O mercado de criptomoedas inicia maio em clima de expectativa. Após semanas de recuperação gradual, o Bitcoin voltou a testar a região dos US$ 80 mil, nível considerado estratégico por analistas.
Para Gil Herrera, diretor de estratégia e operações da Bitget LATAM, acapitalização total do mercado cripto segue estável, na casa dos US$ 2,57 trilhões, com os ativos oscilando em direções distintas. Um ponto de atenção são os ETFs de Bitcoin à vista, que registraram saída de US$ 89,68 milhões na terça-feira, após retiradas de US$ 263,18 milhões na segunda — interrompendo uma sequência positiva de nove dias consecutivos de entradas desde meados de abril. Caso essa tendência de saídas continue e se intensifique ao longo da semana, o Bitcoin pode enfrentar novas correções de preço.
Do ponto de vista técnico, o cenário segue delicado. A zona dos US$ 80.000 vem funcionando como teto relevante, com concentração de ordens de venda entre US$ 79.800 e US$ 80.500. Um fechamento de vela semanal acima desse nível seria interpretado como sinal de força e possível gatilho para as próximas resistências, em US$ 82.500 e US$ 85.000.No campo dos suportes, a perda consistente do nível de US$ 77.000 abriria espaço para teste da faixa de US$ 74.000 a US$ 75.000.
Já para André Franco, CEO da Boost Research, o movimento do BTC em abril pode abrir espaço para novas oportunidades, mas ainda exige cautela.
Segundo ele, abril foi marcado por compressão de preços e relativa estabilidade. Agora, maio começa com uma movimentação mais firme, embora ainda sem confirmação de tendência. “O mercado precisará provar se a alta recente representa o início de um novo ciclo ou apenas mais uma perna dentro de um grande range”, afirma Franco.
Na visão do analista, o avanço do Bitcoin até os US$ 80 mil não ocorreu de forma isolada. Ele aponta que a melhora do humor global ajudou ativos de risco em diferentes mercados, incluindo ações americanas e criptomoedas.
“Índices como S&P 500 e Nasdaq encerraram abril renovando máximas históricas. Isso mostra um ambiente mais favorável ao risco e beneficia diretamente o setor cripto”, diz.
Bitcoin lidera lista de recomendações
Mesmo diante da resistência na faixa dos US$ 80 mil, André Franco mantém o Bitcoin como principal ativo para maio. Para ele, a moeda segue como referência do setor e tende a reagir melhor tanto em cenários positivos quanto negativos.
“O Bitcoin continua sendo o ativo central. Se o mercado ganhar força, ele tende a romper resistências primeiro. Se houver nova pressão vendedora, tende a cair menos que o restante”, explica.
Franco destaca ainda que uma mudança estrutural mais forte dependeria da superação da região dos US$ 97 mil, patamar que poderia invalidar a sequência de topos descendentes observada nos últimos meses.
Com base no cenário atual, André Franco recomenda atenção especial para cinco criptomoedas:
1. Bitcoin (BTC)
Segue como principal ativo do mercado e referência institucional.
2. Ethereum (ETH)
Mantém protagonismo em setores como DeFi, stablecoins e tokenização de ativos reais.
3. Hyperliquid (HYPE)
Token ligado a uma plataforma que cresce com foco em derivativos e ativos híbridos.
4. Solana (SOL)
Continua relevante pela velocidade da rede e expansão do ecossistema.
5. Chainlink (LINK)
Ganha força no segmento de integração entre dados externos e blockchains.
Embora o relatório original destaque principalmente Bitcoin, Ethereum e HYPE, Franco avalia que projetos consolidados como Solana e Chainlink também podem capturar fluxo caso o mercado confirme retomada.
Maio será mês de validação
Para o analista, o mercado já mostrou capacidade de recuperação, porém ainda precisa confirmar força compradora suficiente para sustentar níveis mais altos.
“Maio não é um mês de definição clara, mas de validação. O investidor precisa priorizar ativos com fundamentos sólidos e manter disciplina”, conclui.

