
Copa do Mundo movimentou US$ 20 bilhões nos mercados preditivos, aponta Chainalysis
Pesquisa mostra como o maior evento esportivo do planeta impulsionou mercados de previsão, colecionáveis digitais e evidenciou a importância do rastreamento de ativos digitais

A Copa do Mundo de 2026 movimentou mais de US$ 20 bilhões nos mercados preditivos, desde janeiro de 2026, e US$ 24 milhões em negociações de colecionáveis digitais (NFTs) ligados à competição desde maio de 2025, aponta um estudo da Chainalysis, compartilhado com o Cointelegraph Brasil.
O estudo analisa como a Copa do Mundo impulsionou diferentes aplicações baseadas em blockchain, desde mercados de previsão até colecionáveis digitais utilizados para compra e revenda de ingressos. A pesquisa também mostra como o crescimento dessas atividades aumenta a importância de ferramentas capazes de rastrear fluxos financeiros e identificar possíveis conexões com atividades ilícitas.

Os resultados do estudo indicam que a Copa do Mundo funciona como um exemplo da crescente presença da blockchain em grandes eventos globais. Segundo a Chainalysis, à medida que essas aplicações evoluem, cresce também a importância de tecnologias capazes de rastrear ativos digitais e acompanhar seus fluxos em tempo real.
Mercados preditivos concentraram bilhões em movimentações
O estudo identificou que aproximadamente 400 mil carteiras participaram de mercados de previsão baseados em blockchain relacionados à Copa do Mundo, movimentando US$ 5,7 bilhões apenas durante o período do torneio. Ao longo de todo o ciclo analisado, iniciado ainda durante as eliminatórias, o volume acumulado alcançou US$ 20 bilhões.
A maior parte da atividade esteve concentrada em previsões sobre resultados das partidas, classificação das seleções e campeão do torneio. Conforme os jogos avançavam, novos mercados relacionados a estatísticas e acontecimentos específicos também ganharam relevância durante a competição.
Segundo a pesquisa, durante a realização da Copa, os mercados relacionados ao torneio chegaram a representar aproximadamente 63% de todo o volume movimentado em plataformas globais de prediction markets.
Atividade teve alcance global
Utilizando metodologias proprietárias de geolocalização blockchain, a Chainalysis identificou participação de usuários em praticamente todos os continentes. Os maiores volumes vieram de Estados Unidos e China, seguidos por Canadá, Tailândia e Reino Unido, evidenciando o alcance global da atividade observada nos mercados de previsão relacionados à Copa do Mundo.

Embora a ampla maioria das transações analisadas tenha sido legítima, o estudo também identificou carteiras com histórico de interação direta com endereços previamente associados a atividades ilícitas.
Entre elas estavam carteiras relacionadas a golpes, recursos provenientes de furtos de criptoativos, mesas OTC ligadas a atividades ilícitas e valores provenientes da exchange Huobi/HTX, sancionada pelas autoridades do Reino Unido em maio de 2026 por supostamente facilitar fluxos financeiros ligados à Rússia.
A Chainalysis ressalta, contudo, que esse tipo de exposição não implica necessariamente que os usuários envolvidos tenham participado de atividades criminosas, já que uma carteira pode interagir com endereços ilícitos por diferentes razões, incluindo ter sido vítima de golpes ou contraparte involuntária em transações.
Segundo a empresa, identificar essas conexões representa o primeiro passo para apoiar análises e investigações mais aprofundadas quando necessário.
NFTs também impulsionaram a economia digital da Copa
Além dos mercados de previsão, a pesquisa analisou o funcionamento do FIFA Collect, plataforma oficial de colecionáveis digitais da FIFA construída sobre a blockchain Avalanche.
Mais de 100 mil torcedores obtiveram acesso a ingressos por meio da plataforma, que permitia transformar determinados NFTs em direito de compra de entradas para as partidas. Ao todo, o ecossistema movimentou US$ 24 milhões, gerando pelo menos US$ 6 milhões em receitas provenientes de negociações secundárias.

O estudo também identifica diferentes perfis de usuários dentro da plataforma, incluindo colecionadores, especuladores e torcedores interessados principalmente em utilizar os ativos digitais para acessar os jogos.
Ao contrário do observado nos mercados de previsão, a plataforma FIFA Collect apresentou exposição praticamente inexistente a recursos provenientes de atividades ilícitas.
Segundo a Chainalysis, a baixa exposição observada pode estar relacionada aos rigorosos procedimentos de verificação de identidade (KYC) adotados pela plataforma, que exigiam identificação dos usuários, comprovação da origem dos recursos e revisão manual antes da autorização para aquisição de ingressos.
Segundo a Chainalysis, os resultados do estudo sugerem que aplicações baseadas em blockchain devem continuar ganhando espaço em grandes eventos internacionais. Ao mesmo tempo, o crescimento dessas aplicações reforça a importância de tecnologias capazes de rastrear, atribuir e avaliar fluxos de ativos digitais em tempo real, oferecendo mais transparência para plataformas, reguladores e usuários.

