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Marcel Pechman
Escrito por Marcel Pechman,Redator
Ray Salmond
Revisado por Ray Salmond,Editor da Equipe

Economia fraca nos EUA, estresse no crédito privado e guerra afetam as chances do Bitcoin de subir até US$ 75 mil

As chances de o Bitcoin subir até US$ 75.000 foram reduzidas por uma economia enfraquecida nos EUA, pela guerra no Irã e por múltiplos holders institucionais de BTC vendendo no mercado aberto?

Economia fraca nos EUA, estresse no crédito privado e guerra afetam as chances do Bitcoin de subir até US$ 75 mil
Mercado

Principais pontos:

  • Riscos no crédito privado e dados fracos do mercado de trabalho dos EUA pressionam o Bitcoin, mas existe um lado positivo?

  • Saídas em ETFs spot de Bitcoin e vendas por mineradoras testam a força do BTC, mas as opções do Federal Reserve para lidar com o déficit federal também podem favorecer ativos escassos.

O Bitcoin (BTC) enfrentou rejeição em US$ 69.000 na quarta-feira, depois que o discurso do presidente Donald Trump não garantiu o fim da guerra no Irã. Os preços do petróleo dispararam após o discurso e, além das preocupações dos traders relacionadas à guerra, a turbulência nos mercados de crédito privado também está afetando a confiança dos investidores em vários mercados.

Embora o Bitcoin tenha defendido com sucesso o nível de US$ 66.000 ao longo da semana, os traders continuam preocupados com o risco de queda no próximo fim de semana, já que os mercados dos EUA e da Europa estarão fechados na sexta-feira por causa da Páscoa.

Petróleo bruto WTI (esquerda) vs. Bitcoin/USD (direita). Fonte: TradingView

A ameaça de novas ações militares lideradas pelos EUA no Irã fez os preços do petróleo WTI subirem acima de US$ 110, provocando uma fuga de ativos de risco. Os traders decidiram reduzir sua exposição ao Bitcoin e às ações, enquanto o Departamento do Tesouro dos EUA expressava preocupações na quarta-feira em relação ao mercado de crédito privado de US$ 2 trilhões. Reguladores de seguros nacionais e internacionais serão consultados até o início de maio.

Mercados de crédito privado soam o alarme: o BTC vai responder?

A Blue Owl, uma gestora de ativos alternativos de US$ 307 bilhões, anunciou “pedidos extraordinários de resgate” para dois de seus fundos de crédito privado em cartas a acionistas emitidas na quinta-feira. Mais de 70% das empresas para as quais a Blue Owl empresta estão no setor de software, segundo foi reportado durante a teleconferência trimestral de resultados. A gestora limitou os pedidos de saque a 5%, aumentando as preocupações no mercado de crédito.

Somando-se ao sentimento baixista de curto prazo entre traders, houve um aumento nos pedidos contínuos de auxílio-desemprego nos EUA, que subiram para 1,84 milhão na semana encerrada em 21 de março, contra 1,82 milhão na semana anterior. Esses dados não são inerentemente negativos para ações; no entanto, como observou a empresa global de recolocação Challenger, Gray & Christmas, a maioria das demissões partiu de empresas que estão “redirecionando orçamentos para investimentos em IA em detrimento dos empregos.”

Dívida bruta federal dos EUA, em trilhões de dólares (à esquerda) versus percentual do PIB (à direita). Fonte: crfb.org

As chances de iniciativas de estímulo econômico em meio ao enfraquecimento da atividade podem, em última instância, sustentar o preço do Bitcoin no médio prazo. O déficit federal dos EUA deve atingir impressionantes US$ 1,9 trilhão em 2026, deixando pouca margem de manobra além da injeção de liquidez, algo que tende a beneficiar ativos escassos.

Uma melhora na percepção de risco em relação ao Bitcoin será decisiva para um possível rali acima de US$ 75.000. Houve um impacto negativo considerável vindo das saídas líquidas em ETFs spot listados nos EUA, da liquidação de posições por empresas que antes focavam na construção de reservas corporativas e do desmonte de posições por mineradoras listadas em bolsa.

Fluxos líquidos diários de ETFs de Bitcoin listados nos EUA, em USD. Fonte: Farside Investors

Os ETFs de Bitcoin listados nos EUA registraram US$ 450 milhões em saídas líquidas desde 24 de março, o que serve como proxy para uma demanda institucional fraca. Os traders temem mais pressão vendedora porque o setor detém US$ 88 bilhões em Bitcoin sob gestão, com o iShares Bitcoin Trust (IBIT), da BlackRock, liderando com US$ 53,9 bilhões. No entanto, essas saídas devem desacelerar se o Bitcoin continuar mostrando força próximo de US$ 66.000.

A MARA Holdings (MARA US) anunciou a venda de 15.133 BTC em março, a um preço muito abaixo do custo médio estimado da empresa. Enquanto isso, a Riot Platforms (RIOT US) supostamente transferiu 500 BTC para venda na quarta-feira. Além disso, a Nakamoto Holdings (NAKA US) divulgou a venda de 284 BTC, apesar de anteriormente ter anunciado sua intenção de continuar acumulando o ativo.

Enquanto empresas como Strategy (MSTR US) e Metaplanet (MTPLF US) continuarem absorvendo parte dessa pressão vendedora, os investidores provavelmente reconhecerão que o Bitcoin funciona como proteção contra o aumento da oferta monetária. Os governos farão todo o possível para evitar uma recessão, aumentando as chances de que o caminho do Bitcoin até US$ 75.000 continue firmemente em jogo, apesar da piora das condições macroeconômicas.

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