A fintech brasileira Transfero anunciou nesta quinta-feira (16) o lançamento da Transfero Payment Network (TPN), uma nova infraestrutura voltada à integração de diferentes trilhos de pagamento, incluindo Pix, Swift e redes baseadas em blockchain.
Segundo a empresa, a proposta da TPN é permitir que transações financeiras utilizem automaticamente a rota considerada mais eficiente entre diversas opções disponíveis no mercado, levando em conta fatores como custo, velocidade e liquidez. Na prática, a solução tenta resolver um dos principais gargalos dos pagamentos globais: a fragmentação entre sistemas tradicionais e redes digitais.
O movimento ocorre em um momento em que instituições financeiras e empresas de tecnologia buscam integrar sistemas legados com novas infraestruturas baseadas em criptoativos e stablecoins. No entanto, especialistas apontam que esse tipo de interoperabilidade ainda enfrenta desafios relevantes, como questões regulatórias, padronização entre redes e riscos operacionais.
Em comunicado, Claudio Just, CEO da Transfero, afirmou que o mercado caminha para um modelo multirrail, no qual diferentes sistemas coexistem e são utilizados conforme a necessidade de cada transação.
A TPN foi desenhada para atender casos como pagamentos internacionais, conversão entre moedas fiduciárias e criptoativos, além de gestão de liquidez entre diferentes jurisdições. Esse tipo de aplicação tem ganhado espaço, especialmente com o avanço das stablecoins e o aumento da demanda por liquidação quase instantânea em operações globais.
Pagamentos digitais
De acordo com o Banco Central, no segundo semestre de 2025, as transações de pagamento digitais continuaram apresentando crescimento, tanto em termos de quantidade de transações quanto de volume financeiro.
Atingiu-se, nesse período, a totalidade de 78,4 bilhões de transações e montante financeiro de R$ 68,2 trilhões. Os dados representam um crescimento de 12,9% na quantidade de transações e de 14,1% no volume transacionado em comparação ao segundo semestre de 2024.
Enquanto isso, os saques em moeda fisica (1,1 bilhões de transações), seguem em sua trajetória de queda, tendo se reduzido em 13,8% na quantidade de transações em relação ao mesmo semestre do ano anterior. Houve redução no número de transações tanto nos canais de agências e postos tradicionais (-17,9%), ATMs (-13,6%) e correspondentes bancários (-9,0), como nos postos de atendimento cooperativo (-27,1%).

