
Parceria da ABCripto com Juntos por Cripto vai focar no Congresso Nacional
O painel de abertura contou com reguladores e autoridades do Brasil, Uruguai e El Salvador que discutiram o impacto da regulação correta para o mercado de criptoativos

Durante o painel de abertura do Blockchain Rio, os participantes deram o tom: regulação com inovação. Julia Rosin, presidente da ABCripto, afirmou que os próximos quatro anos são essenciais para a evolução do setor.
A executiva explicou que, por esse motivo, a associação juntou forças com a Juntos por Cripto, organização sem fins lucrativos, para focar na educação dos reguladores sobre o assunto. “Esse ano é decisivo para o mercado de criptoativos”, afirmou Julia.
“Quem realmente pode ajudar a consolidar o mercado de stablecoins é o Congresso Nacional. Não o Banco Central, nem a CVM. E já estamos em conversa com eles. Os próximos quatro anos podem dar uma nova cara para o setor”, complementou.
Sobre a regulação das prestadoras de serviços em ativos virtuais (PSAVs), que entra em vigor em outubro, Julia diz que é o principal marco de 2026. Além disso, a presidente da ABCripto declarou que o grupo de estudos em conjunto com a CVM já está rendendo frutos.
“Existe um grupo de trabalho com a CVM sobre tokenização. No grupo de estudos é observado como tokenizar ativos com segurança e outros temas. A CVM tem metas bem ousadas para este ano”, afirmou.
Em sua opinião, o momento é essencial para a indústria. “A regulação é o que vai pavimentar o caminho do mercado. Trabalhamos junto ao regulador para que existam regras que sejam de fato inteligentes, e condizem com o que o mercado precisa”, finalizou Julia.
Importância do mercado de ativos digitais e setor público
Ao longo da sessão, as autoridades destacaram a importância de educar o setor público sobre a tecnologia blockchain, além de abordar a necessidade de existir uma definição para cada componente do mercado.
“Como discutir sobre a tecnologia dentro das definições corretas e sem quebrar o ritmo da inovação? Educar os reguladores é o primeiro passo”, disse Rodrigoh Henriques, Diretor de Inovação e Estratégia do Instituto Fenasbac.
Na visão de Juan Carlos Reyes, Presidente da Commision Nacional de Activos Digitales de El Salvador, o Brasil tem uma enorme diferença de El Salvador: o tamanho da indústria.
“El Salvador, um país pequeno, conseguiu implementar regras com relativa rapidez. O Brasil, por outro lado, é uma grande economia e precisa ser cauteloso nesse processo. Ao mesmo tempo, o setor não está unificado a ponto de poder fazer uma única solicitação ao governo”, disse.
Reyes afirma que ainda há muita criptomoeda no mercado, além de muita centralização. O foco do setor financeiro tradicional está sendo adotar a tokenização na tecnologia blockchain.
“Portanto, quem tiver mais dinheiro, quem conseguir se organizar mais rapidamente e apresentar uma proposta que o governo possa supervisionar e regular, é quem vai prevalecer. O mercado está muito segregado no momento. É uma bagunça. Ainda não atingiu a maturidade necessária para exigir uma supervisão adequada”, concluiu.

