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Escrito por Cassio GussonRedatorRevisado por Lucas CaramEditor

Brasil está entre os top 10 paises mais barato para minerar Bitcoin

Últimas NotíciasPublicado14 de jul. de 2026

Mineração da criptomoeda consome cerca de 128 TWh de eletricidade anualmente e libera aproximadamente 34,5 milhões de toneladas de CO₂, segundo levantamento.

O Brasil aparece como o oitavo país mais barato para minerar Bitcoin entre os 20 maiores mercados da atividade, segundo os dados da BestBrokers compartilhados com o Cointelegraph Brasil. O custo estimado de eletricidade para produzir 1 BTC no país é de US$ 111.862, abaixo do registrado em mercados como Estados Unidos, Malásia, Tailândia, Alemanha e Singapura.

Segundo o levantamento, as operações brasileiras mineram aproximadamente 1,49 BTC por dia e consomem cerca de 1,38 GWh de eletricidade diariamente. Com uma tarifa empresarial média estimada em US$ 0,12 por kWh, o gasto diário de energia da mineração no país chega a aproximadamente US$ 166.539.

Apenas sete países da lista apresentam um custo menor para produzir um Bitcoin: Indonésia, Cazaquistão, Noruega, Suécia, Canadá, Rússia e China. A Indonésia lidera entre os mercados analisados, com custo estimado de US$ 61.940 por BTC, seguida pelo Cazaquistão, com US$ 66.563, e pela Noruega, com US$ 66.630.

Em comparação, minerar um Bitcoin nos Estados Unidos custa aproximadamente US$ 123.973, enquanto o valor supera US$ 200 mil em Alemanha, Singapura e Irlanda. O Reino Unido aparece como o mercado mais caro entre os 20 analisados, com um custo de US$ 265.873 para produzir 1 BTC.

Custo para minerar 1 Bitcoin supera US$ 106 mil nos EUA


O estudo também destaca uma pressão crescente sobre a rentabilidade das empresas de mineração. Depois do halving de 2024, a recompensa paga aos mineradores caiu pela metade, reduzindo permanentemente a quantidade de novos Bitcoins emitidos por bloco.

Ao mesmo tempo, a queda do BTC em relação às máximas registradas no final de 2025 aumentou a volatilidade das receitas, enquanto a eletricidade consolidou-se como o maior custo individual da atividade.

Nos Estados Unidos, segundo os cálculos da BestBrokers, apenas o custo de energia necessário para produzir 1 BTC já supera US$ 106 mil, enquanto a criptomoeda foi negociada recentemente próxima de US$ 65 mil.

A diferença não significa necessariamente que todos os mineradores americanos operem com prejuízo nessa proporção. Custos reais variam conforme contratos de energia, eficiência das máquinas, localização, infraestrutura e outras fontes de receita. O cálculo do estudo utiliza tarifas comerciais médias de eletricidade e estimativas sobre a distribuição geográfica do hashrate.

Para Alan Goldberg, da BestBrokers, o atual cenário amplia a tensão entre rentabilidade e sustentabilidade.

"Embora a pegada exata de CO₂ dependa da matriz energética de cada região, a concentração da mineração em redes elétricas dependentes de combustíveis fósseis gera preocupações sobre o impacto ambiental geral."

Goldberg afirma que a discussão muda à medida que os governos avançam com políticas de descarbonização e eletrificação e o consumo da mineração passa a ser comparado ao de sistemas energéticos nacionais inteiros.

"Quando os preços do Bitcoin disparavam, o custo ambiental frequentemente ficava ofuscado pela rentabilidade. Em 2026, essa equação está mudando. Margens menores pressionam os mineradores menos eficientes, mas também levantam uma questão mais ampla: se os incentivos financeiros enfraquecem, o custo ambiental se torna mais difícil de justificar?"

O próprio estudo reconhece que a pegada real de carbono da mineração depende diretamente da matriz elétrica usada em cada região. Uma operação abastecida por fontes de baixa emissão apresenta impacto diferente de outra dependente de carvão ou outros combustíveis fósseis, mesmo quando ambas consomem a mesma quantidade de eletricidade.

Emissões anuais de crbono da mineração de Bitcoin equivalem às de 7,5 milhões de carros de passeio em 2026.

Além disso, o relatório aponta que a mineração de Bitcoin (BTC) consome aproximadamente 128 terawatts-hora (TWh) de eletricidade por ano e gera uma pegada de carbono equivalente às emissões produzidas por mais de 7,5 milhões de carros com motores a combustão circulando durante um ano inteiro.

O levantamento estima que as operações de mineração ao redor do mundo consomem, no mínimo, 127,9 TWh de eletricidade anualmente, considerando o uso dos equipamentos de mineração mais eficientes disponíveis atualmente.

A partir da premissa de que cada 1.000 quilowatts-hora (kWh) de eletricidade produzida em 2026 emite, em média, 270 quilos de dióxido de carbono (CO₂), a BestBrokers calculou uma pegada anual de aproximadamente 34,53 milhões de toneladas de CO₂ para a atividade.

A comparação com os 7,5 milhões de carros refere-se, portanto, às emissões de carbono, e não diretamente ao consumo de energia dos veículos.

Para chegar aos resultados, a equipe da BestBrokers combinou dados globais recentes sobre o hashrate do Bitcoin com estimativas de distribuição geográfica do Cambridge Bitcoin Electricity Consumption Index e da Chain Bulletin. O estudo também considerou métricas médias de eficiência dos principais equipamentos ASIC usados na mineração.

Segundo o relatório, a rede Bitcoin consome atualmente mais de 350 GWh de eletricidade por dia para manter sua segurança e permitir a mineração dos cerca de 450 BTC emitidos diariamente.

Em escala anual, o consumo de aproximadamente 128 TWh supera ligeiramente a demanda total de eletricidade registrada em 2025 por países como Filipinas ou Países Baixos, de acordo com a comparação apresentada pelos pesquisadores.

Estados Unidos lideram consumo de energia da mineração de Bitcoin

Os Estados Unidos concentram aproximadamente 38% de todo o consumo de energia relacionado à mineração de Bitcoin, segundo o levantamento. As operações instaladas no país demandam cerca de 132,6 GWh por dia, o equivalente a aproximadamente 1,1% do consumo diário nacional de eletricidade.

Em um ano, os mineradores americanos consomem aproximadamente 48.397 GWh, volume que, segundo a BestBrokers, seria suficiente para abastecer cerca de 4,6 milhões de residências durante 12 meses.

O país também lidera as emissões estimadas pelo estudo, com aproximadamente 13,1 milhões de toneladas de CO₂ por ano associadas à mineração de BTC. A China aparece na segunda posição, com consumo anual estimado em 27.000 GWh e emissões de 7,3 milhões de toneladas de CO₂. O Cazaquistão completa as três primeiras posições, com 16.908 GWh e aproximadamente 4,6 milhões de toneladas de CO₂.

A lista dos dez maiores países mineradores, de acordo com dados referentes a abril de 2026, também inclui Canadá, Rússia, Alemanha, Malásia, Irlanda, Singapura e Tailândia.

O caso do Cazaquistão chama particularmente a atenção dos pesquisadores. A BestBrokers estima que a mineração de Bitcoin represente mais de 14% de toda a demanda de eletricidade do país, o que levanta questionamentos sobre a distribuição dos recursos energéticos e a estabilidade da rede elétrica.

Os dez principais mercados apresentam os seguintes números anuais:

Estados Unidos: 48.397 GWh e 13,1 milhões de toneladas de CO₂;
China: 27.000 GWh e 7,3 milhões de toneladas de CO₂;
Cazaquistão: 16.908 GWh e 4,6 milhões de toneladas de CO₂;
Canadá: 8.288 GWh e 2,2 milhões de toneladas de CO₂;
Rússia: 5.960 GWh e 1,6 milhão de toneladas de CO₂;
Alemanha: 3.914 GWh e 1,1 milhão de toneladas de CO₂;
Malásia: 3.210 GWh e 866.776 toneladas de CO₂;
Irlanda: 2.520 GWh e 680.298 toneladas de CO₂;
Singapura: 2.507 GWh e 676.845 toneladas de CO₂;
Tailândia: 1.228 GWh e 331.516 toneladas de CO₂.

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