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Escrito por Cassio GussonRedatorRevisado por Lucas CaramEditor

Banco do Brasil, Santander, Safra, Itaú, Caixa, Bradesco, Inter, B3, BTG Pactual e Ripple vão emitir Tokens RWA em ambiente de testes da Anbima

Últimas NotíciasPublicado5 de mai. de 2026

Alguns dos maiores bancos do Brasil, como Banco do Brasil, Santander, Itaú, Safra, Caixa e Banco BV entraram oficialmente no mercado de tokenização e vão emitir tokens RWA em um projeto da Anbima.

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Alguns dos maiores bancos do Brasil, como Banco do Brasil, Santander, Itaú, Safra, Caixa e Banco BV entraram oficialmente no mercado de tokenização e vão emitir tokens RWA em um projeto da Anbima.

Os bancos, assim como empresas tradicionais de tokenização no Brasil, como Mercado Bitcoin, Liqi e Capitare, foram selecionadas para o Projeto‑piloto de Tokenização da Anbima que avança para a fase de testes após receber 39 propostas do mercado, das quais 20 foram selecionadas para aplicações práticas da tecnologia em debêntures e fundos de investimento.

“Este piloto cria as condições necessárias para testar interoperabilidade, governança e eficiência operacional em um ambiente próximo ao real. Esse processo tende a evidenciar ganhos relevantes, como redução de custos, maior transparência e automação de eventos, mas também vai expor desafios críticos, especialmente em padronização, integração entre participantes e enquadramento regulatório. O fato de instituições tradicionais e players nativos digitais participarem juntos reforça que o movimento é estrutural, e não incremental”, afirma Rodrigo Caggiano, fundador da Capitare e do RWA Monitor.

As iniciativas escolhidas foram apresentadas de forma individual ou em consórcio por mais de 50 instituições, entre bancos, gestoras de recursos e empresas de tecnologia.

Os testes vão acompanhar todas as etapas do ciclo de vida dos ativos, como estruturação, emissão, transferência, eventos e liquidação. O projeto-piloto busca simular, em ambiente controlado, o funcionamento completo de ativos tokenizados.

“A expressiva participação do mercado, com 39 propostas inscritas, reforça a relevância dessa iniciativa. A fase de testes permitirá avaliar soluções na prática, mapear gargalos operacionais e apoiar a construção de referências comuns para o desenvolvimento da tokenização no mercado de capitais”, afirma Eric Altafim, diretor da Anbima.

Tokenização

De acodo com a Anbima, o objetivo é gerar aprendizados práticos, a partir da reprodução de desafios reais do mercado, contribuindo para avaliar o potencial da tecnologia para a infraestrutura do mercado de capitais. As propostas selecionadas refletem a diversidade de abordagens e de instituições envolvidas no desenvolvimento da tokenização no mercado de capitais.

"A tokenização, especialmente no mercado de RWA (ativos do mundo real), está começando pelo lado errado: sem considerar aspectos fundamentais para garantir a correlação entre o ativo físico e sua representação digital. É isso que gera um descolamento, uma assimetria tanto do ponto de vista jurídico quanto da gestão, na forma como esses ativos são estruturados e acompanhados", disse André Araújo, CEO da Real Price.

Caso de uso: debêntures e fundos (10 propostas)

Testes em fundos e debêntures funcionando juntos na mesma infraestrutura DLT, com foco na integração de fluxos, regras e eventos ao longo do ciclo de vida dos ativos.

  • Consórcio: Galápagos Capital e Liqi Digital Assets; Itaú Unbanco
  • Consórcio: Braza Bank, Libertas Asset, Actual DTVM, Ripple Brasil e BBChain;
  • Consórcio: BBVA e VERT Capital;
  • Consórcio: TokenOne, Banrisul e NF Securitizadora;
  • Consórcio: Banco do Brasil, BB‑BI, Caixa, Inter Asset, Inter DTVM, Núclea, RealPrice, BBChain e GoLedger.
  • Consórcio: Banco do Nordeste, BBChain e Britech;
  • Consórcio: Oliveira Trust e Liqi Digital Assets;
  • Consórcio: AmFi, Travessia Securitizadora e Pier Gestora;
  • Consórcio: Banco BNP Paribas, BBChain e RTM.

Caso de uso: Debêntures (7 propostas)

Foco na emissão, gestão e liquidação de debêntures nativamente digitais.

  • Consórcio: Banco BV, Banco Inter e Kaleido;
  • Consórcio: BZLog, Finchain, Finventures e Dojo; BTG Pactual
  • Consórcio: Mercado Bitcoin e Capitare;
  • Consórcio: Banco Santander e Evertec; B3
  • Consórcio: Laqus e Bitshopp.

Caso de uso: Fundos de investimento (3 propostas)

Operação de fundos de investimento por meio de smart contracts, com testes de governança e processos automatizados.

Consórcio: Apex Group, MAPS S.A. e Inspire IP;

Consórcio: Banco Safra, Hamsa e IBM; Bradesco

Próximos passos do projeto

A fase de testes tem duração prevista de cerca de seis meses. Ao longo desse período, as propostas serão acompanhadas de perto, com troca estruturada entre os participantes e registro dos principais desafios e aprendizados.

O piloto acontece em ambiente controlado, sem movimentação de recursos reais e sem a participação de investidores, criando um espaço para experimentação em condições muito próximas à realidade, porém em um ambiente protegido. Os testes são realizados em uma rede DLT, pensada pelo mercado e para o mercado, com foco em troca de experiências e geração de aprendizados práticos.

Todo o conhecimento será compartilhado com o mercado, contribuindo para ampliar o conhecimento sobre essa agenda, a preparação do mercado para uso da nova tecnologia e para apoiar discussões futuras sobre o tema.

A iniciativa é liderada pela Rede ANBIMA de Inovação, grupo plural que conecta o mercado financeiro à comunidade de inovação.

Tokenização no Brasil

De acordo com Jeremy Ng, fundador e CEO da plataforma de tokenização global OpenEden, o Brasil é hoje um dos mercados mais reveladores para a tokenização, não por ser o mais avançado, mas por refletir uma demanda real.

Trata-se do maior mercado cripto da América Latina e ocupa a 5ª posição no Índice Global de Adoção de Cripto da Chainalysis em 2025. A tokenização de crédito privado, recebíveis e pagamentos judiciais ganhou escala porque resolve um problema estrutural desses mercados: custo elevado e fragmentação. A infraestrutura institucional também começa a acompanhar esse movimento, com a B3 lançando uma plataforma de tokenização e uma stablecoin em 2026, enquanto o Banco Central do Brasil estabelece um regime de licenciamento com padrão bancário para prestadores de serviços de ativos virtuais.

Segundo ele, enquanto o Brasil avança no crédito privado, o restante do mundo tende a se apoiar em mercados públicos líquidos, como fundos de mercado monetário e dívida soberana. São pontos de entrada diferentes, mas com a mesma lógica subjacente: a tokenização ganha tração onde resolve um problema concreto.

Nos próximos cinco anos, apesar das manchetes sobre uma migração total do mercado acionário para o ambiente on-chain, não espero que as ações façam essa transição de forma completa. O cenário mais provável é que ativos tokenizados conquistem espaço dentro dos sistemas financeiros existentes, sendo utilizados como colateral para instituições, instrumentos de rendimento em operações de tesouraria e ativos de liquidação entre contrapartes. A tokenização de ações em larga escala deve ocorrer apenas depois que essas bases estiverem consolidadas.

No caso específico do Brasil, Jeremy apona que o principal desafio para sustentar o crescimento é mais estrutural do que técnico. Sem a aplicabilidade legal da propriedade registrada on-chain e sem alinhamento regulatório internacional, o capital global tende a enfrentar barreiras para acessar o mercado brasileiro. Essa mesma dinâmica se repete em diversos mercados emergentes, onde ativos tokenizados são eficientes no contexto local, mas permanecem isolados no cenário global.

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