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Cassio Gusson
Escrito por Cassio Gusson,Redator
Lucas Caram
Revisado por Lucas Caram,Editor da Equipe

Brasil lidera otimismo global em relação a criptomoedas, aponta estudo

Pesquisa com 12 meses de cobertura jornalística em mercados globais mostra que brasileiro vê cripto como ferramenta de inclusão financeira, não apenas especulação

Brasil lidera otimismo global em relação a criptomoedas, aponta estudo
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O Brasil é o país com maior nível de otimismo em relação às criptomoedas entre todos os mercados analisados em um novo estudo global. A conclusão é da LatAm Intersect, que monitorou 12 meses de cobertura midiática online em diferentes países por meio da plataforma ECR da Delta Analytics.

Aproximadamente 75% dos conteúdos jornalísticos brasileiros sobre o setor foram classificados como "expectativa", o índice mais alto do levantamento.

O perfil brasileiro vai além do otimismo: o estudo aponta que o país tem um dos mercados mais diversificados do mundo em termos de interesse por ativos digitais, com atenção distribuída entre privacidade, NFTs, trading e novos ecossistemas.

Para os pesquisadores, o avanço do Banco Central na regulamentação de criptomoedas e stablecoins contribuiu para consolidar a percepção das criptomoedas como integrantes do sistema financeiro.

"O Brasil se destaca como um mercado com forte visão de futuro. Os avanços regulatórios e as tendências de adoção posicionam as criptomoedas como uma ferramenta concreta de participação econômica", afirma Roger Darashah, cofundador e diretor da LatAm Intersect.

Brasil na liderança de tendência

O resultado coloca o Brasil na liderança de uma tendência regional: a América Latina é a região mais otimista do mundo em relação às criptomoedas, associando o setor à inclusão financeira antes da especulação.

No México, o cenário é mais ambivalente, expectativa e medo aparecem em proporções semelhantes (cerca de 35% cada), com o interesse concentrado em privacidade e regulação. Entre o público hispânico nos Estados Unidos, a expectativa (~42%) supera o medo (~28%), com destaque para as stablecoins, usadas principalmente para pagamentos e remessas.

"Em alguns mercados, trata-se de ganhar dinheiro. Em outros, de protegê-lo. E em outros, ainda, de conseguir acessá-lo. A América Latina pertence claramente a esse terceiro grupo: aqui, o cripto não é um ativo de luxo, mas uma ferramenta de inclusão", diz Darashah.

Na Europa, o cenário é distinto. A França chama atenção pelo alto índice de surpresa — cerca de 90% da cobertura local foi classificada dessa forma, o maior nível entre todos os países analisados. A leitura dos pesquisadores é que os veículos franceses não temem as criptomoedas, mas tampouco sabem onde encaixá-las nos modelos financeiros tradicionais.

Na Alemanha, a surpresa também domina (~55%), mas o medo aparece como segundo fator relevante (~20%), em grande parte alimentado pela atuação rigorosa do regulador BaFin e pelas reportagens sobre lavagem de dinheiro. Na Espanha, medo (~40%) e surpresa (~30%) disputam espaço, refletindo um mercado ainda indefinido entre oportunidade e risco.

O estudo organiza os mercados em três perfis. Na Alemanha e na França, o cripto é tratado principalmente como instrumento financeiro, ainda que cercado de incertezas. Nos Emirados Árabes Unidos, Singapura, Reino Unido e nos Estados Unidos, entre audiências anglófonas, prevalece a associação com segurança, autonomia e soberania sobre os próprios ativos.

Na América Latina, o cripto é entendido como porta de entrada para o sistema financeiro: pagamentos, remessas e acesso econômico vêm antes da especulação.

"A capacidade de se conectar com as audiências em seus próprios termos, refletindo suas necessidades e motivações específicas, será fundamental para impulsionar a adoção e gerar confiança", conclui Darashah.
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