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Escrito por Cassio GussonRedatorRevisado por Lucas CaramEditor

Analista brasileiro que acertou alta do Bitcoin indica as melhores criptomoedas para julho

Últimas NotíciasPublicado30 de jun. de 2026

Para André Franco, CEO da Boost Research, cenário macro ainda exige cautela, mas Bitcoin, Solana e Hyperliquid se destacam para o mês

O mercado de criptomoedas chega a julho em um ambiente mais difícil para ativos de risco. A correção do Bitcoin se aprofundou nas últimas semanas, enquanto os investidores passaram a reavaliar o impacto de juros altos por mais tempo nos Estados Unidos, da força do dólar e da migração de capital especulativo para outros setores, especialmente inteligência artificial.

Segundo André Franco, CEO da Boost Research, a perda de suportes importantes confirmou o movimento corretivo que a casa já vinha acompanhando. O analista afirma que o Bitcoin perdeu a região dos US$ 75 mil, estendeu a queda para perto dos US$ 65 mil e agora chega a julho pressionado, oscilando em torno dos US$ 60 mil.

“O Bitcoin segue preso à estrutura de baixa construída desde o topo histórico de outubro de 2025, na casa dos US$ 126 mil, e a leitura técnica de curto prazo permanece frágil”, afirma Franco.

No campo macroeconômico, o principal fator de pressão vem do Federal Reserve. Na avaliação do analista, a manutenção dos juros em patamar elevado e a possibilidade de nova alta ainda em 2026 reduzem o apetite por ativos mais especulativos. Esse quadro afeta diretamente criptomoedas, que dependem de liquidez global e disposição a risco para sustentar ciclos de valorização.

Franco também chama atenção para a divergência entre o mercado cripto e os ativos tradicionais. Enquanto as bolsas americanas seguem perto das máximas, impulsionadas pela euforia com inteligência artificial, o Bitcoin ainda não conseguiu recuperar força estrutural. Para ele, parte do capital que antes buscava assimetria em cripto migrou para empresas ligadas à infraestrutura de IA.

“As bolsas americanas seguem renovando máximas, puxadas pela euforia em torno da inteligência artificial. Ao mesmo tempo, o ouro opera perto dos US$ 4.000 a onça e o dólar se mantém firme, num quadro em que o investidor tradicional encontra alternativas de risco fora do universo cripto”, diz.

Mesmo com esse cenário, Franco aponta três criptomoedas que, segundo sua análise, oferecem melhor relação entre fundamento, resiliência e potencial para julho: Bitcoin, Solana e Hyperliquid.

Bitcoin segue como ativo central do mercado

Apesar da fraqueza no curto prazo, o Bitcoin continua sendo o principal ativo do mercado cripto, segundo Franco. Para o analista, o BTC ainda funciona como termômetro de liquidez, confiança e fluxo institucional no setor.

A leitura técnica, porém, exige cautela. Franco afirma que o Bitcoin precisa reconquistar a faixa entre US$ 68 mil e US$ 70 mil para aliviar a pressão de curto prazo. Sem essa recuperação, a perda dos US$ 60 mil poderia abrir espaço para uma nova queda em direção aos US$ 55 mil.

“O ponto mais importante para as próximas semanas é claro: o Bitcoin precisa reconquistar a região dos US$ 68 mil a US$ 70 mil para aliviar a pressão de curto prazo”, afirma.

Para o CEO da Boost Research, apenas um rompimento acima de US$ 97 mil mudaria a estrutura mais ampla do mercado. Acima desse patamar, o Bitcoin poderia reverter a sequência de topos e fundos descendentes que marca o movimento desde o fim de 2025.

Mesmo assim, Franco defende que o BTC continua sendo uma posição de base para atravessar o ciclo. Em cenários de queda, tende a sofrer menos que altcoins mais especulativas. Em caso de retomada, também deve ser o primeiro ativo a recuperar fluxo comprador relevante.

Solana ganha espaço antes ocupado pelo Ethereum

A segunda criptomoeda indicada por Franco para julho é Solana. Na visão do analista, o SOL ocupa hoje parte do espaço que antes pertencia ao Ethereum, principalmente por combinar fundamentos de rede, atividade econômica e fluxo institucional.

Franco afirma que Solana se destaca por sustentar um ecossistema real de aplicações, com presença em DeFi, pagamentos e infraestrutura para projetos on-chain. Para ele, essa atividade coloca o SOL como uma das principais alternativas de camada base no mercado cripto.

“A Solana entra na peça ocupando o espaço que antes pertencia ao Ethereum, e entra por fundamento e por fluxo”, afirma.

O analista também aponta o avanço dos ETFs como um fator favorável para o ativo. Segundo ele, em meio às saídas dos ETFs de Bitcoin, produtos ligados à Solana passaram a captar parte da rotação institucional do mercado.

Ainda assim, Franco evita uma leitura excessivamente otimista no curto prazo. Ele lembra que a receita on-chain de Solana esfriou em 2026, após a perda de força da febre das memecoins. Com menos especulação na rede, as taxas recuaram e parte do capital migrou para outras frentes, especialmente plataformas de derivativos perpétuos.

“Negociando perto dos US$ 67, o SOL entra mais pela tese de fundamento e pelo vento favorável dos ETFs do que por força de preço no curtíssimo prazo”, diz Franco.

Por isso, o analista afirma que Solana exige acompanhamento próximo. A tese depende não apenas do interesse institucional, mas também da retomada da atividade econômica dentro da rede.

Hyperliquid é o destaque relativo para julho

Entre as três criptomoedas citadas, Hyperliquid aparece como o principal destaque relativo da análise. Segundo Franco, o token HYPE vem mostrando força em um mercado amplamente fragilizado, enquanto boa parte das altcoins perde terreno.

Para o CEO da Boost Research, a resiliência do HYPE está ligada ao modelo de receita da plataforma. A Hyperliquid utiliza grande parte das taxas geradas pelo protocolo para recomprar o próprio token no mercado aberto. Esse mecanismo cria uma demanda estrutural pelo ativo, desde que a plataforma mantenha volume de negociação.

“O motor por trás dessa resiliência é o modelo de receita da plataforma. Enquanto houver volume de negociação, existe um comprador estrutural do próprio token, financiado pela operação”, afirma Franco.

Na avaliação do analista, essa dinâmica diferencia a Hyperliquid de muitos projetos cripto que dependem apenas de narrativa, emissão de tokens ou ciclos de euforia. Como a plataforma gera receita com negociação, o HYPE ganha uma fonte recorrente de demanda.

Franco também destaca que parte do capital especulativo que deixou memecoins e outros segmentos do mercado cripto passou a buscar plataformas de perpétuos. Nesse movimento, a Hyperliquid se tornou um dos principais destinos.

A expansão da plataforma para além do mercado cripto também fortalece a tese. A possibilidade de negociar commodities, metais, petróleo e ativos tradicionais em horários mais amplos coloca a Hyperliquid em uma posição híbrida entre infraestrutura cripto e plataforma global de negociação.

“A expansão da plataforma para além do cripto fortalece ainda mais essa posição. Num mundo em que eventos macroeconômicos e geopolíticos não respeitam mais o horário convencional dos mercados, essa capacidade operacional ganha valor”, afirma.
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