O Z.ro Bank anuncioiu nesta quinta, 16, que vai encerrar todas as contas dos clientes pessoas físicas no Brasil, marcando uma mudança relevante no cenário das fintechs cripto no país.
De acordo com a empresa, a decisão acompanha a estratégia de focar exclusivamente em soluções financeiras para empresas e na expansão internacional, deixando de atuar diretamente com o público de varejo. Com isso, clientes que utilizavam a plataforma para movimentar reais e criptomoedas precisarão reorganizar seus ativos nos próximos dias.
“O Z.ro Bank informa que está conduzindo com toda cautela, o encerramento das contas de clientes pessoa física como parte de um movimento estruturado de transição do seu modelo de atuação. Como instituição de pagamento regulada pelo Banco Central, a decisão reflete a evolução natural da companhia, que vem direcionando sua estratégia para soluções financeiras voltadas a empresas, com foco em pagamentos, câmbio e integração com ativos digitais”, destaca o comunicado.
A fintech, que ganhou espaço ao integrar serviços bancários tradicionais com funcionalidades em criptomoedas, enviou comunicados oficiais aos usuários informando que os serviços serão descontinuados.
No aviso, o banco estabelece um prazo final no qual todos os clientes devem retirar seus recursos até 31 de maio de 2026, data após a qual não há garantia de acesso facilitado aos saldos. A medida atinge contas com valores em reais e também em ativos digitais como Bitcoin, Ethereum e USDT.
Ao longo dos últimos anos, o Z.ro construiu uma base sólida, com tecnologia própria e mais de R$ 50 bilhões processados, o que nos permite dar esse próximo passo com consistência e visão de longo prazo. Esse movimento não é uma interrupção, mas uma evolução do negócio, alinhada ao crescimento orgânico da empresa e à demanda de clientes corporativos por soluções mais robustas e escaláveis, inclusive em novos países, como Suíça, Argentina, Chile, Peru e México.”, disse Edísio Pereira Neto, fundador da empresa.

Prazo para retirar fundos
O comunicado enviado aos clientes reforça que o prazo não será prorrogado. Para valores em moeda fiduciária, o procedimento é relativamente simples e segue o padrão do sistema financeiro brasileiro.
Os clientes podem transferir o saldo em reais via Pix ou TED para qualquer conta bancária de sua preferência, sem a necessidade de intermediários. Já no caso das criptomoedas, o processo exige um pouco mais de atenção, pois envolve a escolha entre converter os ativos em reais ou transferi-los diretamente para outra plataforma.
A principal exceção envolve o Bitcoin (BTC), que pode ser sacado diretamente em sua forma original. Nesse caso, o usuário pode transferir os fundos para outra carteira ou exchange, desde que entre em contato com o suporte do Z.ro para obter orientações específicas. Para Ethereum (ETH) e USDT, a recomendação oficial é realizar a conversão para reais antes de efetuar a retirada.
Outro ponto de atenção destacado pelo banco envolve possíveis saldos esquecidos. Clientes que participaram de campanhas promocionais, como cashback em cartão de débito, podem ter pequenas quantias em criptomoedas armazenadas sem perceber. Por isso, a empresa orienta que todos verifiquem a seção “Minhas Moedas” no aplicativo antes de concluir o processo de encerramento.
Pioneiro do Bitcoin
O Z.ro Bank foi fundado por Edísio Pereira Neto que liderou a proposta de criar um banco digital com forte integração ao universo das criptomoedas, algo ainda pouco explorado no Brasil no momento do lançamento.
A ideia era justamente aproximar o sistema financeiro tradicional do mercado cripto, oferecendo uma experiência simplificada para o usuário comum. Ao longo de sua história a empresa processou cerca de R$ 45 bilhões em transações e opera com tecnologia própria, com foco crescente em soluções B2B, integrando pagamentos, câmbio e ativos digitais.
Além disso, a empresa foi uma das pioneiras na introdução do sistema de cartão de crédito integrado com cripto e que dava cashback em Bitcoin. Hoje está é uma solução adotada por quase todas as empresas cripto que emitem cartões de crédito para seus usuários, porém, na época, essa funcionalidade ainda era rara no país.
A maioria dos cartões oferecia cashback tradicional em reais ou pontos. O Z.ro inovou ao permitir que o retorno das compras fosse convertido diretamente em criptomoedas, principalmente Bitcoin, aproximando o usuário comum do mercado cripto sem exigir conhecimento técnico.
Na prática, o modelo funcionava de forma simples: o cliente utilizava o cartão de débito no dia a dia e recebia uma porcentagem do valor gasto de volta em criptoativos. Esse saldo ficava disponível dentro do aplicativo, podendo ser mantido como investimento, convertido para reais ou transferido.

