Resumo da notícia:
Adoção média de IA por estabelecimentos de saúde no Brasil em 2025 chega a 18%.
Percentual alcança 31% nos estabelecimentos com mais de 50 leitos, mas fatores limitantes se mantêm altos, entre 50% e 60%.
Desafios incluem profissionais qualificados, capacidades institucionais, governança, regulamentação e interoperabilidade.
Divulgada na última terça-feira (12), a 12ª edição da pesquisa TIC Saúde revelou que 18% dos estabelecimentos de saúde brasileiros utilizaram inteligência artificial (IA) em 2025. Apesar dos avanços, o levantamento mostrou que os fatores limitantes ainda são expressivos, em torno de 50% e 60%.
O percentual de adoção de IA chegou a 31% nos estabelecimentos com mais de 50 leitos e a 29% nos Serviços de Apoio Diagnóstico e Terapêutico (SADT), de acordo com o estudo veiculado pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), por meio do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br).
Entre os estabelecimentos que já utilizam Inteligência Artificial, os modelos com IA generativa são os mais adotados, presentes em 76% dos estabelecimentos. Na sequência aparece a mineração de texto (52%) e a automação de processos (48%). A principal aplicação da IA está relacionada à organização de processos clínicos e administrativos, seguida por melhoria na segurança digital (36%) e aumento da eficiência dos tratamentos (32%).
O levantamento mostra que a adoção de IA ainda enfrenta obstáculos significativos, apesar do crescimento contínuo: nos hospitais com mais de 50 leitos, os principais desafios apontados pelos gestores são os custos elevados (63%), a falta de priorização institucional (56%) e as limitações relacionadas a dados e capacitação (51%). Já nos SADT, prevalecem fatores como falta de interesse (60%), ausência de prioridade (64%) e preocupações com privacidade de dados (50%).
Os resultados indicam que a adoção da IA depende não apenas da infraestrutura tecnológica, mas também de capacidades institucionais, da governança de dados e reconhecimento estratégico dessa inovação.
Luciana Portilho, coordenadora de projetos de pesquisas do Cetic.br, explicou que “o avanço do uso da Inteligência Artificial na saúde exige profissionais qualificados para que essa tecnologia seja aplicada de forma segura e responsável”.
Além disso, a consolidação de diretrizes e marcos regulatórios é fundamental para sustentar a adoção ética da IA em um setor que lida com informações sensíveis e impacta diretamente no cuidado com os pacientes, destacou.
A pesquisa também revela um uso ainda restrito de Big Data no setor. Somente 9% dos estabelecimentos realizaram análises com apoio dessa tecnologia em 2025, com maior incidência em estabelecimentos privados (11%) e em hospitais de maior porte (com mais de 50 leitos) (30%). As análises concentram-se, principalmente, em dados gerados pelas próprias instituições, como prontuários e registros administrativos.
Desafio da interoperabilidade
O estudo aponta que a troca de dados de saúde entre diferentes estabelecimentos ainda representa um desafio. Embora a digitalização avance no setor, com 92% dos estabelecimentos utilizando sistemas eletrônicos para registro de informações dos pacientes, menos da metade (44%) dos estabelecimentos possuem sistemas que permitam o envio ou recebimento de encaminhamentos eletrônicos, sendo que há uma maior incidência no setor público (64%) do que no privado (28%).
A edição do TIC Saúde revela ainda que 41% dos estabelecimentos podem enviar ou receber relatório sobre assistência prestada ao paciente (55% dos públicos e 29% dos privados), e 37% podem enviar ou receber resultados de exames laboratoriais (47% dos públicos e 29% dos privados). Nesse contexto, pela primeira vez a TIC Saúde investigou a integração à Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS) do Ministério da Saúde, considerada estratégica para a interoperabilidade e a continuidade do cuidado em saúde. Os dados indicam que 44% dos estabelecimentos estão conectados à rede, com maior presença nas UBS (72%) e no setor público (64%).
A interoperabilidade entre os sistemas de saúde pode contribuir para ampliar a eficiência dos serviços e melhorar a experiência do paciente, ao facilitar o compartilhamento seguro de informações clínicas entre diferentes estabelecimentos, acrescentou Portilho.
Avanço apoiado pela tecnologia
A conectividade tem impulsionado significativamente a saúde. A expansão do acesso à Internet, a ampliação das conexões via cabo e fibra ótica, e o aumento das velocidades tem contribuído para o melhor funcionamento dos serviços de saúde, viabilizando o uso de sistemas eletrônicos, a comunicação entre profissionais e a oferta de novos serviços.
Em 2025, serviços online disponibilizados aos pacientes, como a visualização de resultados de exames, foram oferecidos por 39% dos estabelecimentos, o agendamento de consultas por 34% e o de exames por 32%. O maior avanço ocorreu na interação online com a equipe de saúde, que saltou de 16% em 2023 para 35% em 2025, evidenciando uma maior adoção de canais digitais de comunicação com pacientes.
A oferta desses serviços varia conforme o tipo de estabelecimento, com maior presença em SADT para visualização de resultados de exames (72%), e nas UBS para interação com equipes (42%).
Entre os serviços de telessaúde, em 2025, a teleconsultoria foi a modalidade mais difundida (36%), seguida por teleconsulta (28%), telediagnóstico (27%) e telemonitoramento (20%). Todos esses serviços apresentaram crescimento em relação aos anos anteriores, o que indica uma expansão gradual do atendimento remoto e uma maior integração entre profissionais de saúde.
Segurança e proteção de dados
A segurança da informação e a proteção de dados mostram-se como áreas de atenção nos estabelecimentos de saúde, com 42% deles possuindo uma política formal de segurança, sendo que a adesão é maior no setor privado (54%) em comparação com o público (28%). Quase metade dos estabelecimentos de saúde (47%) realizou treinamentos em segurança da informação para os funcionários. No entanto, a implementação de medidas mais robustas relacionadas à LGPD ainda é reduzida; enquanto campanhas de conscientização são a prática mais comum (46%), ações estruturadas, como a definição de um encarregado de dados ou planos de resposta a incidentes, são adotadas por apenas cerca de 30% dos estabelecimentos.
Pesquisa
Para a edição de 2025, o comitê informou que houve uma mudança metodológica, com a ampliação do escopo de investigação sobre Big Data e IA para todos os estabelecimentos com computador, e não apenas para aqueles com área de TI, como fôra realizado até 2024.
Nos últimos anos, observamos uma rápida disseminação das tecnologias de Inteligência Artificial. Por isso, tornou-se importante ampliar a investigação para compreender como essas tecnologias vêm sendo incorporadas pelo conjunto dos estabelecimentos de saúde, explicou Alexandre Barbosa, gerente do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br).
A pesquisa tem o objetivo de investigar a penetração das TIC nos estabelecimentos de saúde e sua apropriação por profissionais de saúde. Nesta 12ª edição, as entrevistas ocorreram entre fevereiro e novembro de 2025 com 3.270 gestores de estabelecimentos de saúde localizados em todo o território nacional. A pesquisa é organizada pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br) por meio do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), departamento do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br) e conta com o apoio institucional de organismos internacionais – como a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) e Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) - além do apoio institucional e técnico do Ministério da Saúde, da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), do Conselho Nacional de Secretarias de Saúde (Conass), do Conselho Nacional das Secretarias Municipais de Saúde (Conasems), da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH), da Sociedade Brasileira de Informática em Saúde (SBIS) e de especialistas vinculados a importantes universidades.
Na Argentina, o impulso é sobre as stablecoins, por conta de estudantes de Medicina brasileiros, conforme noticiou o Cointelegraph Brasil.

