Após meses de fragilidade o Bitcoin começou a dar sinais de recuperação em seu ímpeto de alta e iniciou maio sendo negociado acima de US$ 80 mil.
Com a alta do BTC diversas outras criptomoedas também registraram importantes valorizações como Toncoin que subiu mais de 36%.
Diante disso, o Cointelegraph Brasil consultou 4 analistas brasileiros para saber quais as criptomoedas que podem ter o melhor desempenho em maio. Confira.
Bitcoin e Hyperliquid
Paulo Camargo, embaixador da OKX, CIO e cofundador da Underblock
O mês de maio começa com o Bitcoin novamente no centro das atenções. Em meio às incertezas provocadas pela guerra no Oriente Médio, o apetite por risco ainda não voltou com força suficiente para sustentar uma rotação mais consistente para altcoins, mantendo o BTC como principal destino de capital.
Abril foi um mês particularmente positivo para o Bitcoin, que registrou sua maior alta mensal dos últimos 12 meses, sinalizando uma melhora relevante no sentimento de mercado. Apesar disso, o ativo agora se aproxima de uma zona de resistência importante na faixa dos US$ 80 mil, o que pode trazer uma pausa ou consolidação no curto prazo.
Ainda assim, o cenário geral vem se tornando mais construtivo. O Ethereum segue não atuando como um beta do Bitcoin, sem superar sua performance, mas tem mostrado sinais de recuperação após o fundo recente. A manutenção consistente acima dos US$ 2.000 indica uma base mais sólida, o que pode favorecer uma trajetória de valorização gradual nos próximos meses.
Entre as altcoins, a Hyperliquid (HYPE) se destaca como uma exceção, com desempenho positivo mesmo em um ambiente mais desafiador. A plataforma vem apresentando forte crescimento dentro do ecossistema DeFi, com métricas operacionais robustas que sustentam a demanda pelo token e ajudam a explicar sua resiliência recente.
Bitcoin, Ethereum, Solana e outras
Guilherme Fais, Head de Finanças da NovaDAX
O mercado de criptomoedas se aproxima do mês de maio em um ambiente mais seletivo, no qual o comportamento dos ativos passa a depender não apenas do desempenho do Bitcoin, mas também de narrativas específicas que vêm ganhando força dentro do setor.
Após um período de recuperação consistente, o BTC segue como principal direcionador de liquidez, enquanto outras criptomoedas começam a se destacar de forma mais pontual. O Bitcoin continua sendo o ativo central do mercado, operando próximo de níveis importantes após testar regiões mais elevadas nas últimas semanas.
A capacidade de sustentar preços acima de faixas-chave será determinante para o comportamento do restante do mercado. Caso o ativo mantenha sua estrutura atual, o ambiente tende a favorecer uma maior rotação de capital para outras criptomoedas.
O Ethereum, por sua vez, segue como peça fundamental da infraestrutura do setor, ainda que com uma performance mais moderada no curto prazo, mas com expectativa de ganhar tração em narrativas ligadas a aplicações reais e tokenização.
Entre os ativos de maior destaque potencial, Solana (SOL) continua sendo um dos principais candidatos a capturar fluxo em momentos de maior apetite por risco. O ecossistema mantém níveis elevados de atividade, o que sustenta a percepção de crescimento e reforça seu papel como um dos ativos de maior beta dentro do mercado. Em cenários positivos, tende a apresentar movimentos mais acelerados em relação ao Bitcoin.
Já na frente de inovação tecnológica, os tokens ligados à inteligência artificial seguem entre os mais observados. Projetos como Bittensor (TAO) e Render (RNDR) continuam ganhando relevância à medida que a demanda por infraestrutura computacional e soluções descentralizadas cresce. Esses ativos têm se destacado por conectar o avanço da inteligência artificial com a proposta de valor do mercado cripto, atraindo atenção tanto de investidores institucionais quanto de participantes mais especulativos.
Além disso, a narrativa de tokenização de ativos reais também segue em expansão, com projetos como Ondo (ONDO) ganhando visibilidade. A proposta de trazer ativos do mundo tradicional para a blockchain tem atraído atenção crescente, especialmente em um contexto de maior participação institucional no setor.
Apesar das oportunidades, o cenário ainda exige cautela. O ambiente macroeconômico permanece como um fator relevante, com política monetária restritiva e riscos geopolíticos que continuam influenciando o apetite por ativos de maior risco.
Nesse contexto, o mercado tende a permanecer seletivo, favorecendo projetos com fundamentos mais sólidos e narrativas bem definidas. Diante desse cenário, o mês de maio se apresenta como um período em que o comportamento do Bitcoin continuará sendo determinante, mas com espaço crescente para que narrativas específicas ganhem protagonismo.
Bitcoin, Ondo e Sui
André Sprone, LATAM MEXC Growth Strategy Lead
Maio começa em um momento importante para o mercado cripto. O Bitcoin encerrou abril com seu melhor desempenho mensal em mais de um ano, voltando à região dos US$ 77 mil a US$ 79 mil, enquanto o suprimento de USDT se aproxima de US$ 150 bilhões, sinal de que a liquidez está voltando a se posicionar para risco.
No pano de fundo, dois temas devem guiar o mês: a transição na liderança do Federal Reserve, com o mandato de Jerome Powell terminando em 15 de maio e Kevin Warsh ainda dependendo do processo de confirmação no Senado, e a possibilidade de novos avanços regulatórios nos EUA em torno do CLARITY Act.
Bitcoin (BTC): O Bitcoin continua sendo o principal termômetro do mercado. O movimento recente parece ter sido menos sobre halving e mais sobre retorno de liquidez, melhora de fluxo em ETFs e expectativa em relação ao ambiente macro.
Se maio vier com um Fed mais previsível e sem deterioração forte do cenário externo, o BTC tende a seguir como o ativo que mais concentra atenção e capital institucional.
Ethereum (ETH): O Ethereum segue como a principal infraestrutura do mercado cripto, especialmente em tokenização, stablecoins e finanças on-chain. O aumento recente de staking por grandes players, a retomada de entradas em produtos ligados a ETH e a continuidade do roadmap técnico reforçam a tese de escassez relativa e uso estrutural da rede.
Em um ambiente de avanço regulatório e institucional, o ETH continua sendo a principal porta de entrada para a narrativa de infraestrutura.
Hyperliquid (HYPE): A Hyperliquid virou um dos casos mais fortes de DeFi com geração real de receita. A plataforma se consolidou como líder em derivativos descentralizados, com participação dominante em open interest e volume relevante, além de uma estrutura em que grande parte das taxas retorna ao ecossistema do token.
A criação de veículos regulados de investimento na Europa reforça a ideia de que o mercado começou a olhar para HYPE não apenas como narrativa, mas como ativo ligado a uso concreto.
Ondo Finance (ONDO): Se a tokenização de ativos do mundo real é uma das narrativas mais fortes do ciclo, a Ondo continua sendo uma das apostas mais diretas. A empresa avançou na tokenização de ETFs da Franklin Templeton e buscou maior clareza regulatória com a SEC para seu modelo de securities tokenizadas em Ethereum.
Em um cenário em que o mercado tradicional começa a migrar produtos para infraestrutura on-chain, a ONDO segue muito bem posicionada.
Sui (SUI): A Sui entra em maio com um catalisador claro: o lançamento de contratos futuros pela CME, sujeito à aprovação regulatória, o que representa um passo importante em direção à legitimação institucional.
Além disso, a rede ganhou tração com produtos de investimento listados nos EUA e com o lançamento da USDsui, sua stablecoin nativa. É um ativo que combina narrativa de infraestrutura, expansão de ecossistema e um evento específico de mercado nas próximas semanas.
Bitcoin, Render e Uniswap
Marcelo Person, Crypto Treasury & Markets Director da Foxbit
Após um primeiro trimestre puxado por fluxo institucional e um mês de abril mais focado em consolidação, maio costuma marcar o início de uma rotação dentro do mercado cripto. Nesse cenário, ativos ligados a adoção real, novas narrativas e maior potencial de valorização tendem a ganhar destaque.
A Foxbit selecionou cinco criptomoedas com negociação na plataforma que merecem atenção especial neste mês:
Bitcoin (BTC): Mesmo com a rotação para altcoins, o Bitcoin segue como principal referência do mercado. A dominância ainda elevada e o fluxo via ETFs continuam sendo indicadores-chave de direção. Em maio, o BTC tende a atuar como base de sustentação do mercado — e qualquer movimento mais forte nas altcoins ainda depende da sua estabilidade.
Ethereum (ETH): O Ethereum começa a capturar parte da rotação de capital após o Bitcoin. Como base para DeFi, tokenização e stablecoins, o ativo costuma se beneficiar quando o mercado busca mais risco dentro de um ambiente ainda institucional. O crescimento das Layer 2 e o aumento do uso real da rede reforçam essa dinâmica.
Solana (SOL): A Solana entra em maio como uma das principais apostas de crescimento. Com forte presença em aplicações voltadas ao varejo — como pagamentos, redes sociais e games — a rede tende a capturar fluxo em momentos de maior apetite por risco. Sua alta performance e liquidez fazem com que o ativo amplifique movimentos positivos do mercado.
Render (RNDR): A narrativa de inteligência artificial segue forte no mercado global, e o RNDR se posiciona como uma das principais infraestruturas descentralizadas para esse setor. Com uso em renderização gráfica, metaverso e aplicações de IA, o token conecta duas das maiores tendências tecnológicas atuais — o que pode impulsionar sua demanda em momentos de maior interesse por inovação.
Uniswap (UNI): O UNI representa a retomada da narrativa de DeFi. Como maior DEX do mercado, a Uniswap se beneficia diretamente do aumento de volume de negociação on-chain. Em um cenário de maior atividade e rotação de capital dentro do próprio ecossistema cripto, protocolos de liquidez tendem a ganhar relevância — e o UNI volta ao radar como um dos principais ativos do setor.

