número de carteiras que possuem stablecoins em real cresceu de forma consistente nos últimos três anos e passou a representar uma fatia cada vez maior dos mais de 1,2 milhão de endereços que utilizam stablecoins em moedas locais.


PIX impulsiona adoção de stablecoins em real

O relatório dedica um estudo de caso específico ao Brasil e destaca a BRLA, stablecoin emitida pela Avenia e lastreada integralmente por depósitos em reais e títulos públicos brasileiros. Segundo a Dune, a moeda digital ganhou espaço ao resolver problemas históricos da América Latina relacionados a pagamentos internacionais, custos cambiais elevados e lentidão na liquidação financeira.

Os dados mostram que o volume on-chain da BRLA cresceu oito vezes em relação ao ano anterior e superou US$ 400 milhões em fevereiro de 2026. Ao mesmo tempo, a infraestrutura de pagamentos da empresa, chamada Avenia Pay, registrou crescimento superior a seis vezes em apenas um ano. O volume mensal processado pela plataforma passou de US$ 64 milhões em janeiro de 2025 para US$ 440 milhões em janeiro de 2026.

Para os pesquisadores, o principal diferencial brasileiro está na integração entre blockchain e o sistema financeiro tradicional. O estudo destaca que a conexão direta com o PIX permitiu criar uma ponte entre contas bancárias, stablecoins e meios de pagamento globais, transformando o real tokenizado em uma infraestrutura operacional para liquidação de pagamentos.

Um dos exemplos citados é o aplicativo Picnic. Nele, o usuário realiza um depósito via PIX, que é convertido automaticamente em BRLA, depois em USDC e finalmente disponibilizado como saldo utilizável em um cartão Visa. Todo o processo ocorre nos bastidores, sem exigir qualquer conhecimento técnico sobre blockchain ou stablecoins. Somente em janeiro de 2026, quase 1.400 usuários movimentaram cerca de US$ 1,6 milhão por meio dessa estrutura.

Crescimento acompanha amadurecimento regulatório

O relatório aponta que o avanço das stablecoins em moedas locais está diretamente ligado à evolução regulatória. No caso brasileiro, as resoluções publicadas pelo Banco Central em 2025 e a crescente integração com o PIX ajudaram a impulsionar tanto o número de usuários quanto o volume financeiro movimentado.

Os números reforçam essa tendência. O total de endereços únicos que utilizam stablecoins em moedas locais saltou de aproximadamente 40 mil para mais de 1,2 milhão entre janeiro de 2023 e fevereiro de 2026. Já o número de remetentes mensais cresceu de cerca de 6 mil para 135 mil no mesmo período.

A Dune conclui que as stablecoins locais deixaram de ser apenas instrumentos ligados ao mercado cripto e passaram a funcionar como infraestrutura financeira para pagamentos, tesouraria corporativa, remessas internacionais e operações cambiais. Nesse cenário, o real brasileiro surge como uma das moedas que mais rapidamente transformam essa visão em uso prático, apoiado por uma combinação de regulamentação, integração bancária e adoção em larga escala.

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