
21shares afirma que agora é ótimo momento para investir em Bitcoin
Gestora aponta que Bitcoin entrou em uma janela historicamente associada a fundos de ciclo e projeta recuperação para US$ 100 mil até o fim de 2026

A atual queda do Bitcoin (BTC) pode representar uma das melhores janelas de entrada dos últimos anos, segundo uma análise da equipe de pesquisa da 21Shares. A gestora argumenta que os níveis atuais de preço coincidem com zonas que, historicamente, antecederam fortes recuperações da maior criptomoeda do mercado.
O Bitcoin encerrou junho perto de US$ 60 mil, com uma queda mensal de quase 19%, seu pior desempenho desde o colapso da Three Arrows Capital, em 2022. A criptomoeda também acumulou uma desvalorização de aproximadamente 50% em relação à máxima histórica de US$ 126 mil registrada em outubro de 2025.
Apesar da forte correção, a 21Shares afirma que a queda atual não decorre de uma ruptura estrutural no mercado de criptomoedas. A gestora atribui o movimento a fatores macroeconômicos e técnicos, entre eles uma liquidação recorde de US$ 19 bilhões, pressões provocadas por tarifas comerciais, uma postura mais dura do Federal Reserve e o desmonte de operações de basis trade que contribuíram para as saídas dos ETFs de Bitcoin em junho.
Segundo a análise, o cenário atual difere profundamente dos colapsos da FTX e da Terra, que provocaram contágio e insolvências em série no setor em 2022.
“Um sentimento de mercado em níveis de 2022 com fundamentos intactos é, historicamente, um sinal contrário positivo”, afirmou a equipe de pesquisa.
A 21Shares estabeleceu como cenário-base uma recuperação do Bitcoin em direção aos US$ 100 mil até o fim de 2026.

Bitcoin entra em janela historicamente associada a fundos
A principal tese da 21Shares considera que o tradicional ciclo de quatro anos do Bitcoin continua válido, apesar da expansão dos ETFs e da entrada de investidores institucionais no mercado.
Ao longo dos três ciclos anteriores, segundo a gestora, o Bitcoin atingiu seu fundo aproximadamente um ano depois do topo e cerca de dois anos e meio após cada halving. Oito meses após a máxima de outubro de 2025, a criptomoeda começa agora a entrar nessa janela histórica.
A gestora não descarta novos períodos de negociação lateral ou novas quedas. No entanto, defende que investidores não precisam identificar precisamente o preço mínimo para se beneficiarem de uma eventual recuperação.
Segundo a análise, compras realizadas dentro das janelas historicamente associadas aos fundos dos ciclos anteriores proporcionaram um retorno médio de 130% até o halving seguinte.
“Toda grande oportunidade de acumulação na história do Bitcoin começou em uma zona como esta”, afirmou a equipe da 21Shares.
A gestora também destaca que o Bitcoin passou menos de 5% de todo o seu histórico de negociação em condições semelhantes às atuais. Em todas as ocasiões anteriores, esses períodos antecederam recuperações expressivas durante os anos seguintes.
Investidores de longo prazo acumulam US$ 19 bilhões desde o topo
Dados analisados pela 21Shares também mostram que os investidores de longo prazo continuam acumulando Bitcoin, apesar da queda de aproximadamente 50% desde a máxima histórica.
Segundo a gestora, esses investidores adicionaram cerca de US$ 19 bilhões em Bitcoin desde o topo de outubro e agora controlam uma parcela recorde da oferta da criptomoeda.
Ao mesmo tempo, o detentor mediano de Bitcoin chegou ao ponto de equilíbrio entre lucro e prejuízo pela primeira vez neste ciclo. A 21Shares afirma que níveis semelhantes de estresse marcaram regiões próximas ao fundo nos ciclos anteriores.
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A maior parte das perdas, portanto, permanece concentrada entre investidores que compraram Bitcoin mais recentemente.
“Dinheiro inteligente não sai nesses níveis, ele acumula”, afirmou a equipe de pesquisa.
A 21Shares também argumenta que a estrutura atual do mercado pode limitar a profundidade das quedas em comparação aos ciclos anteriores. Enquanto o Bitcoin chegou a recuar entre 75% e 85% em antigos mercados de baixa, a correção atual permanece próxima de 50%.
Segundo a gestora, a menor volatilidade e a presença crescente de fluxos institucionais contribuíram para elevar os potenciais pisos de preço.
O preço realizado do Bitcoin representa atualmente cerca de 44% do valor registrado no topo do ciclo, contra uma média histórica próxima de 25%, segundo o relatório.
“Menos excesso na subida significa menos dor na queda”, resumiu a 21Shares.

Indicadores técnicos reforçam tese de fundo próximo
A 21Shares também cita indicadores técnicos de longo prazo para sustentar a avaliação de que o Bitcoin se aproxima de uma região historicamente associada ao fim de mercados de baixa.
A criptomoeda continua acima da média móvel de 200 semanas, que funcionou como suporte nos ciclos anteriores. O Bitcoin testou essa região em fevereiro e junho, mas conseguiu preservar o nível.
Outro indicador acompanhado pela gestora envolve a convergência entre as médias móveis de 50 e 100 semanas. Esse tipo de cruzamento apareceu apenas três vezes durante a última década: em 2015, 2019 e 2022.
Em todas essas ocasiões, o movimento ocorreu poucas semanas antes de um fundo de ciclo, segundo a análise.
Apesar da perspectiva otimista, a 21Shares reconhece o risco de novas quedas. Um fechamento abaixo de US$ 58 mil poderia levar o Bitcoin para a faixa entre US$ 50 mil e US$ 55 mil, região próxima ao seu preço realizado.
A gestora, porém, considera esse o caminho de menor probabilidade. Outro fator de atenção envolve o modelo de financiamento da Strategy, maior detentora corporativa de Bitcoin. A empresa controla aproximadamente 4% da oferta da criptomoeda, segundo a análise.
A 21Shares considera a exposição da companhia um possível obstáculo para o mercado, mas não uma ameaça sistêmica.
Para a gestora, o ciclo de quatro anos do Bitcoin não desapareceu, mas amadureceu. Essa transformação teria produzido um mercado de baixa menos profundo e menos violento do que aqueles registrados no passado.
“Os sinais estão se concentrando em níveis que historicamente marcaram seu piso, e o capital mais paciente já está acumulando”, concluiu a equipe de pesquisa.

