Resumo da notícia:
B3 decide ampliar para 11 horas, de segunda a sexta-feira, negociações de futuros de criptomoedas e do ouro.
Cripto não dorme, ouro reage ao mundo em tempo real e a B3 entendeu esse recado, avalia advogado.
Decisão segue tendência global, diz especialista.
A B3 ampliou esta semana o horário de negociação de contratos futuros de criptomoedas, seguindo uma tendência global, segundo especialistas.
De acordo com a bolsa de valores do Brasil, contratos futuros de Bitcoin (BTC), Ethereum (ETH), Solana (SOL) e ouro (GLD) passam a ser transacionados de segunda a sexta-feira, de 9 às 20 horas, totalizando um período de 11 horas de negociação por dia.
A ampliação do pregão ocorre na seara do crescimento da exposição institucional por criptomoedas e produtos desse segmento, além do ouro. O que também reflete a busca por flexibilização para operações fora do horário comercial.
Tiago Severo, advogado especialista em regulação de criptomoedas e sócio do Panucci, Severo e Nebias Advogados, comemorou a iniciativa dizendo que “cripto não dorme, ouro reage ao mundo em tempo real e a B3 entendeu esse recado”.
Ao ampliar o pregão, a bolsa dá um passo importante para tornar o mercado brasileiro mais responsivo, mais competitivo e mais alinhado ao relógio financeiro global, emendou.
Segundo ele, do ponto de vista institucional, a medida é relevante porque combina inovação de mercado com previsibilidade operacional.
A B3 amplia a janela de formação de preço e de gestão de risco sem abrir mão de infraestrutura de clearing, alocação e supervisão, o que é especialmente importante em ativos mais voláteis como os criptoativos, completou.
Isac Costa, diretor do Instituto Brasileiro de Inovação e Tecnologia (Ibit), lembrou que a decisão da B3 de ampliar a janela de negociação de futuros de criptoativos e ouro não é um movimento isolado.
Nos Estados Unidos, NYSE, Nasdaq e Cboe já se moveram para modelos de 22 horas, 23 horas ou quase 24x5. No pós-negociação, o encurtamento do ciclo para T+1 [liquidação no próximo dia útil] já virou realidade no mercado americano, comentou.
Costa salientou que o mercado de criptomoedas acostumou investidores e intermediários à ideia de preço em tempo quase contínuo, reação imediata a eventos e acesso fora do expediente tradicional. De acordo com o especialista, o mercado regulado não virou mercado cripto, mas passou a competir com esse padrão de expectativa.
Horário maior não significa mercado melhor em qualquer circunstância. Fora do pico de liquidez, o investidor pode enfrentar spreads mais abertos, maior sensibilidade a ordens pontuais, formação de preço mais ruidosa e assimetrias informacionais mais intensas, com risco de manipulação, finalizou.
A iniciativa da B3 acontece em um possível momento de oportunidade de compra de Bitcoin, segundo avaliação do CEO e cofundador da exchange argentina Ripio, Sebastián Serrano, conforme noticiou o Cointelegraph Brasil.

