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Walter Barros
Escrito por Walter Barros,Redator
Lucas Caram
Revisado por Lucas Caram,Editor da Equipe

Criptomoedas não teriam futuro como ‘Cavalo de Troia’, diz especialista

Tobias Kleitman acredita que as stablecoins caminham para coexistir com as moedas fiduciárias e que bancos continuarão sendo relevantes pela adoção da tecnologia blockchain.

Criptomoedas não teriam futuro como ‘Cavalo de Troia’, diz especialista
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Resumo da notícia:

  • Criptomoedas teriam pouco espaço como “Cavalo de Troia” das finanças tradicionais.

  • Stablecoins teriam dificuldade para alcançar adoção em massa sem ativos sólidos, como títulos do Tesouro, para sustentar seu valor.

  • Interface entre as stablecoins e o sistema financeiro tradicional abre outras possibilidades, a depender dos rumos da regulamentação.

Surgidas a partir de uma narrativa libertária, as criptomoedas teriam dificuldade de prosperar sem conexão com o sistema financeiro tradicional, segundo o especialista Tobias Kleitman.

Em análise divulgada esta semana, o cofundador da fintech baseada em pagamentos via stablecoin LiberPay observou que as criptomoedas teriam dificuldade de representar uma espécie de Cavalo de Troia do sistema financeiro, já que o mercado de criptomoedas se tornou um dos maiores financiadores da dívida pública ao comprar títulos do Tesouro para lastrear stablecoins.

Acredito que todas as formas de moeda têm seu espaço. Na verdade, as stablecoins teriam dificuldade para alcançar adoção em massa sem ativos sólidos, como títulos do Tesouro, para sustentar seu valor. Devemos pensar mais em como moedas fiduciárias e cripto podem se complementar e coexistir, justificou.

Regulamentação, bancos e IA

Kleitman acrescentou que a interface entre as stablecoins e o sistema financeiro tradicional abre outras possibilidades, a depender dos rumos da regulamentação do mercado de criptomoedas.

Em relação aos rendimentos de stablecoins lastreadas em títulos do Tesouro, o executivo salientou que a possibilidade de rendimento desse segmento de tokens pelo empréstimo como colateral ao mercado depende das diretrizes regulatórias, embora ele acredite que esse movimento seja inevitável.

Outra possibilidade, improvável segundo ele, é a redução da relevância dos bancos pela adoção de stablecoins em países como o Brasil.

Os bancos estão adotando tecnologia blockchain e o uso de stablecoins, o que tende a fortalecer seus serviços e torná-los mais competitivos. Bancos centrais continuam sendo uma força estabilizadora essencial em qualquer economia moderna, argumentou.

Em relação a outra narrativa recorrente no mercado, de utilização de agentes de inteligência artificial (IA) para pagamentos autônomos, ele acredita que são necessárias duas partes para firmar um acordo e realizar uma transação, mas certamente é possível que a IA gerencie pagamentos recorrentes relacionados a esse acordo.

Contratos inteligentes também conseguem executar esse tipo de automação, lembrou.

No caso da tributação de stablecoins como consequência da regulamentação, Tobias Kleitman disse que, “se empresas e indivíduos recebem stablecoins como pagamento por bens e serviços, faz sentido que os governos considerem essa receita tributável”.

Claro que isso dependerá da legislação fiscal de cada jurisdição. O mesmo provavelmente se aplicará caso as stablecoins gerem rendimento enquanto estiverem sob custódia. Somos favoráveis a regulações e diretrizes de bom senso, completou.

De olho no avanço das stablecoins no país, ele revelou que a plataforma Peer-to-Peer (P2P) em stablecoins também tem como alvo um público estimado em 85% dos brasileiros que afirmaram não ter encontrado estabelecimentos que aceitam criptomoedas como forma de pagamento, segundo levantamento da fintech.

Essa semana, executivos de bancos, fintechs e plataformas de tokenização também afirmaram que o mercado financeiro brasileiro entrou na era do “dinheiro generativo”, integrando blockchain, IA e operações financeiras automatizadas. Para eles, cripto já é coisa do passado, conforme noticiou o Cointelegraph Brasil.

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