
Analista brasileiro que acertou alta do Bitcoin indica as melhores criptomoedas para julho
Para André Franco, CEO da Boost Research, cenário macro ainda exige cautela, mas Bitcoin, Solana e Hyperliquid se destacam para o mês
O mercado de criptomoedas chega a julho em um ambiente mais difícil para ativos de risco. A correção do Bitcoin se aprofundou nas últimas semanas, enquanto os investidores passaram a reavaliar o impacto de juros altos por mais tempo nos Estados Unidos, da força do dólar e da migração de capital especulativo para outros setores, especialmente inteligência artificial.
Segundo André Franco, CEO da Boost Research, a perda de suportes importantes confirmou o movimento corretivo que a casa já vinha acompanhando. O analista afirma que o Bitcoin perdeu a região dos US$ 75 mil, estendeu a queda para perto dos US$ 65 mil e agora chega a julho pressionado, oscilando em torno dos US$ 60 mil.
“O Bitcoin segue preso à estrutura de baixa construída desde o topo histórico de outubro de 2025, na casa dos US$ 126 mil, e a leitura técnica de curto prazo permanece frágil”, afirma Franco.
No campo macroeconômico, o principal fator de pressão vem do Federal Reserve. Na avaliação do analista, a manutenção dos juros em patamar elevado e a possibilidade de nova alta ainda em 2026 reduzem o apetite por ativos mais especulativos. Esse quadro afeta diretamente criptomoedas, que dependem de liquidez global e disposição a risco para sustentar ciclos de valorização.
Franco também chama atenção para a divergência entre o mercado cripto e os ativos tradicionais. Enquanto as bolsas americanas seguem perto das máximas, impulsionadas pela euforia com inteligência artificial, o Bitcoin ainda não conseguiu recuperar força estrutural. Para ele, parte do capital que antes buscava assimetria em cripto migrou para empresas ligadas à infraestrutura de IA.
“As bolsas americanas seguem renovando máximas, puxadas pela euforia em torno da inteligência artificial. Ao mesmo tempo, o ouro opera perto dos US$ 4.000 a onça e o dólar se mantém firme, num quadro em que o investidor tradicional encontra alternativas de risco fora do universo cripto”, diz.
Mesmo com esse cenário, Franco aponta três criptomoedas que, segundo sua análise, oferecem melhor relação entre fundamento, resiliência e potencial para julho: Bitcoin, Solana e Hyperliquid.
Bitcoin segue como ativo central do mercado
Apesar da fraqueza no curto prazo, o Bitcoin continua sendo o principal ativo do mercado cripto, segundo Franco. Para o analista, o BTC ainda funciona como termômetro de liquidez, confiança e fluxo institucional no setor.
A leitura técnica, porém, exige cautela. Franco afirma que o Bitcoin precisa reconquistar a faixa entre US$ 68 mil e US$ 70 mil para aliviar a pressão de curto prazo. Sem essa recuperação, a perda dos US$ 60 mil poderia abrir espaço para uma nova queda em direção aos US$ 55 mil.
“O ponto mais importante para as próximas semanas é claro: o Bitcoin precisa reconquistar a região dos US$ 68 mil a US$ 70 mil para aliviar a pressão de curto prazo”, afirma.
Para o CEO da Boost Research, apenas um rompimento acima de US$ 97 mil mudaria a estrutura mais ampla do mercado. Acima desse patamar, o Bitcoin poderia reverter a sequência de topos e fundos descendentes que marca o movimento desde o fim de 2025.
Mesmo assim, Franco defende que o BTC continua sendo uma posição de base para atravessar o ciclo. Em cenários de queda, tende a sofrer menos que altcoins mais especulativas. Em caso de retomada, também deve ser o primeiro ativo a recuperar fluxo comprador relevante.
Solana ganha espaço antes ocupado pelo Ethereum
A segunda criptomoeda indicada por Franco para julho é Solana. Na visão do analista, o SOL ocupa hoje parte do espaço que antes pertencia ao Ethereum, principalmente por combinar fundamentos de rede, atividade econômica e fluxo institucional.
Franco afirma que Solana se destaca por sustentar um ecossistema real de aplicações, com presença em DeFi, pagamentos e infraestrutura para projetos on-chain. Para ele, essa atividade coloca o SOL como uma das principais alternativas de camada base no mercado cripto.
“A Solana entra na peça ocupando o espaço que antes pertencia ao Ethereum, e entra por fundamento e por fluxo”, afirma.
O analista também aponta o avanço dos ETFs como um fator favorável para o ativo. Segundo ele, em meio às saídas dos ETFs de Bitcoin, produtos ligados à Solana passaram a captar parte da rotação institucional do mercado.
Ainda assim, Franco evita uma leitura excessivamente otimista no curto prazo. Ele lembra que a receita on-chain de Solana esfriou em 2026, após a perda de força da febre das memecoins. Com menos especulação na rede, as taxas recuaram e parte do capital migrou para outras frentes, especialmente plataformas de derivativos perpétuos.
“Negociando perto dos US$ 67, o SOL entra mais pela tese de fundamento e pelo vento favorável dos ETFs do que por força de preço no curtíssimo prazo”, diz Franco.
Por isso, o analista afirma que Solana exige acompanhamento próximo. A tese depende não apenas do interesse institucional, mas também da retomada da atividade econômica dentro da rede.
Hyperliquid é o destaque relativo para julho
Entre as três criptomoedas citadas, Hyperliquid aparece como o principal destaque relativo da análise. Segundo Franco, o token HYPE vem mostrando força em um mercado amplamente fragilizado, enquanto boa parte das altcoins perde terreno.
Para o CEO da Boost Research, a resiliência do HYPE está ligada ao modelo de receita da plataforma. A Hyperliquid utiliza grande parte das taxas geradas pelo protocolo para recomprar o próprio token no mercado aberto. Esse mecanismo cria uma demanda estrutural pelo ativo, desde que a plataforma mantenha volume de negociação.
“O motor por trás dessa resiliência é o modelo de receita da plataforma. Enquanto houver volume de negociação, existe um comprador estrutural do próprio token, financiado pela operação”, afirma Franco.
Na avaliação do analista, essa dinâmica diferencia a Hyperliquid de muitos projetos cripto que dependem apenas de narrativa, emissão de tokens ou ciclos de euforia. Como a plataforma gera receita com negociação, o HYPE ganha uma fonte recorrente de demanda.
Franco também destaca que parte do capital especulativo que deixou memecoins e outros segmentos do mercado cripto passou a buscar plataformas de perpétuos. Nesse movimento, a Hyperliquid se tornou um dos principais destinos.
A expansão da plataforma para além do mercado cripto também fortalece a tese. A possibilidade de negociar commodities, metais, petróleo e ativos tradicionais em horários mais amplos coloca a Hyperliquid em uma posição híbrida entre infraestrutura cripto e plataforma global de negociação.
“A expansão da plataforma para além do cripto fortalece ainda mais essa posição. Num mundo em que eventos macroeconômicos e geopolíticos não respeitam mais o horário convencional dos mercados, essa capacidade operacional ganha valor”, afirma.
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