
Investidores em cripto têm menos medo, mais disciplina e maior diversificação, aponta pesquisa
Pesquisa do Mercado Bitcoin mostra que a experiência prática reduz a percepção de risco e aproxima investidores de estratégias mais disciplinadas e diversificadas.

O receio em relação aos criptoativos ainda é uma das principais barreiras para a entrada de novos investidores no mercado. Mas os dados mostram que, uma vez superada essa etapa inicial, a percepção sobre a categoria muda significativamente.
A pesquisa “Panorama do Investidor Brasileiro: ativos digitais e o futuro dos investimentos”, realizada pelo Mercado Bitcoin em parceria com o Opinion Box, revela que metade (52%) dos investidores que nunca tiveram exposição a criptoativos afirmam ter medo desse tipo de investimento. Entre aqueles que investem atualmente na categoria, o percentual cai para apenas 18%, indicando que a experiência prática contribui para reduzir a percepção de risco e aumentar a familiaridade com o mercado.
“O desconhecimento ainda é um dos principais fatores que alimentam a desconfiança em relação aos ativos digitais. À medida que o investidor passa a entender melhor a dinâmica desse mercado e incorpora os criptoativos à sua estratégia, a percepção tende a se tornar mais equilibrada e menos baseada em receios”, afirma Giresse Contini, diretor do MB | Mercado Bitcoin.
A pesquisa também revela diferenças importantes no comportamento financeiro entre os dois grupos. Entre os investidores em criptoativos, 68% afirmam realizar aportes frequentemente, sejam eles semanais, quinzenais ou mensais. Entre aqueles que nunca investiram em ativos digitais, o percentual de quem investe em alguma das opções disponíveis (seja ela Tesouro Nacional, CDB, poupança ou alguma outra) é de 56%.
O resultado sugere que a proximidade com os ativos digitais está associada a uma relação mais constante com os investimentos e a uma visão mais voltada para a construção gradual de patrimônio ao longo do tempo.
Diversificação é marca dos investidores em ativos digitais
Ao contrário da percepção de que investir em cripto significa concentrar recursos em ativos de maior risco, o levantamento aponta que investidores da categoria tendem a diversificar mais suas carteiras.
Entre aqueles que investem em criptoativos, 70% afirmam priorizar a diversificação dos investimentos. Já entre os investidores que nunca tiveram exposição a ativos digitais, apenas 32% adotam essa estratégia.
Longe de substituir aplicações tradicionais, os criptoativos aparecem como um complemento na estratégia de investimento dos brasileiros. A pesquisa mostra que investidores em ativos digitais possuem, em média, 5,2 tipos de produtos financeiros na carteira, mais que o dobro da média observada entre aqueles que nunca investiram na categoria (2,4), reforçando uma postura mais diversificada de alocação de patrimônio.
Menos reatividade diante das perdas
Outro indicador relevante identificado pela pesquisa está relacionado ao comportamento diante de momentos adversos do mercado. Entre os investidores que nunca tiveram criptoativos, 31% afirmam considerar mudanças na estratégia de investimentos após registrar perdas financeiras. Entre os investidores em cripto, esse percentual cai para 25%.
Investidores de criptoativos entendem melhor a volatilidade do mercado e, mesmo nos momentos de queda mais acentuada do valor do Bitcoin, enxergam a oportunidade para compra. Em fevereiro, o número de compradores de BTC foi muito maior do que de vendedores.
A diferença sugere uma maior resiliência entre aqueles que convivem com ativos tradicionalmente mais voláteis, desenvolvendo uma visão mais orientada ao longo prazo e menos suscetível a decisões impulsivas motivadas por oscilações de mercado.
O monitoramento das aplicações financeiras também é uma prática amplamente difundida entre os investidores em criptoativos. Segundo a pesquisa, 80% acompanham regularmente seus investimentos, percentual ligeiramente superior aos 75% observados entre aqueles que nunca investiram na categoria.
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