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Walter Barros
Escrito por Walter Barros,Redator
Lucas Caram
Revisado por Lucas Caram,Editor da Equipe

Criptomoedas podem ampliar mercado global ao Brasil, diz especialista

Blockchain pode ser a estrada da integração entre os mercados financeiros e o Brasil ‘não pode ficar de fora’.

Criptomoedas podem ampliar mercado global ao Brasil, diz especialista
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Resumo da notícia:

  • Autocustódia e reserva de Bitcoin podem ser “recado positivo” do Brasil ao mundo, mas país está atrasado nessas pautas, segundo especialista.

  • Algumas regulamentações são necessárias, mas o país não pode apertar demais e travar evolução cripto, avalia o especialista.

  • Soluções em blockchain podem ser o caminho da integração dos sistemas financeiros.

A tecnologia blockchain pode representar a pavimentação da estrada de maior acesso do Brasil ao mercado financeiro global, segundo análise feita esta semana pelo especialista Tasso Lago.

Em entrevista ao Times Brasil, ele abordou temas como a disrupção do comércio internacional pela blockchain e a criação de uma reserva estratégica de Bitcoin (BTC) pelo Brasil, mas frisou que o aperto regulatório demasiado, como a proibição de autocustódia de criptomoedas, pode colocar o país na contramão do avanço global.

Segundo o fundador da plataforma de educação financeira Financial Move, o grande desafio atual das criptomoedas passa pela simplificação do acesso aos usuários como forma de expandir a adoção da tecnologia blockchain.

A respeito do avanço da regulamentação no país, Lago reconheceu a necessidade de avanço de alguns projetos, como os de combate à lavagem de dinheiro e de fraudes envolvendo criptomoedas. Por outro lado, ele qualificou como sensível e retrocesso a pauta de possível proibição de autocustódia de criptomoedas no país.

O Brasil está indo na contramão do avanço tecnológico que o mundo está puxando. O próprio Estados Unidos tem puxado esta frende agressivamente com Trump, acredito que o Brasil tem ido em sentido contrário, não vejo isso com bons olhos, disse.

Sobre a proposta de criação de uma reserva estratégica de Bitcoin, em tramitação no Congresso, ele exaltou a importância da diversificação de ativos do Estado brasileiro e acrescentou que o país está atrasado, citando os exemplos dos EUA e de El Salvador, que adotou o Bitcoin como moeda legal no país em setembro de 2021.

Tasso Lago ainda defendeu a reserva estratégica de Bitcoin ao lembrar que o real já se desvalorizou 80% frente ao dólar americano e que, assim como a autocustódia, gera uma segurança política maior para os investidores estrangeiros. O que pode se reverter em mais entrada de capital estrangeiro do país.

Ele abordou o crescimento exponencial de pagamentos através de stablecoins, inclusive através de transações por agentes de inteligência artificial (IA), comparando o Brasil, caso fique de fora do avanço da adoção global, a uma conexão de internet discada em relação à conexão via satélite da rede mundial de computadores.

Por outro lado, o especialista lembrou do Pix ao ressaltar que o Brasil é referência internacional no sistema bancário, mas que as oportunidades passam pela integração econômica, tanto de comércio quanto de transferências através da tecnologia blockchain, lacuna que tem sido preenchida por algumas fintechs.

Lago acrescentou que, caso o governo brasileiro optasse pela criação de uma blockchain pública, com austeridade e transparência, poderia criar um caminho para os empreendedores. Segundo ele, as soluções descentralizadas, em Web3, tendem a “matar” as soluções atuais, em Web2. Ao qualificar o mercado cripto e a tecnologia blockchain como preenchedores de um hiato ainda existente para a integração dos sistemas financeiros, ele completou:

Hoje, a gente tem os juros altos, isso mata o empreendedor brasileiro. E se a gente estivesse completamente integrado ao sistema financeiro global e o investidor da Europa, que tem os juros próximo de zero ou até negativo, pudesse te emprestar dinheiro, com segurança?

Na esteira da evolução da blockchain no país, a Liqi lançou esta semana um agente de IA em suas operações de securitização tokenizada, conforme noticiou o Cointelegraph Brasil.

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