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Cassio Gusson
Escrito por Cassio Gusson,Redator
Lucas Caram
Revisado por Lucas Caram,Editor da Equipe

Touros e ursos do Bitcoin estão em guerra por US$ 80 mil

Fluxo de baleias, pressão nos derivativos e retirada massiva de BTC das exchanges transformam os US$ 80 mil na principal batalha do mercado cripto.

Touros e ursos do Bitcoin estão em guerra por US$ 80 mil
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O mercado de criptomoedas entrou em uma nova fase de tensão após o Bitcoin voltar a oscilar na região dos US$ 80 mil, um nível que deixou de funcionar apenas como suporte psicológico e passou a representar uma verdadeira linha de batalha entre os ursos, os touros, compradores de curto prazo, baleias institucionais e investidores de longo prazo.

A movimentação ocorre em meio a um cenário de liquidez mais restrita, pressão vendedora em derivativos e uma disputa cada vez mais intensa pela oferta disponível da criptomoeda no mercado à vista.

Dados da CryptoQuant mostram que o principal ativo digital do mercado opera em um ponto considerado crítico para investidores de curto prazo. Segundo a plataforma, o indicador MVRV STH, que mede a rentabilidade média dos holders de curto prazo, caiu para 0,9977, entrando oficialmente na chamada zona de “capitulação tática”.

Isso significa que parte relevante dos investidores que compraram Bitcoin recentemente já opera no prejuízo, uma vez que o preço médio de aquisição desse grupo gira em torno de US$ 80.721.

O movimento ajuda a explicar por que a região dos US$ 80 mil passou a funcionar como uma barreira extremamente difícil de ser rompida de forma consistente. O que antes servia como suporte técnico agora atua como uma área de forte realização e defesa vendedora. A pressão aumentou depois que o Bitcoin perdeu a estrutura de alta em canais gráficos de curto prazo e rompeu a neckline de uma formação de topo duplo no gráfico de quatro horas, chegando a tocar US$ 79.869 antes de uma recuperação parcial.

Pressão de venda e investidores institucionais

Apesar da volatilidade recente, o cenário atual não mostra apenas pressão de venda. Os dados também revelam uma disputa silenciosa entre grandes players institucionais e investidores de longo prazo pela absorção da oferta disponível. A própria CryptoQuant destaca que o indicador Exchange Whale Ratio atingiu 0,9796, sinalizando que quase 98% dos depósitos em exchanges partiram de grandes baleias. A Binance concentra boa parte desse fluxo, respondendo por mais de 53% da movimentação observada entre os grandes participantes.

Ao mesmo tempo, indicadores de agressão de mercado sugerem que vendedores continuam utilizando ordens a mercado para pressionar o preço no curto prazo. O Taker Buy Sell Ratio permanece abaixo de 1, apontando predominância de ordens de venda agressivas. Paralelamente, o índice FEI Downside Alpha segue elevado, sugerindo deterioração rápida da liquidez passiva e aumento do risco de movimentos bruscos.

Ainda assim, a estrutura macro do mercado permanece mais resiliente do que em ciclos anteriores. A análise semanal da Bitfinex aponta que o Bitcoin encerrou abril com seu melhor desempenho mensal em um ano, acumulando valorização próxima de 12% e adicionando cerca de US$ 198 bilhões ao valor total do mercado cripto. O principal movimento ocorreu quando o ativo rompeu a faixa entre US$ 78 mil e US$ 79 mil, considerada uma das maiores zonas de venda desde janeiro, avançando posteriormente em direção aos US$ 83 mil.

Segundo a corretora, um dos sinais mais relevantes desse ciclo é que a alta recente não vem sendo sustentada por excesso de alavancagem, mas principalmente pela demanda no mercado à vista. O Spot CVD registrou forte crescimento desde o início de maio, indicando absorção consistente da oferta mesmo em preços mais elevados. Além disso, a demanda por ETFs e a acumulação direta por investidores institucionais continuam funcionando como motores importantes para o mercado.

Outro dado observado pela Bitfinex reforça a tese de escassez estrutural da oferta. Investidores classificados como holders de longo prazo agora controlam quase quatro milhões de BTC, o maior crescimento dessa categoria desde o período pós-pandemia. O movimento reduz a quantidade de moedas disponíveis em circulação e ajuda a sustentar a narrativa de compressão de oferta em meio ao aumento da demanda institucional.

Fluxos negativos nas exchanges

Essa leitura também aparece em dados analisados pelo analista Crazzyblockk. Segundo ele, sete das dez maiores exchanges registraram fluxos líquidos negativos de Bitcoin nos últimos 30 dias, indicando retirada consistente de moedas das plataformas. Gate.io apresentou fluxo negativo de 24,1%, enquanto OKX e Bybit registraram retiradas equivalentes a 16,3% e 13,9% de seus volumes brutos internos, respectivamente.

A Binance apresentou uma dinâmica considerada mais complexa. Embora o fluxo líquido total tenha permanecido negativo em 3,68%, as dez maiores transações de entrada registraram saldo positivo superior a 16 mil BTC no mesmo período. Para o analista, o comportamento pode refletir operações OTC, proteção em derivativos ou acumulação institucional diretamente nos books de ofertas.

O cenário macroeconômico também segue no radar dos investidores. Nos Estados Unidos, o mercado de trabalho continua mostrando resiliência, com criação de vagas acima das expectativas e desemprego estável em 4,3%. A inflação americana permanece em torno de 3,3%, enquanto o mercado já atribui probabilidade próxima de 94% para manutenção dos juros pelo Federal Reserve na reunião de junho, o que pode aumentar a pressão vendedora e frear um possível testes de US$ 90 mil até junho.

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