
Goiás terá rastreamento de produtos na Rede Blockchain Brasil
Goiás vai usar a Rede Blockchain Brasil para rastrear cadeias produtivas, validar documentos e atender exigências internacionais de comércio exterior.
Goiás terá produtos rastreados usando a Rede Blockchain Brasil (RBB), infraestrutura público-permissionada desenvolvida pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e pelo Tribunal de Contas da União (TCU). A iniciativa será conduzida pela Associação Comercial, Industrial e de Serviços do Estado de Goiás (Acieg), que recebeu aprovação para integrar a rede e pretende usar a tecnologia para registrar informações de cadeias produtivas, validar documentos e ampliar a confiança em operações comerciais.
A entrada da Acieg na RBB ocorre após a entidade anunciar um projeto voltado a aplicações empresariais baseadas em blockchain. A proposta mira setores como agronegócio, indústria, artesanato e comércio exterior, com foco em rastreabilidade, certificação digital verificável, comprovação de origem e atendimento a exigências internacionais de conformidade.
De acordo com informações compartilhadas com o Cointelegraph Brasil, a iniciativa também busca preparar empresas brasileiras para regras globais de compliance, exportação e importação. Entre os exemplos citados está o Regulamento Europeu Antidesmatamento (EUDR), que aumenta a pressão sobre produtores e exportadores para comprovar a origem de matérias-primas e produtos vendidos ao mercado europeu.
“A participação da Acieg na RBB representa um avanço importante para o setor produtivo. Estar nessa rede reforça o compromisso com inovação, segurança e transformação digital, preparando o empresariado brasileiro para um novo cenário global. O futuro do comércio é baseado em confiança digital, e este projeto vem para atender essa demanda”, afirma o presidente da Acieg, Rubens Fileti.
Acieg entra na governança da Rede Blockchain Brasil
A Acieg ingressa na Rede Blockchain Brasil na categoria de partícipe-associado. Com isso, a entidade poderá colaborar com a manutenção e o funcionamento da infraestrutura, além de participar da governança da rede.
A associação também terá direito a voto em deliberações relacionadas à entrada de novos integrantes, regras operacionais e regulamentação da plataforma. Embora a RBB tenha caráter público e permita consulta por qualquer interessado, apenas organizações autorizadas podem operar a infraestrutura.
Com a habilitação, a Acieg pretende implementar aplicações como selo de associado, certificações, validação de certificados de formação e o selo 'Feito em Goiás'. A entidade também planeja usar a rede para registrar etapas da cadeia de custódia de produtos, desde a origem das matérias-primas até a comercialização.
Desse modo a intenção é que a tecnologia viabilize que empresas registrem dados sobre produção, procedência e movimentação de mercadorias em uma infraestrutura compartilhada. Esses registros podem fortalecer processos de auditoria, reduzir assimetrias de informação e apoiar empresas que precisam comprovar origem, qualidade ou conformidade de seus produtos.
“Isso significa acompanhar, por exemplo, uma cultura agrícola desde a semente até a chegada ao consumidor, ou registrar a procedência das matérias-primas utilizadas em produtos artesanais e industriais”, explica o head de Inovação da Acieg, Renan Santana.
Blockchain mira comércio exterior e certificação digital
O projeto da Acieg prevê a criação de um ecossistema colaborativo que conecta associações comerciais, federações, empresas e entidades empresariais de diferentes estados brasileiros. A iniciativa conta com apoio institucional da Federação das Associações Comerciais, Empresariais e Agropecuárias do Estado de Goiás (Faciest).
A entidade apresentou a proposta durante a Ficomex 2026, realizada em Lisboa, Portugal. O foco do projeto está na criação de ferramentas capazes de atender demandas de rastreabilidade de commodities, validação de documentos, certificação digital verificável e comprovação de origem para operações empresariais.
Para a entidade, a pressão por rastreabilidade deixou de ser uma exigência restrita a grandes companhias e passou a afetar empresas de diferentes portes. A digitalização desses processos pode ajudar negócios brasileiros a se adaptar a padrões internacionais e ampliar a competitividade em mercados que exigem maior transparência na cadeia produtiva.
“Estamos vivendo uma transformação no comércio internacional. O mercado deixou de exigir apenas produtos e passou a demandar rastreabilidade, transparência e conformidade global. Essa infraestrutura desenvolvida pela Acieg amplia o acesso a ferramentas que fortalecem a confiança nas relações comerciais e contribuem para a competitividade das empresas brasileiras”, destaca Fileti.
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