Cointelegraph
LINK$8.25 4.92%
TRX$0.3338 1.13%
DOGE$0.09186 4.27%
XLM$0.2206 0.58%
ZEC$608.10 1.46%
ETH$1,819 5.65%
BNB$622.23 7.24%
SOL$72.37 6.39%
HYPE$71.88 0.06%
XMR$355.37 4.02%
XRP$1.21 2.08%
ADA$0.2085 4.73%
BTC$65,610 3.15%
Escrito por Cassio Gusson ⁠, Staff Writer.Revisado por Lucas Caram ⁠, Staff Editor.

Auditoria independente pode decidir o futuro das criptomoedas no Brasil

Últimas NotíciasPublicadoSep 5, 2025

Especialistas da CLA Brasil afirmam que a auditoria independente será essencial para dar credibilidade e transparência à regulação de criptoativos no Brasil.

independent-audit-could-shape-future-cryptocurrencies-brazil

Com o Banco Central do Brasil próximo de divulgar as primeiras regras para o mercado de criptomoedas no Brasil, especialistas afirmam que a auditoria independente deixará de ser apenas um requisito formal e passará a atuar como um pilar estratégico para o futuro das criptomoedas no Brasil.

Essa é a análise de Bruno Faria e Thiago Brehmer, sócios da CLA Brasil, que defendem em artigo encaminhado ao Cointelegraph que a credibilidade e a transparência do setor dependem da consolidação de auditorias externas robustas.

“A auditoria independente deixa de ser compreendida apenas como requisito de conformidade e passa a ser tratada como pilar estratégico para a credibilidade e transparência”.

As Consultas Públicas 109 e 110 do Banco Central estão prestes a se transformar em norma. Elas tratam de prestadores de serviços de ativos virtuais (PSAVs) e emissores de stablecoins. Em paralelo, a CP 122/2025 trouxe critérios contábeis inéditos para reconhecimento e mensuração de ativos virtuais e utility tokens.

Segundo os especialistas, esse movimento coloca o Brasil em sintonia com a corrida regulatória internacional. Enquanto a Europa implementa o MiCA e os Estados Unidos avançam com o GENIUS Act, o país busca consolidar-se como ator confiável na institucionalização dos criptoativos.

De acordo com eles, até agora, a narrativa sobre transparência no setor esteve concentrada em soluções como Proof of Reserves, relatórios on-chain, Merkle Tree e Zero-Knowledge Proofs. Embora representem avanços, essas técnicas não garantem segurança plena.

“Tais mecanismos não verificam passivos, não asseguram a unicidade e liquidez do lastro, não avaliam a gestão de riscos e tampouco testam controles internos”, afirmaram apontando que é justamente nesse espaço que a auditoria independente ganha protagonismo.

O papel central da auditoria

No marco regulatório em construção, a auditoria independente terá funções essenciais. Entre elas, relatórios periódicos de segregação patrimonial, cibersegurança, compliance contra lavagem de dinheiro, além de testes de lastro em stablecoins e auditorias contábeis semestrais.

“Relatórios periódicos de lastro — ao menos trimestrais — no caso das stablecoins, assegurando que estejam 100% lastreadas em ativos líquidos e disponíveis”, reforçam os autores. Essa exigência busca eliminar riscos de descasamento entre emissão e reservas, um dos maiores pontos de fragilidade desse mercado.

Faria e Brehmer destacam ainda que o Brasil já conta com um arcabouço sólido para dar suporte à mudança. O Banco Central atua na supervisão prudencial, a CVM regula tokens que se configuram como valores mobiliários, e o CFC junto aos CRCs supervisiona a profissão contábil. Além disso, o Ibracon garante alinhamento com normas internacionais.

Eles sugerem ainda que os auditores passem por validação de entidades independentes, como ocorre na Suíça com a FINMA, que delega a Organizações Autorregulatórias a certificação de agentes. Essa prática, segundo eles, poderia reforçar a confiança no ecossistema brasileiro de ativos digitais.

Na avaliação dos sócios da CLA Brasil, os efeitos de uma auditoria independente estruturada serão imediatos.

“A confiança dos investidores tende a aumentar, reduzindo assimetrias de informação. O risco percebido pelos agentes de mercado diminui”, afirmam.

Os especialistas lembram que, no setor de ativos digitais, transparência e confiabilidade deixaram de ser vantagens competitivas. Agora, são condições básicas para sobrevivência. Empresas que não se adequarem às novas exigências terão dificuldades para captar recursos e atrair investidores institucionais.

Ao consolidar seu arcabouço regulatório com as CPs 109, 110, 111 e 122, o Brasil envia uma mensagem clara ao mercado global. “Está pronto para assumir protagonismo na construção de um ecossistema de criptoativos sólido, transparente e competitivo em nível internacional”, afirmam Faria e Brehmer.
A Cointelegraph está comprometida com um jornalismo independente e transparente. Este artigo de notícias é produzido de acordo com a Política Editorial da Cointelegraph e tem como objetivo fornecer informações precisas e oportunas. Os leitores são incentivados a verificar as informações de forma independente. Leia a nossa Política Editorial https://cointelegraph.com.br/editorial-policy

Mais sobre o assunto